ESCRITOS DIVERSOS Clara Codd

Este volume reúne 2 obras de menor extensão.

Cada obra é delimitada por seu título original.

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═══════   Não Há Morte — Clara Codd ═══════

Não Há Morte por Clara M. Codd

Não Há Morte           Uma Mensagem de Conforto

por Clara M. Codd

Publicado nos anos 1900

Não, mas como quando alguém deixa              Suas vestes gastas de lado,            E, tomando novas, diz:              "Estas vestirei hoje!"                Assim depõe o espírito               Levemente sua veste de carne,                E passa a herdar                  Uma morada renovada                 — O Cântico Celestial

UM CONFORTO NA VERDADE O MUNDO DA ALMA A RETIRADA DA CONSCIÊNCIA O PORTAL DO SONO O DESPERTAR O PODER CRIATIVO DO PENSAMENTO AS CRIANÇAS APÓS A MORTE ESTADOS PSICOLÓGICOS NOSSOS DESEJOS E PENSAMENTOS O REINO DO ESPÍRITO PORTais PARA O CÉU AS ORDENS ANGÉLICAS NOSSO CRESCIMENTO VIDA APÓS VIDA VERDADES ETERNAS PENSAMENTOS DE CONFORTO E ALEGRIA OS MUNDOS INVISÍVEIS

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UM CONFORTO NA VERDADE Uma das mais maravilhosas e confortadoras verdades que a Sabedoria Antiga nos traz é o fato de que, na realidade, não há morte em lugar algum do Universo.

Nada jamais deixa de existir; apenas muda de estado.

Nas palavras do poeta Longfellow:

"Não há morte, O que parece ser é transição"

E porque, no mais profundo de seu coração, o homem sempre soube disso, ele tem uma convicção inerradicável de que não pode ser finalmente separado daqueles que ama, e de que certamente se encontrarão novamente.

Essa é uma impressão verdadeira.

Podemos estabelecer como um axioma eterno que aquilo que um homem ama ele nunca, nunca poderá perder.

"Mas", você dirá, "meu amado jaz frio e imóvel.

Em breve, esse querido corpo se desintegrará.

Onde está ela? Como posso ter certeza de que a verei novamente?"

Talvez a primeira coisa a perceber é que ela não é aquele corpo.

Aquele era apenas o invólucro de sua alma.

Ela o vestiu através do portal do nascimento, a fim de entrar em contato com esta maravilhosa ordem de experiência que chamamos de vida, embora, na realidade, outras ordens de experiência sejam ainda mais plenamente vida do que esta.

Muitos poetas e sábios tiveram essa ideia.

Platão diz que estamos "enterrados" em túmulos de corpos para corrigir nossos erros de uma vida anterior.

E Walt Whitman escreve: "Porventura eu, o morto, eu, o sonhador."

A própria palavra "corpo" vem de uma palavra anglo-saxônica, *bodig*, da qual obtemos a palavra "morada" (*abode*), que significa o lugar de habitação.

Como é dito nas Escrituras Cristãs: "Porque aqui não temos cidade permanente, mas buscamos a futura." Arnold Bennett chama o corpo de máquina humana.

Por ser uma coisa viva, com uma vida elementar e obscura própria, o termo de São Francisco, "irmão asno", é melhor.

Gênesis o chama de "túnica de pele", e ainda outra definição é o uniforme escolar.

Viemos a esta vida, aparentemente sem volição própria, para obter, através das experiências deste mundo material, o alimento do crescimento de nossa alma.

Quando dela partimos novamente, vamos para um tempo de descanso do espírito e ficamos, por muito tempo, livres das preocupações e tribulações da vida terrena.

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O MUNDO DA ALMA

Para onde vamos? Acima do céu? A concepção popular é que o céu está acima e o inferno abaixo.

Não, o céu não está além das estrelas, mas aqui e agora, ao nosso redor, como nosso Jesus ensinou.

Ele disse que estava "dentro". Isso significa uma ordem interna e mais sutil de matéria, nada física, porém plena de forma e cor, circundando e permeando este mundo familiar.

Os ocultistas nos dizem que todas as formas de matéria existem em vários graus de densidade.

Podemos converter água em gelo e novamente em vapor.

A ciência postula, em algum lugar, um mundo invisível de prótons e elétrons, semelhante em ideia ao nosso sol com seu círculo de planetas.

Eles não são estáticos, mas incrivelmente vivos, movendo-se com velocidade inimaginável.

Por que tipo de espaço eles se movem? Uma ordem de matéria muito mais sutil e refinada do que a do nosso mundo, mais fluida, luminosa, vívida, um mundo tão brilhante que os escritores medievais o chamaram de "Astral" ou estrelado.

E este mundo luminoso interpenetra e circunda nosso mundo físico.

Este é o mundo da alma.

A maioria de nós acredita que temos uma alma, mas não podemos dizer como ela se parece ou onde exatamente está. Novamente, a derivação da palavra nos ajudará. Ela vem da palavra grega *psique*, que nos dá as palavras psíquico e psicologia.

A pesquisa psíquica e a psicologia no Ocidente são ciências modernas, mas no Oriente são muito antigas.

Um se esforça para explorar o mundo da alma do ponto de vista da matéria ou da forma — como Sir Oliver Lodge profetizou que a ciência dos séculos vindouros faria — para ver se ela tem forma e cor, pode ser fotografada, e assim por diante. O outro explora o mundo da alma do ponto de vista de seus poderes de consciência, de sentimento e pensamento.

Hoje ninguém negaria que o pensamento é um poder muito poderoso, uma telegrafia sem fio sutil que está em ação o tempo todo.

Assim, a alma é o eu que pensa e sente, que pensa e sente após a morte ainda mais vividamente do que antes.

Podemos pensar sem um cérebro, ou sentir sem nervos? Muito melhor.

Nosso cérebro e células nervosas são apenas como as teclas de um piano para o músico.

A música está em sua alma, mas ele precisa do instrumento para mostrar algo do que essa música é.

São Paulo classificou o homem como uma trindade, tendo um corpo, uma alma e um espírito.

Esses dois últimos termos não são intercambiáveis, pois são palavras bastante diferentes no original grego.

A palavra "espírito" é uma tradução da palavra grega *pneuma*, latim *spiritus*.

Significa o primitivo "sopro de vida". É sutil, puro, divino.

Deus soprou no homem físico e psíquico o sopro de vida, e ele se tornou um Eu vivo e imortal, compartilhando para sempre a vida eterna subjacente do Universo.

É aqui que todo filho do homem é também e para sempre um Filho do Altíssimo, uma herança que ele nunca pode renunciar.

Só podemos nos aproximar do pensamento disso por meio de simbolismo e alegoria.

São Pedro o chama de "o homem oculto do coração, naquilo que não é corruptível". São Paulo o chama de "Cristo em vós, a esperança da glória". Jesus foi ainda mais explícito quando disse: "Não está escrito na vossa lei: Eu disse: vós sois deuses?", citando o Rei Davi, que escreveu: "Vós sois deuses; e todos vós sois filhos do Altíssimo". Após a morte, lentamente o melhor das experiências de nossa vida é sublimado e absorvido naquela consciência divina oculta, fazendo-a também crescer e se desenvolver.

Assim, despimo-nos das vestes do corpo e vivemos primeiro a vida da alma, alcançando finalmente a gloriosa e completamente venturosa vida do espírito liberto.

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A RETIRADA DA CONSCIÊNCIA

Tentemos imaginar a vida de cada estado.

Primeiro de tudo, o processo de morrer.

Ele deve chegar a todos, mas a morte é uma amiga, nunca a ser temida, mas bem-vinda.

A hora da morte é conhecida do outro lado, e ninguém jamais atravessa sem ser recebido por alguém que conhece e que o precedeu.

Durante a vida aqui, nossa consciência está voltada para fora, entrando em contato com as experiências da vida.

Quando o momento de partir se aproxima, a consciência se retira e começa a voltar-se para dentro.

Às vezes, uma pessoa moribunda pedirá que as luzes sejam acesas, ou dirá que o quarto está se afastando.

Muitas vezes também, à medida que o outro lado se aproxima, aquele que está partindo começará a discernir as pessoas ou a paisagem desse outro lado.

Um soldado irlandês moribundo disse à sua enfermeira: "Irmã, olhe todas essas belas damas." Elas lhe pareceriam assim, ou ele estava vendo a Terra dos Sempre-Jovens, onde a matéria é luminosa e radiante.

Então, à medida que a consciência se volta cada vez mais para dentro, algo muito maravilhoso e importante acontece.

Em nossa consciência desperta comum, parece que esquecemos muitos dos eventos diários da vida, mas não é realmente assim. Nas partes mais profundas de nós mesmos, nada é jamais esquecido, e quando um homem passa para a vida do outro lado, ele parece percorrer rapidamente os salões de sua própria memória.

É como se, ao deixar a arena da vida, o homem olhasse para trás e, em uma visão panorâmica, visse aquela vida como um todo, onde teve êxito e onde falhou.

Então, quando a alma deixa o corpo, a consciência, por um curto período, entra em sono profundo, durante o qual o corpo psíquico, que durante a vida permeava e envolvia o invólucro físico, é ajustado para uma existência independente do outro lado.

Página — There Is No Death, de Clara M. Codd

O PORTAL DO SONO

Embora a maioria de nós não perceba, enquanto estamos no corpo, nós o deixamos todas as noites através do portal do sono, que é o mesmo pórtico do portal da morte.

"Quão maravilhoso é o sono", escreve Shelley, "o sono e seu irmão, a morte." Morrer é, de fato, apenas adormecer pela última vez nesta encarnação.

Mas, enquanto vivemos, ainda estamos conectados aos nossos corpos durante o sono por um fio magnético brilhante que instantaneamente chama o homem de volta à vigília se seu corpo for tocado.

Na morte, esse elo de ligação é rompido e, assim, o retorno não é mais possível.

Isso não nos traz à memória as palavras de Eclesiastes: "antes que o cordão de prata se solte." Assim, o mundo em que ele agora entra não é um mundo totalmente desconhecido, pois ele já percorreu parte dele antes, durante o sono de seu corpo.

"A pessoa moribunda está consciente de tudo isso?" podemos perguntar.

"E o que se chama de agonia da morte?" Isso é apenas o cessar do funcionamento dos músculos físicos.

A própria pessoa não tem consciência disso. Ela está ocupada com aquela imagem que se desenrola de sua vida passada, e isso pode continuar em sua consciência mesmo depois que seu corpo deixou de respirar.

Uma pessoa moribunda nunca deve ser perturbada ou afligida.

Assista à sua partida com paz e afetuosa solicitude.

Uma antiga escritura tibetana nos diz para sentar ao seu lado e sussurrar palavras amorosas, pois, embora seus ouvidos possam não ouvir, sua alma ouvirá.

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O DESPERTAR

O período de inconsciência pelo qual o homem passa após a morte geralmente não dura muito, embora isso dependa de fatores pessoais.

Para a maioria, é cerca de trinta e seis horas.

Então o homem desperta para um mundo luminoso e tranquilo, e a primeira coisa que verá serão alguns daqueles que o precederam.

Eles terão vindo ao seu encontro.

Certa vez, na Austrália, a escritora costumava transmitir essas ideias, e cartas chegavam de todo o hemisfério sul.

Um médico na Nova Zelândia escreveu que, certa noite, foi chamado a uma estação isolada, ou fazenda, mantida por um casal muito idoso.

Quando chegou lá, o velho já estava morto.

Ele havia morrido com os braços estendidos.

Sua esposa, comentando sobre isso, disse: "Oh! senhor, uma vez tivemos uma filha que morreu aos dezessete anos, e pouco antes de ele partir, meu marido declarou que a viu, e estendeu os braços para ela, dizendo: 'Estou indo, Mary, espere por mim'."

Que tipo de vida ele havia agora iniciado? Será um pouco difícil descrever, pois todos nós naturalmente o imaginamos em termos terrenos, e não é bem assim.

Coloquemos desta forma.

Não podemos levar para lá nada que pertença somente a esta vida terrena, como riquezas que acumulamos, celebridade que conquistamos, ou os prazeres do corpo, como comer e beber ou a sensação sexual como tal, pois agora estamos vivendo em um mundo e em uma forma de matéria onde essas coisas não são mais particularmente reais.

Mas tudo aquilo que nos pertence como alma, como um eu que sente e pensa, vai conosco e é enormemente realçado e ampliado.

Todos os deleites intelectuais, todo amor verdadeiro pelos outros, toda aspiração religiosa pura, amor pela beleza e pela verdade, estes, do outro lado, constroem uma vida muito bela e maravilhosa para o homem que deixou por ora este vale de lágrimas.

Outra coisa a ser lembrada é que a matéria psíquica tem suas próprias leis e condições, e elas não são as mesmas da matéria física.

Por exemplo, a matéria psíquica não é afetada pelo calor ou pelo frio.

Portanto, nossos corpos de alma também não sentem.

Mas o pensamento e o sentimento são muito mais vívidos e claros do que quando tínhamos que colocar em movimento as partículas pesadas do cérebro físico e das células nervosas.

As avaliações de tempo e espaço também são diferentes.

O que uma pessoa pensa está imediatamente diante dela.

O que ela ama está ao seu lado.

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O PODER CRIATIVO DO PENSAMENTO

Usamos roupas, comemos alimentos e vivemos em casas? Sim, mas as roupas e as casas não são tecidas ou construídas.

Elas são a criação dos pensamentos e imaginações dos homens, pois lá o pensamento e o desejo são poderosas forças criativas, como de fato também o são aqui.

Semelhante atrai semelhante, constrói igrejas, salas de concerto, laboratórios e outros edifícios.

Não há mais necessidade de alimentos e bebidas, pois o corpo psíquico não os requer.

Se levarmos conosco um grande apego às refeições, criaremos sua aparência, mas logo perderemos o hábito.

Os antigos celtas chamavam este plano de Terra dos Sempre-Jovens, porque a matéria psíquica não é afetada pela fadiga, doença ou velhice.

Essas pertencem à disciplina da vida aqui, e quando morremos, nós as perdemos temporariamente.

Ninguém lá é aleijado, doente ou jamais se cansa.

Que alívio para aqueles que arrastaram uma existência cansativa em um leito de enfermo, ou através de uma vida difícil! Iríamos querê-los de volta? Alguns podem dizer que viram uma fotografia espiritual de uma velha mãe ou avó, e que lá elas ainda parecem velhas.

Lembremo-nos do tremendo poder do pensamento e da imaginação lá.

Se carregamos o pensamento de que somos velhos, continuaremos a parecer assim até perdermos o hábito.

Às vezes um homem carrega o pensamento de que é velho e cansado.

Então ele descansará até que também perca isso.

Havia um homem que fora inválido durante quase toda a sua vida.

Mas ele era um caráter muito belo e muitas pessoas o amavam.

Quando morreu, pareceu-lhe a princípio que estava cercado por uma atmosfera repousante e confortadora.

Isso foi realmente formado por todos os pensamentos amorosos e orações que vinham daqueles deixados na terra que o amavam.

Talvez não percebamos que nossos entes queridos, já falecidos, nunca estão fora do alcance de nossos pensamentos e de nossas orações.

Não os esqueçais.

Orai por eles, pois nesse mundo mais sutil essas forças amorosas são verdadeiros anjos da guarda para aqueles que partiram.

Um general britânico, que fora um homem de vida muito má, encontrou-se após a morte em uma condição muito infeliz.

Os seus próprios pecados e maus pensamentos haviam criado um mundo sombrio para ele.

O primeiro raio de luz chegou até ele quando alguém na Terra se lembrou dele com amor e compaixão e orou por ele.

Ele encontrou o caminho para reinos mais luminosos seguindo aquele brilho.

Devemos procurar não ficar demasiadamente angustiados quando os nossos entes queridos partem, pois às vezes o luto excessivo tece uma nuvem ao nosso redor e nos impede de verdadeiramente contactar o nosso falecido, seja aqui em pensamento, seja quando deixamos o nosso próprio corpo temporariamente à noite.

Uma mãe costumava atravessar todas as noites envolta em uma espessa nuvem de luto, pois havia perdido a sua filhinha, a quem era completamente devotada.

A criança corria ao seu encontro, mas a princípio a nuvem espessa impedia a mãe de vê-la.

Então um auxiliar dissipou a nuvem e a mãe segurou a criança em seus braços.

Quando saímos do corpo à noite, não levamos o nosso cérebro conosco, e a menos que esse cérebro seja muito sensível e bem controlado, será difícil fazê-lo registrar experiências das quais não participou.

Mas a maioria de nós já teve a experiência de acordar de manhã com uma sensação de paz e conforto, ou talvez com um sonho vívido.

A psicologia dos sonhos é uma questão muito complexa, e a maioria dos sonhos não são memórias verdadeiras.

Mas fragmentos atravessam com notável e extraordinária vividez, pois lá há muito mais vida do que aqui.

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CRIANÇAS APÓS A MORTE

As crianças permanecem jovens lá? Com o passar do tempo, elas crescem e se aproximam de uma espécie de maturidade sem idade.

Alguns se perguntarão como as reconheceremos.

Na verdade, não reconhecemos as pessoas pela forma de seus rostos.

No mundo da alma, o reconhecimento é tão rápido e pleno que ninguém jamais deixa de encontrar outro.

Se morreram em idade muito tenra, antes que o Ego divino assuma o controle completo, e o Anjo da Guarda tenha entregue os assuntos em suas mãos, geralmente por volta dos seis ou sete anos de idade, elas podem voltar rapidamente, e com frequência retornam aos mesmos pais.

Há vários casos conhecidos disso.

E o que fazemos no mundo psíquico? Muitas coisas.

Não precisamos mais ganhar a vida.

Ninguém pode passar fome ou ser privado de qualquer coisa de que necessite.

Assim, o homem tem a oportunidade, talvez pela primeira vez, de voltar sua atenção para aquilo que sempre o interessou, mas para o qual nunca teve tempo na Terra.

Suponhamos que amemos música ou literatura, especialmente um determinado compositor ou autor.

Nossos pensamentos e interesses nos colocarão em contato com ele do outro lado.

Mulheres que amavam criancinhas e nunca tiveram nenhuma, tornam-se mães adotivas de tropas de crianças felizes.

Pois para todas as pessoas, as crianças são as mais felizes do outro lado, pois esta é a terra onde elas podem realmente "faz de conta". E à noite, suas próprias mães as encontram também, através do portal do sono.

Os médicos não tratam mais de corpos doentes, mas há muitas almas doentes que clamam por sua compaixão e simpatia.

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ESTADOS PSICOLÓGICOS

E quanto aos ensinamentos ortodoxos sobre o céu e o inferno? Existem tais lugares? Não há lugares chamados céu e inferno, mas há estados psicológicos que podem ser assim descritos.

Certamente não existe um inferno eterno.

Essa ideia terrível entrou no cristianismo quando a antiga verdade do retorno cíclico da alma à terra foi perdida, e assim o homem foi forçado à posição ilógica de postular resultados intermináveis a partir de causas fugazes e finitas.

O céu e o inferno podem ser experimentados ainda no corpo.

O homem mau e egoísta está no inferno; o santo, no céu.

A própria derivação das palavras nos dará a pista.

Céu significa expansão ilimitada; inferno significa cortado, isolado, em prisão.

No Antigo Testamento, a palavra hebraica que às vezes é traduzida como inferno é tão frequentemente traduzida como poço ou sepultura.

E no Novo Testamento, a palavra mais frequentemente traduzida como inferno é a palavra grega hades, que meramente significa o invisível, o oculto.

Todos os infernos são psicológicos e são criados por um homem enquanto ele vive, mas nenhum deles é eterno e perpétuo.

Todo o princípio da vida após a morte pode ser colocado desta forma.

Aqui vivemos uma vida objetiva, cercados pelos objetos do plano físico.

Mas interiormente vivemos uma vida subjetiva que realmente significa muito mais para nós, formada de memórias, esperanças, ideais e anseios.

Quanto mais evoluído é um homem, o que equivale a dizer que ele é mais rico em alma, mais maravilhosa, variada e rica se torna essa vida interior.

Após a morte, aquilo que era um mundo subjetivo e obscuro torna-se uma existência muito vívida e objetiva.

Um grande Adepto certa vez expressou isso assim: O homem está constantemente povoando sua corrente no espaço com um mundo próprio, repleto da prole de suas fantasias, desejos, impulsos e paixões.

Esse mundo interior torna-se cada vez mais um mundo exterior após a morte.

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NOSSOS DESEJOS E PENSAMENTOS

Há outra coisa a ser lembrada.

Pelo fato de um homem ter morrido, seu caráter não sofreu subitamente qualquer mudança.

Ele ainda é o mesmo homem, com os mesmos desejos e pensamentos.

Supondo que, enquanto na Terra, eles estivessem em sua maioria fixados em prazeres sensuais, ou em pensamentos de crueldade e vingança, com a perda de seu corpo físico esses sentimentos brilharão com ardor acrescido em sua forma sutil, mas o instrumento através do qual podem ser gratificados terá desaparecido.

Ele será atormentado por seus próprios desejos profanos que não pode gratificar.

Videntes, observando essa condição e usando linguagem alegórica para descrever estados não físicos, podem falar de tal homem como "queimando nas chamas do inferno". Mas, após algum tempo, essas chamas, se permanecerem sem alimento, e o homem não descobrir um médium através do qual possa gratificá-las vicariamente, se extinguirão e o homem encontrará sua consciência abrindo-se para uma região muito mais bela do Universo.

A memória delas, no entanto, persistirá em sua nova vida na Terra, falando-lhe como a voz da consciência.

Jesus chamou esses estados de prisões.

Durante uma vida má, um homem tem tecido ao seu redor, embora não o perceba, uma teia de pensamentos e desejos profanos, e estes o manterão prisioneiro por algum tempo após a morte.

A escritora certa vez viu tal caso ela mesma.

Ela estava na América na época, e era o dia seguinte à execução de uma mulher pelo assassinato de seu marido.

Quando a escritora acordou de manhã, lá estava a mulher diante dela, torcendo as mãos e lamentando: "Por que devo morrer?" Como às vezes acontece após a morte, ela não parecia perceber que estava o que chamamos de morta.

Ao seu redor, construídas por seus próprios processos de pensamento subconscientes, estavam as cenas do assassinato, do julgamento e da execução, e ela as revivia repetidamente.

Sentindo uma pena desesperada dela, a escritora a envolveu em seus braços, mas nada que ela pudesse fazer ou dizer parecia capaz de penetrar a consciência da assassina, que permanecia totalmente alheia a qualquer um além de si mesma.

Então, uma auxiliadora mais experiente foi procurada para vir libertá-la.

O egoísmo intenso tece uma nuvem espessa ao redor de um homem, que o isola por um tempo.

Mas, para a grande maioria de nós, pessoas bondosas e decentes, nenhum destino tal nos aguarda após a morte, apenas libertação e paz.

Os piores dos homens têm algo de belo em si, e essa beleza, por fim, os conduzirá através de um purgatório temporário à felicidade e à paz.

Pois o céu é o derradeiro e final lar de todo filho do homem que é, ainda e sempre, também o Filho do Altíssimo.

A tendência após a morte é toda em direção ao nosso eu mais verdadeiro e divino, e sua morada está no céu.

O homem cujo coração está aberto a toda a vida com amor e compaixão está num céu de felicidade, mesmo enquanto ainda vive aqui.

Tudo aquilo que é belo, verdadeiro e bom, levamos conosco de volta aos nossos eus eternos após a morte, e na luz desse mundo mais puro, as experiências da vida assumem seu verdadeiro significado.

Para alguns, a transição para esse mundo celestial chega de fato muito cedo.

Para todos, ela chega em algum momento, mesmo que apenas por um breve período.

O mundo psíquico é moldado pelo meramente pessoal em nós, bom ou mau.

As glórias do céu se abrem diante de nós quando nos elevamos purificados de nossas concepções demasiado pequenas e demasiado egoístas da vida.

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O REINO DO ESPÍRITO

Aproximamo-nos agora, em pensamento, de um reino do ser tão glorioso, tão pleno de alegria sobre-humana, que só pode ser descrito pela linguagem figurada do simbolismo.

Um grande vidente o descreveu assim: "Um mar de luz viva, cercado por toda variedade concebível de encanto em cor e forma — o todo mudando a cada onda de pensamento que o homem emite de sua mente, e sendo, de fato, como ele logo descobre, apenas a expressão de seu pensamento na matéria do plano.

Não há encanto na terra, no céu ou no mar que não esteja ali com uma plenitude e intensidade além de todo poder de imaginação; mas, de todo esse esplendor de realidade viva, cada homem vê apenas aquilo que tem dentro de si o poder de ver."

Wordsworth diz em sua Laodomia:

"Ele falou de amor, tais amores que os Espíritos sentem em mundos cujo curso é equânime e puro, Sem ouvidos a ferir — sem luta a curar — O passado não lamentado, e o futuro certo; Falou de artes heroicas em tom mais grave Revividas, com harmonia mais refinada perseguidas;

De tudo o que é mais belo — ali imaginado Em beleza mais feliz; correntes mais límpidas, Um éter mais amplo, um ar mais divino, E campos revestidos de brilhos purpúreos; Climas que o sol, que derrama o mais brilhante dia Que a Terra conhece, é indigno de contemplar."

Novamente as Escrituras, no Apocalipse, descrevem a mesma coisa.

"E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor.... E não entrará nela coisa alguma que contamine, nem o que pratique abominação ou mentira."

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PORTais PARA O CÉU

Podemos dizer que esses são os nossos portais para o céu, ou, em outra simbologia, que essas são as nossas sementes que os homens semeiam durante a vida, alguns apenas uma, outros mais de uma, que florescem e amadurecem no ar do céu, e fazem uma maravilhosa compensação por todas as provações e tribulações da vida.

É de fato o tempo de descanso do espírito humano, mas é também um tempo de grande assimilação e crescimento.

1- A semente do amor de amigos e parentes.

Não o amor egoísta, demasiado pessoal, que encontra sua realização no plano físico, mas aquele amor altruísta que deseja acima de tudo o bem e a felicidade dos entes queridos.

Ali o homem se encontra cercado por todos que já amou.

Não faltará nenhum.

Mesmo que alguém ainda esteja vestindo um corpo físico, seu espírito estará ali, e isso é muito mais responsivo e glorioso do que quando tenta brilhar através da máscara de um corpo físico. Naquele mundo, palavras não são necessárias.

O que um homem diria é conhecido e completamente compreendido por seus amigos.

Aqui embaixo, muitas vezes não conseguimos expressar verdadeiramente o que pensamos e sentimos.

Muitas vezes as palavras desviam e são mal compreendidas.

Ali, isso não é possível.

É verdadeiramente o plano da comunhão de espírito, onde todos os que amam são um.

E apenas o mais elevado de cada um está ali, aquilo que nunca pode causar dor ou decepção.

2- A semente do amor a Deus.

Isso denota o temperamento religioso.

Nem todos o possuem. Mas onde é verdadeiramente altruísta e leal, cria um verdadeiro céu para o devoto.

Pois, embora ele provavelmente nunca tenha percebido, através de sua devoção e pensamento constante de um Ideal Divino durante a vida, ele construiu uma forma radiante através da qual, após a morte e até mesmo durante a vida, o Grande Original poderia abençoar, instruir e entrar em comunhão com Seu adorador.

Assim, para os amantes do Buda e de Jesus, Eles estarão com Seus adoradores durante a vida celestial nas próprias formas em que sempre foram imaginados.

O devoto construiu a forma, mas o Espírito do Grande Ser a anima e a utiliza. Houve uma vez um pequeno Capitão do Exército de Salvação que vivia uma vida bastante solitária.

Mas ele nunca se sentia solitário, pois toda a sua alma estava absorvida na contínua adoração ao Senhor Jesus.

Ele, no céu, entrará em contato flamejante com o seu Senhor.

3- A semente do amor ao Homem.

Alguns estão sempre olhando para cima, para o Uno; outros, mais naturalmente, olham para baixo, para a multidão.

É apenas outra maneira de amar o Uno.

O homem que durante a vida se dedicou de todo o coração ao serviço de seus semelhantes descobrirá, após a morte, que entrará em contato com os maiores servos da humanidade, os libertos, as Almas Perfeitas, aqueles que outrora foram homens como nós, mas que há muito deixaram a Escola do Mundo, e ainda assim permanecem próximos dela para que possam ajudar e servir seus irmãos mais jovens.

O resultado será que o homem que ama seus semelhantes retornará à terra com conhecimento mais amplo e maior poder para ajudar.

4- A semente do amor à Verdade e à Beleza.

Isto faz o sábio ou o artista, seja qual for o seu grau de desenvolvimento.

O cientista ou filósofo está realmente buscando a Verdade, as leis inatas do Universo, a Vontade de Deus.

Lá no céu, ele a vê operando numa visão ampla e sem entraves; lá ele aprende a compreender e a adorar.

Quando retorna à terra, trará consigo algo daquela visão celestial, e isso o fará buscá-la uma vez mais aqui.

Mas nunca aqui embaixo verá, em toda a sua plenitude original, aquilo que comove seu coração com uma memória quase inconsciente.

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AS ORDENS ANGÉLICAS

Os companheiros especiais do artista, mesmo durante a vida, embora ele não o soubesse, são os sacerdotes naturais do Belo, os Anjos — ou, como os chama o Oriente, os Devas.

A palavra Devas significa literalmente Os Resplandecentes, nome que John Bunyan também lhes deu.

Eles não são humanos, nem um ser humano se torna anjo.

Cada um pertence a uma linha diferente de evolução.

O Deva não conhece a tristeza, o pecado e a dor.

Talvez o seu caminho seja mais longo por causa disso.

O seu caminho é o caminho da alegria e da paz, e a sua influência característica é de alegria e elevação.

O homem torna-se um homem-deus, um Homem Perfeito, e, como diz Eliphas Levi, "está acima e comanda até mesmo os anjos." Isso não nos lembra o texto em hebraico: "Tu o fizeste um pouco menor que os anjos; coroaste-o de glória e honra."

A presença invisível das hostes devas traz sua atmosfera especial de beleza e alegria.

Por exemplo, para os sensíveis à música, a música de órgão numa igreja, ou a execução de uma grande orquestra, traz consolo, paz e elevação.

O salão ou a igreja está invisivelmente cercado por hostes angelicais que vieram em resposta à música.

Um investigador do invisível encontrou um menino no mundo celestial que, durante a vida terrena, fora corista em uma das grandes Catedrais da Inglaterra.

Ele frequentemente cantava os solos na Catedral, e em frente ao seu assento no coro havia uma janela estreita com uma imagem de Santa Cecília, a santa padroeira da música.

Enquanto cantava domingo após domingo, o vitral de Santa Cecília tornou-se vivo e real para a imaginação do menino, e ele cantava para ela.

Seu pensamento criou sua forma, mas a forma foi animada por um grande anjo da música, chamado no Oriente de Gandharva, ou Cantor Celestial.

Quando essa criança retornar à terra, sua capacidade musical terá sido grandemente aumentada.

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NOSSO CRESCIMENTO VIDA APÓS VIDA

É assim que todos crescemos, vida após vida, seguida de vida após vida — crescemos em capacidade, em poder de amar, em espiritualidade.

Assim, a vida nunca é em vão, por mais difícil que seja. Não poderíamos ficar lá para sempre? Por centenas de anos, como contamos o tempo deste lado, descansaremos nesse estado de bem-aventurança, e então a sede de existência senciente surgirá novamente em nós e nos trará de volta mais uma vez a esta ordem de existência.

Para usar uma símile grosseira: o alimento é o meio de crescimento para nossos corpos físicos.

Não leva muito tempo para comer uma refeição, mas leva várias horas para assimilá-la, e então ela se torna o homem físico.

As experiências da vida são o alimento do crescimento de nossa alma.

Podemos levar três score e dez anos para absorvê-las, mas serão centenas de anos antes que isso se torne realmente parte de nós, e assim, como alma, somos aumentados em poder e compreensão.

Antes de retornarmos à terra, outra visão se abrirá diante de nós, não da vida que estamos deixando, mas daquela que estamos prestes a entrar.

Isso é melhor vislumbrado pelos espiritualmente maduros, e trazemos através, como ideias inatas, algo de sua memória para um novo cérebro quando bebemos das "águas do Letes". Assim, Sir Francis Bacon escreveu que desde a juventude precoce sentiu-se chamado a ser de serviço à humanidade.

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VERDADES ETERNAS

O gênio se mostra cedo na vida. Assim também o gênio espiritual.

Cada um de nós é um herói, santo ou sábio em potencial, conforme sua inclinação fundamental para o pensamento, a emoção ou a atividade.

Nunca voltamos sozinhos.

Conosco virão amigos e entes queridos de vidas anteriores.

Uma e outra vez os encontraremos, nem sempre sob a mesma aparência, pois todo o mundo é um palco, e cada homem em seu tempo representa muitos papéis.

Mas não podemos deixar de encontrá-los, e a cada vez aprender a amá-los ainda mais.

Talvez não haja nada mais a aprender na vida, senão como amar verdadeiramente.

Há duas verdades eternas, e são estas: tudo aquilo em que um homem pensa, com isso ele entra imediatamente em contato, seja um amigo vivo ou assim chamado morto, seja um ideal de algo infinitamente além dele; e tudo o que um homem ama, ele nunca, nunca pode perder, pois o amor é eterno e jamais pode ser negado.

Talvez a aparente perda ou o afastamento possam nos ensinar a amar de forma mais altruísta.

A Dra. Annie Besant disse certa vez: "Quando você puder ser igualmente feliz quando a pessoa que mais ama não estiver presente, você terá aprendido a amar."

Não falemos de nossos entes queridos como estando no túmulo.

Nada está ali senão a vestimenta gasta do homem.

Podemos guardá-la com carinho, como uma mãe guarda os sapatinhos que uma criança usou, mas isso já não lhe diz respeito.

Ele vive uma vida mais ampla e feliz, livre de todos os males e limitações do corpo.

Chamaríamos de volta a um corpo sofredor e doente, ou às provações e ansiedades da vida? Nunca temais a morte.

Ela é, como os latinos a denominaram, o portal da vida.

Todos devem morrer, pois é a amorosa vontade do Criador, que concede alívio da dor e descanso para assimilar o crescimento.

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PENSAMENTOS DE CONFORTO E ALEGRIA

Por mais que sintamos a perda de um ente querido, procuremos não nos entregar excessivamente ao luto, pois pensamentos de tristeza podem alcançá-lo e causar-lhe dor.

Não o desejemos de volta com demasiado ardor.

Se soubéssemos em que mundo muito mais feliz ele agora habita! E ele não está longe de nós. Não apenas pode sentir nossos pensamentos amorosos e preces, mas, por um tempo, não está fora do alcance do contato pessoal conosco quando deixamos temporariamente nossos corpos no sono, encontrando-nos, portanto, em condição semelhante à dele.

Deixemo-lo passar pacificamente ao seu descanso e bem-aventurança.

Em breve o seguiremos, e ele estará entre os primeiros a nos receber quando chegar a nossa vez de partir da vida terrena.

Procuremos sempre lembrar de seu maior ganho, e enviemos-lhe sempre nosso mais querido amor e preces.

Eles lhe trarão conforto e alegria adicionais.

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OS MUNDOS INVISÍVEIS

Talvez, em conclusão, alguns dirão: "Como é verdadeiro, como é consolador isto! Mas será que alguém realmente sabe?" No espaço desta breve apresentação não é possível responder plenamente.

Mas pode-se dizer que o poder de ver e ouvir os mundos invisíveis que nos cercam é apenas uma extensão dos sentidos que normalmente empregamos, e está latente em cada um de nós. Tudo aquilo a que nossos sentidos respondem pode ser descrito como ondas rítmicas na matéria.

O som causa ondas no ar, e nossos ouvidos as captam.

Ondas semelhantes, muito mais rápidas e sutis, movendo-se através do éter, não do ar, são captadas por nossos olhos, e vemos.

Os raios X estão além da visibilidade humana, contudo a placa fotográfica sensível pode registrá-los.

Algumas pessoas, seja através das experiências de vidas passadas, seja por hereditariedade, nascem com uma resposta incomumente sensível às vibrações mais sutis da natureza.

Nós as chamamos de clarividentes ou clariaudientes.

Quando esses poderes, que estão latentes em todos nós, são plenamente desenvolvidos e postos em funcionamento, o que ocorre no caso de um Yogi ou Ocultista plenamente desenvolvido, todo o conjunto dos mundos mais sutis e radiantes que permeiam e cercam este mundo se abrirá ao olhar iluminado do vidente.

Tal vidência treinada é responsável pelas verdades enumeradas acima, mas não deve ser confundida com a vidência esporádica de raças não desenvolvidas, e é rara e difícil de alcançar.

Contudo, no fim, todos a possuirão, e quando esse dia chegar o homem não mais esperará que tem uma alma e que viverá após a morte, mas saberá que a tem, e seus amigos estarão sempre com ele, vivos ou mortos.

Como lemos em Coríntios: "O último inimigo que será destruído é a morte." O que o vidente sabe, o coração do homem amoroso sempre soube intuitivamente.

Os chineses chamam o morto de "hóspede do céu". Ah! que hóspede feliz é ele. Lembremo-nos das palavras imortais do poeta Shelley, em um poema ao seu maior amigo que havia partido:

"Paz! Paz! Ele não está morto, ele não dorme, Ele despertou do sonho da vida."

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O Mistério da Vida e Como a Teosofia o Desvenda por Clara M. Codd

O Mistério da Vida e Como a Teosofia o Desvenda

por Clara M. Codd

Publicado nos anos 1900

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ÍNDICE

PODEMOS CONHECER A VERDADE? OS MESTRES DA ARTE E CIÊNCIA DE VIVER O PRIMEIRO GRANDE PRINCÍPIO: A UNIDADE E DIVINDADE DA VIDA CORPO, ALMA E ESPÍRITO O MUNDO DO PENSAMENTO DA ALMA O PODER DO PENSAMENTO A ALMA CONSTRÓI A VIDA APÓS A MORTE O LADO ESPIRITUAL DO HOMEM O SEGUNDO GRANDE PRINCÍPIO: A FRATERNIDADE HUMANA MUITAS VIDAS NA TERRA OU UMA SÓ VIDA? A VIDA EVOLUI EM CICLOS A EVOLUÇÃO DO GÊNIO OS "MANDAMENTOS DE DEUS" AS LEIS DA NATUREZA A LEI NO MUNDO INTERIOR ASSIM COMO NO MUNDO EXTERIOR AS NAÇÕES SÃO DIFERENTES "CLASSES" NA ESCOLA DA VIDA COMO CHEGAMOS A UMA CERTA FAMÍLIA COMO O DESTINO É TECIDO NO TEAR DA VIDA O FIO DO PENSAMENTO O SEM-FIO DO PENSAMENTO O QUE NOSSO PENSAR FAZ A NÓS MESMOS RE-CRIANDO O CARÁTER O QUE NOSSO PENSAR FAZ AOS OUTROS O FIO DO DESEJO O FIO DA AÇÃO O TERCEIRO GRANDE PRINCÍPIO: A LEI DA DINÂMICA ESPIRITUAL COMO NOS LEMBRAMOS DE VIDAS PASSADAS A VIDA APÓS A MORTE CÉU E INFERNO ENTES QUERIDOS QUE PARTIRAM O FUTURO QUE NOS AGUARDA

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PODEMOS CONHECER A VERDADE?

HÁ certas perguntas que sempre fazemos a nós mesmos.

Queremos saber quem somos, e por que estamos aqui, e se há algum objetivo para a vida, e se há algum desígnio por trás do maravilhoso universo.

Religião, ciência e filosofia se esforçam para responder a essas perguntas, e frequentemente as respostas parecem incompletas e insatisfatórias.

No entanto, intuímos que há uma resposta, e que essa resposta deve estar completamente em harmonia com a ordem natural das coisas.

Há fatos mais profundos sobre a vida que, se os conhecêssemos, nos fariam compreender melhor a vida, e, se assim for, quem os conhece, e onde estão eles?

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OS MESTRES DA ARTE E CIÊNCIA DE VIVER

Há vastas e imutáveis leis que regem o progresso da vida.

Esta é a sua ciência.

A maioria de nós somos meras crianças na grande escola da vida e estamos aprendendo pela experiência algo dessas grandes leis.

Mas deve haver aqueles que as conhecem profundamente e, portanto, compartilham do seu poder.

William James, o psicólogo, disse certa vez que todos os grandes pensadores pressupõem que deve haver, por trás de cada forma diferente de conhecimento humano, um Conhecimento Raiz.

O que seria esse Conhecimento Raiz? Certamente a grande Arte e Ciência da própria Vida.

Ocultismo, sobre o qual ouvimos falar tanto nestes dias, foi definido por um grande ocultista como: "A Ciência da Vida e a Arte de Viver".

Assim como na ciência da matemática, onde há crianças aprendendo que dois e dois são quatro e os grandes professores da Ciência, como Albert Einstein, por exemplo, assim também na grande Escola da Vida há os estudiosos de vários graus de crescimento e realização, e também os grandes Professores dessa Ciência de todas as ciências e dessa bela Arte de todas as artes.

Por inúmeras eras na história deste planeta, grandes mentes, sábios e adeptos acumularam esse conhecimento mais profundo e o transmitiram de geração em geração; e agora, nestes dias modernos, eles levantaram um pequeno canto do véu que oculta esse conhecimento tremendo e nos deram, através de seus pupilos, um esboço dos princípios universais que governam toda a vida.

O que são esses princípios e como eles iluminam a vida para nós, agora tentaremos descrever.

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O PRIMEIRO GRANDE PRINCÍPIO: A UNIDADE E DIVINDADE DA VIDA

Um grande pensador disse uma vez que as Regras do Universo eram tão poucas, continuamente repetidas em escala maior ou menor, que, vendo uma em operação, poder-se-ia inferir a mesma em outra escala.

E H.G. Wells escreveu que os fundamentos de toda religião são os mesmos, e tão poucos, que se poderia "escrevê-los num cartão-postal". Poderíamos escrevê-los assim em três ditos de Jesus.

E o primeiro seria quando Ele disse: "Um é vosso Pai". Pois então Ele proclamou o que todo grande Mestre tem dito: que a Raça Humana é Divina em origem e, em algum lugar, participa da Vida Universal que chamamos de Deus.

Sim, todo "filho do homem", por mais abandonado e degradado que seja, é sempre e por todo o tempo também o "filho do Altíssimo", e nada pode tirar dele esse direito de nascimento.

Como é ele um filho do Altíssimo? Pois exteriormente, com muitos de nós, parece não haver sinal de tal herança.

Aqui temos de tentar compreender-nos melhor.

Nós apenas vemos este corpo físico externo, e sabemos que há processos subjetivos sempre em andamento, chamados sentimento e pensamento.

Onde pensamos e sentimos, e através de que meio eles se movem, já que com a morte do corpo parecem desaparecer, embora intuitivamente sintamos que não cessaram de expressar o homem em algum lugar?

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CORPO, ALMA E ESPÍRITO

O homem é um ser tríplice que se expressa em três diferentes esferas de matéria simultaneamente.

A Bíblia fala de termos um corpo, uma alma e um espírito.

Algumas pessoas confundem os dois últimos termos, mas no grego original são palavras bem diferentes.

A palavra "corpo" vem do anglo-saxão "bodig", que significa morada.

Dela derivamos a palavra "habitação". "Aqui não temos cidade permanente", ou esta "túnica de pele", estas vestes de trabalho do corpo estão mudando o tempo todo, e um dia as deixaremos de lado.

Enquanto a temos, por meio dela somos postos em contato, através de seus cinco sentidos, com o mundo ao redor tal como o conhecemos agora, com sua miríade de experiências e eventos.

Mas os grandes poderes de pensamento e sentimento que nos tornam verdadeiramente humanos não se originam no cérebro.

O cérebro e os nervos são como as teclas de um piano para o músico.

Ele toca sobre eles, e se estão em boas condições, servem-no bem.

Quando o intérprete se vai, o piano não pode mais soar.

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O MUNDO DO PENSAMENTO DA ALMA

Onde está ele então? Ele agora trabalha através de um meio mais sutil, e em um mundo mais sutil.

Este mundo e instrumento de expressão não está muito longe.

Está bem próximo, está ao nosso redor. Você já imaginou como sua alma se parece? Ela não está presa a você em algum lugar.

A palavra "alma" é a tradução da palavra grega "Psyche", da qual derivamos as palavras psíquico e psicologia.

A pesquisa psíquica nos diz que nossas almas têm uma base material, mas a matéria da qual são compostas não é matéria física.

Interpenetrando os átomos e moléculas deste mundo, há uma ordem de matéria mais sutil e de vibração mais rápida.

Nós a chamaremos de psíquica, e ela permeia todo o universo físico como a água permeia uma esponja em uma banheira.

Nossos eus-alma, sendo compostos dessa matéria psíquica, interpenetram e envolvem este corpo físico mais denso, retirando-se dele na morte, e então levando a consciência consigo.

No corpo psíquico, cada pensamento e cada sentimento são poderes radiantes e vibratórios, que vibram através de nossas almas e afetam a atmosfera circundante, criando finalmente ao nosso redor uma expressão psíquica de nossos ideais e desejos, que tende a afetar nossa consciência, e também a afetar outras pessoas e o mundo ao nosso redor.

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O PODER DO PENSAMENTO

Nos dias de hoje, todos sabemos, mais ou menos, que o pensamento é um poder poderoso.

A "transmissão sem fios do pensamento" em breve será plenamente reconhecida e compreendida.

Nesse mundo, tudo aquilo em que pensamos, com isso estamos realmente em contato imediatamente.

Um "rapport" é estabelecido entre nós mesmos e o objeto dos nossos pensamentos.

Assim, se é um amigo em quem pensamos, estamos com ele.

Nosso pensamento amoroso o alcançou instantaneamente.

Isso também é verdade quando ele já partiu do corpo.

Ele nunca está fora do alcance dos nossos pensamentos amorosos.

Quando o pensamento se eleva em aspiração, também toca o grande ideal e traz de volta uma resposta imediata.

Tudo aquilo em que um homem pensa, com isso está imediatamente em contato, e tudo o que ele verdadeiramente ama, ele nunca pode realmente perder.

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A ALMA CONSTRÓI A VIDA APÓS A MORTE

Este sutil mundo circundante está repleto de radiantes criações do pensamento, em grande parte feitas pelos pensamentos de miríades de homens.

Ali, após a morte, vivemos por longos períodos de tempo, assimilando as lições da vida e desfrutando de um longo descanso das batalhas da vida.

E o resultado da vida ali é que voltamos novamente após muito tempo, não apenas revigorados e mais fortes, mas crescidos em caráter e capacidade pela assimilação das experiências da vida que acabamos de deixar.

E ali reencontramos todos aqueles que amamos e conhecemos na Terra.

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O LADO ESPIRITUAL DO HOMEM

Mas o que é o Espírito? Esse é o terceiro, o imortal, ator no homem. Esse permanece, aconteça o que acontecer aos outros. Ele tem um estado de consciência tão profundo e verdadeiro que a maioria dos homens nunca percebe que o possui ou que ele sequer existe. Mas um dia, à medida que o crescimento interior prossegue, eles gradualmente se tornarão conscientes desse eu divino.

Ele não pode "registrar" o mal.

Ele é sempre puro e resplandecente.

E, no entanto, ele cresce pelo melhor e mais puro das nossas experiências aqui.

Ele é para sempre parte da Vida eterna do universo, e tão além do nosso atual entendimento e imaginação que só pode ser indicado pela linguagem da poesia.

Jesus disse aos Seus ouvintes que eles eram "deuses" e cada um deles "filhos do Altíssimo". E São Paulo o expressa muito belamente quando fala de "o homem oculto do coração, naquilo que não é corruptível". Esse é "o Cristo em vós, a esperança da glória", que um dia salvará todo homem da ignorância e do pecado, pois o pecado é apenas ignorância e cegueira da alma.

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O SEGUNDO GRANDE PRINCÍPIO: A FRATERNIDADE DA HUMANIDADE

O Segundo Grande Princípio é um corolário necessário do Primeiro.

Se espiritualmente todos os homens compartilham a mesma Vida universal, vêm do mesmo Pai, percorrem a mesma jornada rumo ao mesmo Objetivo final, então a Fraternidade da Humanidade é um dos grandes atos da Natureza.

Ela se assenta na Divindade oculta do Homem.

E não há ninguém fora dessa Fraternidade, por mais ignorante, mau ou selvagem que possa ser. Eis uma questão que tem intrigado muitas pessoas.

Por que alguns homens nascem ignorantes e selvagens, e outros sábios, puros e verdadeiros? Vemos pessoas nascerem idiotas, aleijadas ou criminosas.

E outras nascerem gênios, santos e heróis.

Por que essas diferenças se a grande Força da Vida é amorosa e justa?

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MUITAS VIDAS NA TERRA OU UMA SÓ?

Nunca encontraremos a resposta se pensarmos que vivemos aqui apenas uma vez na longa peregrinação da alma.

Uma vez, ou muitas vezes, temos vivido aqui.

Qual teoria cobre melhor os fatos da vida? Grande parte do mundo sempre acreditou que voltamos a viver aqui novamente. Mas aqui no Ocidente, embora as coisas estejam mudando rapidamente, fomos ensinados que temos apenas uma vida na terra, e que depois dela iremos ou para a bem-aventurança eterna ou para a tortura eterna.

Como essa ideia é ilógica! Não podemos ter a eternidade apenas numa das extremidades do bastão.

Se agora vamos viver para sempre, devemos já ter vivido para sempre.

É claro que este corpo não viverá para sempre, e quem desejaria que vivesse? Não podemos imaginar que, gradualmente, obteremos um corpo muito melhor, mais sensível, mais resiliente, mais belo? À medida que a evolução avança, entraremos em corpos cada vez melhores, mais aptos a expressar os poderes que se desdobram em nós como almas.

Assim, no conjunto, ao longo de vastos períodos de tempo, a humanidade lutará para ascender das trevas da ignorância e da dor até a luz do conhecimento e da alegria.

Uma única vida não explica como começamos tão desigualmente equipados.

Por que um homem tem tudo a seu favor, e outro tão pouco que às vezes dizemos desse homem: "Pobre coitado, ele nunca teve uma chance desde o começo". A verdade é que na grande família da humanidade, assim como nas unidades menores a que todos pertencemos, ninguém tem a mesma idade de alma.

Não seria um mundo muito monótono se o fôssemos? Alguns viveram aqui muitas mais vezes na Escola da Vida do que outros, e por isso têm mais "dentro de si", mais percepção, sabedoria, autocontrole, capacidade.

O homem ignorante, estúpido ou mau é uma alma mais jovem na grande família humana.

As experiências da vida, muitas vezes amargas e trágicas, lhe ensinarão as grandes leis da vida e desenvolverão suas capacidades latentes.

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A VIDA EVOLUI EM CICLOS

Isso ocorre por meio de vidas repetidas na terra.

Aqui novamente podemos argumentar por analogia.

Todos acreditamos no progresso e, sem pensar, imaginamos o progresso como avanço ao longo de uma estrada reta.

Mas não há linhas retas no universo. O progresso ocorre em grandes ciclos ou ondas.

Tomemos o pequeno ciclo de um dia.

Ele tem sua manhã, seu meio-dia e sua tarde tranquila.

Então, após uma noite de descanso, a vida recomeça de onde a deixamos na noite anterior.

O ano segue um ciclo maior: primavera, verão, inverno e, então, primavera novamente.

Não deve ser igualmente verdadeiro quanto ao ciclo da vida de um homem? Juventude, maturidade, velhice e, então — após um longo descanso — juventude novamente, retomando os fios da vida exatamente onde os deixamos na vida anterior.

Tantas vezes, quando nos aproximamos do fim da vida, olhamos para trás e nos perguntamos por que não realizamos mais aqui.

Tais ideais tínhamos, e agora onde estão? Talvez estejamos olhando na direção errada.

Não viemos aqui para fazer fortuna, subir na árvore social ou nos tornar famosos.

Tais coisas são os "tesouros da terra" que não podem perdurar.

Os "tesouros no céu" pertencem à alma em crescimento e desenvolvimento, como o crescimento em caráter e capacidade, sabedoria e compreensão, e pela formação com outras almas de laços que jamais podem se romper.

Se no fim da vida pudermos ver algum ganho aqui, então de fato não vivemos em vão.

De que valem as experiências da vida se não para nos ensinar algo, para desenvolver poder e sabedoria latentes? Um grande filósofo francês disse certa vez: "Se a juventude soubesse; e se a idade pudesse!" Do ponto de vista da realidade, quando voltarmos à juventude novamente, seremos capazes de colocar em prática o que aprendemos com as experiências e esforços da vida agora.

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A EVOLUÇÃO DO GÊNIO

É assim que o gênio e o caráter evoluem.

Eles não são os "dons" de alguma Divindade arbitrária.

Representam o estágio do crescimento de nossa alma, e os triunfos e derrotas de outras vidas.

Não precisamos sair da vida muito pouco mais inteligentes ou sábios do que entramos. Tudo depende de nós mesmos. Podemos aproveitar ao máximo nossas capacidades e oportunidades, ou podemos negligenciá-las.

Como o homem da alegoria bíblica que tinha apenas um pequeno talento, podemos enterrar nossas pequenas oportunidades ou poderes, e talvez nunca os notar.

Então podemos ter certeza de que outros maiores nunca virão.

Assim como um homem estuda e pratica uma arte ou um ofício dia após dia, ano após ano, e o poder ou a capacidade cresce continuamente; assim, vida após vida, os homens acrescentam ao seu poder e um dia nascem como heróis, santos ou gênios.

Talvez você diga que a lei da hereditariedade explica tudo isso.

Mas ela deixa tanto inexplicado quanto explica.

Ela não diz por que um gênio não transmite seus poderes supremos a seus filhos, nem por que uma "ovelha negra" aparece nas fileiras de uma família respeitável, ou um gênio surge do solo de circunstâncias limitadas e sórdidas.

O que herdamos de nossos pais e mães é simplesmente o tipo de corpo e sistema nervoso que expressará mais prontamente, ou de outra forma, certas características da alma, ou psíquicas.

Eles nos dão um piano bom ou ruim para tocar, mas a habilidade de usá-lo vem de nós mesmos.

É aí que somos nossos próprios ancestrais.

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OS "MANDAMENTOS DE DEUS" E AS LEIS DA NATUREZA

Agora, como entramos em uma certa família, nas fileiras de uma certa nação, com certas características e habilidades? É acaso ou é lei? Se há uma coisa que é certa, é que este é um universo de lei.

Estritamente falando, não existe tal coisa como acaso.

Podemos não ser capazes de ver quais são todas essas leis ou como elas funcionam, mas podemos ter certeza de que elas estão sempre lá.

Pessoas religiosas falam dos "Mandamentos de Deus", e fomos ensinados que eles foram entregues a Moisés no topo de uma montanha. Mas os verdadeiros Mandamentos de Deus são as Leis da Natureza.

Com um magnífico desprezo por nós mesmos como personalidades, as Leis da Natureza agem de acordo com sua natureza, segura e inevitavelmente.

Então podemos dizer, nas palavras poéticas da Escritura, que "não há variação, nem sombra de mudança". Eles são "os mesmos, ontem, hoje e para sempre". Pois Deus não muda de opinião, e como um grande ocultista disse uma vez: "As Leis da Natureza são a impressão da Mente Divina sobre a matéria". Sir James Jeans nos diz que a ciência agora está certa de que há uma "Mente-Mestra" por trás do universo, e que, até onde podem ver, essa Mente-Mestra é um matemático maravilhoso.

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LEI NO MUNDO INTERIOR ASSIM COMO NO MUNDO EXTERIOR

Agora estamos razoavelmente familiarizados com a ideia de lei natural no mundo físico.

A popularização da ciência tornou a maioria de nós "conscientes da lei". Não pensamos mais que os acontecimentos naturais se devam a uma Divindade pessoal que interfere ou se vinga.

Quando eu era criança, morávamos perto de uma fazenda cujo fazendeiro era um homem de linguagem muito chula.

Um dia, quando ele foi gravemente ferido por um touro, ouvi minha babá dizendo à nossa cozinheira: "Logo antes de o touro pegá-lo, ele estava praguejando terrivelmente.

É um castigo para ele!"

É apenas um pequeno passo para perceber que a lei também reina nos reinos psicológico e espiritual.

Se colocarmos as mãos num ferro quente, ele nos queimará, pois é da sua natureza assim o fazer. Não adianta dizer: "Eu não sabia que estava lá, então não deveria ter me queimado." É nosso dever saber ou descobrir.

Da mesma forma, existem leis do sentimento, do desejo e do pensamento, que funcionam infalivelmente.

É nosso dever estudá-las e obedecê-las.

Por exemplo, se obedecermos às leis físicas da saúde, colheremos vitalidade e saúde; se as desobedecermos, doença e morte.

Assim, se obedecermos às leis dos mundos espiritual e psicológico do nosso ser, colheremos felicidade e poder, mas se as desobedecermos, miséria e limitações.

Deus não nos torna infelizes.

Nós nos tornamos assim por nossa ignorância e egoísmo.

Não é surpreendente que muitos de nós sejamos ignorantes e egoístas, pois, espiritualmente falando, ainda não somos muito "crescidos", e as reações da Natureza aos nossos atos e motivos egoístas, que nos trazem dor e decepção, estão lenta mas seguramente nos ensinando caminhos mais amplos e puros.

Vejamos como tudo isso acontece.

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NAÇÕES SÃO "CLASSES" DIFERENTES NA ESCOLA DA VIDA

Como foi dito antes, todos estamos em diferentes níveis de crescimento da alma.

Se isto fosse universalmente compreendido, teríamos uma visão muito diferente dos problemas nacionais e internacionais.

Dentro das fileiras de uma nação, não esperaríamos de homens ignorantes ou de raças inferiores o mesmo autocontrole e compreensão que poderíamos legitimamente exigir de uma população mais educada.

Também perceberíamos que, quando voltamos à vida, nem sempre podemos retornar às fileiras da mesma nação.

As nações têm seus períodos de vida e desaparecem, assim como os indivíduos. Civilizações outrora poderosas existiram no Egito, na Caldeia, na Grécia e em Roma.

Elas se foram, mas nós ainda estamos aqui, nós que vivemos através dessas civilizações e aprendemos algumas de suas lições.

Quão estúpido é, então, ser excessivamente nacionalista! Cada nação tem seu lugar, seu gênio peculiar e sua cultura, e suprimi-la ou explorá-la é empobrecer o mundo inteiro.

Enquanto estamos nas fileiras de uma certa nação, somos tremendamente influenciados por sua visão nacional e sua cultura.

Um lado nosso está sendo especialmente desenvolvido.

Quão unilaterais nos tornaríamos se outros lados não fossem desenvolvidos ao encarnarmos nas fileiras de outro tipo de nação.

Maiores do que os interesses particulares de qualquer nação são os interesses supremos da humanidade como um todo.

E a compreensão, a cooperação, o respeito mútuo e a bondade poderiam fazer mais por este triste planeta do que toda a cobiça egoísta por ganho ou toda a ânsia por dominação nacional no mundo.

A maioria de nós encarna nas fileiras de muitas nações diferentes, para "arredondar" nossa evolução.

Às vezes, um grande patriota nasce nas fileiras da mesma nação muitas vezes, porque ele criou tais vínculos "cármicos" de amor e serviço com aquela nação que ela o chama de volta.

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COMO CHEGAMOS A UMA CERTA FAMÍLIA

Quando uma criança nasce, as pessoas falam do "pequeno estranho" que chegou.

Mas, na verdade, nunca é um pequeno estranho.

Laços de amor do passado têm atraído aquela alma à encarnação com você.

Um velho amigo voltou aos seus cuidados enquanto seu novo corpo está fraco e subdesenvolvido.

É uma confiança para você, um belo impulso.

Você não o fez; ele não lhe pertence.

Ele pertence a Deus e a si mesmo.

Muito ocasionalmente, o polo magnético oposto ao amor — o ódio — forma uma relação familiar, mas isso é muito raro.

Nem sempre estamos na mesma relação uns com os outros; do contrário, como cresceríamos em experiência? O amor dos pais por seus filhos, dos amigos ou dos amantes, são todas maneiras diferentes de amar.

Mas você já não viu um grande amor entre duas pessoas que participa de algo de todas as formas de amar? Os casamentos "feitos no céu" são frequentemente o encontro daqueles que já foram felizes no casamento antes.

Às vezes nos casamos por uma atração puramente superficial e nos encontramos casados com um estranho.

Então, suponho, devemos conhecer o estranho.

Há uma coisa que é certa.

O amor governa o universo, apesar de todas as aparências em contrário, e tudo o que um homem realmente ama ele nunca pode perder.

Estará com ele no mundo do pós-morte, e com ele novamente em vidas sucessivas na terra.

O amor nunca conheceu a derrota!

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COMO O DESTINO É TECIDO NO TEAR DA VIDA

Mas como viemos a viver novamente com um certo caráter, certas capacidades, certos arredores com todos os seus eventos inesperados? A Lei reina aqui, e podemos descobrir como ela funciona? Olhemos para a vida como um todo, e percebamos que cada parte individual está intimamente conectada com e afetando todas as outras, bem como sendo afetada por sua vez.

"Nenhum homem vive ou morre somente para si mesmo". O destino da humanidade em geral é como um tapete sendo tecido em um tear.

Por baixo, não se pode ver que padrão está surgindo.

Mas talvez se estivéssemos na posição dos "deuses" veríamos do alto o padrão que começava a se mostrar.

A imagem é tecida de fios, fios vivos que são as almas eternas dos homens.

E porque o homem é um ser tríplice, com a atividade tríplice de pensamento, sentimento e ação, cada um dos quais está correlacionado a um plano mais sutil e interpenetrante de matéria onde se expressa em cor e forma, se pudéssemos vê-lo com olhos mais sutis, ele está o tempo todo enviando energia em três planos de matéria simultaneamente.

Agora, nenhuma energia pode ser gasta sem produzir seu resultado apropriado.

Somos realmente centros ilimitados de energia ou poder, e sempre que pensamos, sentimos ou agimos, enviamos essas forças, e o universo responde de acordo com suas leis imutáveis.

Nunca cessamos de enviar essas forças, embora geralmente não paremos para observar que estamos fazendo isso, porque não podemos deixar de pensar, sentir e agir a cada momento de nossas vidas.

Percebemos até certo ponto que nossas ações trazem resultados, pois muitas vezes podemos ver que o fazem. Mas não ocorre a muitas pessoas que isso é igualmente verdadeiro para aquelas energias subjetivas chamadas desejo e pensamento.

São energias enviadas ao universo, e algum dia, em algum lugar, o universo responderá de acordo com suas leis.

Assim, as energias do homem são como um fio de lã de três cabos.

Três fios estão inextricavelmente entrelaçados em sua vida, reagindo uns sobre os outros: os fios do pensamento, do desejo e da ação, e todos juntos tecem seu destino futuro, trazendo-lhe, a seus amigos e parentes, oportunidades na vida, caráter e habilidade.

Para vermos isso mais claramente, desembaraçemos agora os três fios e examinemo-los separadamente.

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O FIO DO PENSAMENTO

Começaremos com o mais profundo, o mais fundamental de todos: o do pensamento e do pensar.

A própria palavra "homem", em sua derivação sânscrita, significa "o pensador". O homem é composto de pensamento.

O que ele pensa e deseja em seu eu subconsciente, que é apenas um nome moderno para sua "alma", faz dele o que ele é em qualquer momento.

Este é o significado do ditado bíblico: "Como o homem pensa em seu coração, assim ele é". As Escrituras indianas o colocam de forma um tanto diferente: "O que o homem pensa nesta vida, nisso ele se torna depois". Aqui reside a força formativa de todo idealismo.

Muitas pessoas consideram os ideais como imaginários e não reais.

Mas eles são reais.

O que se vê no "olho da mente" são formas-pensamento construídas por anseios e aspirações na matéria plástica do mundo mental circundante, e desempenham um papel muito dinâmico na modelagem de nós mesmos e de nosso futuro.

Algum homem já teve realmente sucesso em qualquer empreendimento, por menor que fosse, se ao iniciá-lo imaginasse que nunca seria capaz de realizá-lo? Assim, ideais, aspirações, anseios altruístas mostram-nos com uma espécie de clarividência divina o que estamos destinados a ser um dia no futuro.

Olhando rio abaixo do tempo, vemos imagens chamadas memórias.

Mas quando olhamos rio acima, vemos não o que fomos, mas o que seremos: a imagem do anseio do homem e da intenção de Deus, pois todo ideal verdadeiro é inerente ao sonhador.

Ele expressa sua natureza fundamental, que é única em cada um de nós. Mesmo um floco de neve não é exatamente igual a outro floco de neve; e não há duas almas iguais.

Cada uma tem seu passado peculiar e seu próprio futuro único.

De fato, há uma "palavra de Deus" que não pode ser pronunciada até que cada um de nós, por sua vez, cresça em direção à Luz.

Ela só pode ser dita através de nós.

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O SEM-FIO DO PENSAMENTO

É bom considerar este ato de pensamento e seu poder, ou podemos remodelar nossas próprias vidas e ajudar outras pessoas por meio dele. Será que originamos o pensamento no cérebro? Certamente não.

Do contrário, o pensamento cessaria com a morte do corpo.

Não, o pensamento começa primeiramente no "corpo psíquico" ou alma, onde é um poder vívido e criativo.

Cada tipo de pensamento significa um certo tipo de onda de pensamento gerada ali, e isso, por sua vez, instantaneamente estabelece uma vibração síncrona nas células cerebrais. Ora, o que esse pensar nos faz, já que afeta não apenas a nós mesmos, mas também aos outros?

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O QUE NOSSO PENSAR FAZ A NÓS MESMOS

Primeiro, a nós mesmos.

Todo poder vibratório está associado a alguma forma de matéria, física ou não.

O pensamento viaja através da matéria mental.

Quem pode dizer onde termina a influência de um pensamento? E não podemos mantê-lo apenas para nós.

Não adianta dizer: "Não vou lhe contar o que estou pensando; meus pensamentos são só meus", pois a influência invisível deles está irradiando de cada um de nós o tempo todo.

Não captamos estados de espírito uns dos outros, e quando muitas pessoas são levadas a pensar numa mesma direção, cria-se o que se chama de psicologia de massa ou sugestão.

Pense em como um orador fervoroso nos arrebata, ou como uma multidão linchadora comete atos dos quais se envergonha depois.

Ora, nosso eu mental adquire hábitos tanto quanto o nosso eu físico.

Quando uma corrente de pensamento se torna habitual e fixa, constitui um traço de caráter.

Traços e tendências firmemente fixados compõem um caráter, e isso significa um destino.

Pois o caráter importa mais na vida do que até mesmo o ambiente ou as capacidades.

Você já não viu um homem de caráter superar um ambiente desfavorável, e um homem de grandes capacidades nada realizar por falta de caráter? Mas o caráter não é um dom arbitrário do Todo-Poderoso.

Nós o evoluímos da mesma forma como evoluímos nossas habilidades, pela ação no passado.

O caráter cresce pelo enfrentamento corajoso e honesto da vida.

Se nos esquivamos das lições da vida, deixando decisões e responsabilidades para os outros, não devemos nos surpreender se não desenvolvermos um "caráter forte". Às vezes, um caráter forte é intolerante e cruel.

Então a vida ensina a tal alma a misericórdia e a compaixão pelo misterioso caminho da dor.

Uma alma é como uma flor.

Ela precisa tanto da luz do sol quanto da chuva.

A luz do sol da felicidade humana a faz expandir-se e desabrochar suas potencialidades; a chuva de lágrimas deve purificá-la, torná-la altruísta, compreensiva e compassiva.

Que tipo de pessoa seríamos se nunca sofréssemos tristeza ou decepção, mas, como uma criança mimada, tivéssemos tudo o que desejássemos sem nenhum esforço? A Vida está empenhada em forjar homens, não crianças ou autômatos.

Tennyson escreveu algumas palavras maravilhosas.

"A Vida não é como minério ocioso,     Mas ferro cavado da escuridão central,     E aquecido ao rubro com lágrimas ardentes.

E mergulhado em banhos de lágrimas sibilantes,     E estilhaçado pelos choques do destino,     Para ser moldado e utilizado."

Para moldar e evoluir o futuro ser divino de paz, felicidade e poder.

Pois o fim da dor só pode ocorrer com o fim da ignorância, e do egoísmo, que é a maior ignorância de todas.

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RE-CRIANDO O CARÁTER

Podemos alterar nossos caracteres? Certamente, se agirmos com imaginação e determinação.

Lembre-se de que aquilo em que você se detém em pensamento, nisso você lentamente se torna.

Portanto, detenha-se em pensamento, às vezes, em ideias e feitos belos, verdadeiros, heroicos e nobres.

Se quiser, um dia faça um balanço do seu caráter e veja onde estão suas principais deficiências.

Lembre-se de que todos são imperfeitos, ou não estariam ainda aqui na Escola da Vida.

E então imagine para si mesmo o oposto dessas deficiências, como você poderia aprender a colocá-las em prática na vida, como outra pessoa sempre instintivamente — em outras vidas não era instintivo, mas deliberado — as pratica.

Quando você conseguir se lembrar, e não se surpreenda se levar bastante tempo para se lembrar, aja de acordo.

Você ficará surpreso com a sensação de poder que o inundará.

Você se tornará feliz e cheio de entusiasmo juvenil ao descobrir que pode realmente lidar consigo mesmo, e que tem outras vidas diante de si nas quais crescer até seu ideal.

E à medida que você evolui seu próprio padrão ou credo, muito melhor do que um aceito externamente, você se tornará uma influência e uma força entre seus semelhantes, e aqueles que não são tão fortes quanto você encontrarão abrigo em você, inspiração e força.

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O QUE NOSSOS PENSAMENTOS FAZEM AOS OUTROS

Então devemos lembrar que nossos pensamentos também alcançam os outros.

Ao longo da vida, carregamos conosco nossa influência pessoal, que é uma síntese de nossos pensamentos e sentimentos normais.

Talvez esse seja nosso maior presente para o mundo.

Emerson disse certa vez: "O que você é fala tão alto para mim que não consigo ouvir o que você diz."

Mas, se pensarmos especificamente em alguma pessoa, algum lugar ou algum ideal, estamos imediatamente em contato com eles, onde quer que estejam. A prece alcança o Coração do Universo; o pensamento amoroso envolve um ente querido, vivo ou "morto". Naturalmente, ninguém está jamais morto; apenas mudou de estado, e o nosso amor e os nossos pensamentos o alcançam da mesma forma.

Que poder imenso está em nossas mãos, se apenas o conhecêssemos e o cultivássemos. As pessoas antiquadas costumavam orar por seus amigos; nós podemos pensar neles com amor e desejar-lhes o bem com todo o nosso coração.

Podemos também desejar o bem à humanidade, e ter a certeza de que esse desejo não foi formulado em vão.

Se pensamos mal das pessoas, isso também é uma força-pensamento que as alcança, mas não ajuda.

Apenas acentua subconscientemente o próprio mal que deploramos.

E quando muitas pessoas pensam todas juntas, não é difícil imaginar que tipo de sugestão invisível está alcançando o objeto de seus comentários.

Assim, o primeiro fio da nossa natureza, o pensamento, tece para nós os nossos caracteres e capacidades presentes e futuros.

Reconstruamo-nos a nós mesmos, e não esperemos que o lento processo da evolução o faça.

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O FIO DO DESEJO

Agora, o segundo fio, o poder do desejo.

Esse nos dá as nossas oportunidades, e os nossos amigos e inimigos.

Há um ditado na Bíblia de que o Senhor dará a cada homem o desejo do seu coração.

Isso é absolutamente verdadeiro, se for o desejo de todo o seu coração, e não apenas uma parte dele. Pois isso é uma demanda que sai para o universo, trazendo-lhe o seu cumprimento, bom ou mau.

O amor e o ódio são também variantes do desejo, e ambos atraem.

Sempre encontraremos novamente as coisas que amamos, e também as coisas que desmedidamente odiamos e tememos.

Assim, devemos aprender a transmutar a inimizade em confiança, compreensão e perdão.

O desejo também traz oportunidades.

Nunca tais oportunidades vieram a menos que tivessem sido, em algum momento, desejadas e trabalhadas, mesmo que a morte chamasse um homem antes de seu ideal ser alcançado ou o desejo de seu coração realizado.

Então virão cedo em outra vida, e outros o chamarão de abençoado.

Como Browning escreveu: "Nenhum trabalho iniciado cessará jamais pela morte."

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O FIO DA AÇÃO

É fácil ver como o terceiro funciona, pois sabemos que as nossas ações estão afetando o mundo e os outros o tempo todo.

Elas devem afetá-los de uma de duas maneiras.

Ou estão ajudando a felicidade e o progresso de todos, ou os estão prejudicando.

Se nossas palavras e ações ajudaram e animaram, em algum momento, em algum lugar, ajuda e encorajamento voltarão para nós. Se foram inúteis, egoístas, cruéis, retornarão trazendo frustração, tragédia e dor.

Elas voltarão para nós através do intermédio de outras pessoas, que são assim agentes inconscientes da Lei que diz que tudo o que o homem semear, isso também colherá, e aprenderá com a colheita.

Alguns desses resultados naturais vêm em vidas posteriores, quando, em vez de ser esmagado por eles, o homem é como ouro provado na fornalha.

Embora pareçam nos limitar, o outro lado deles é oportunidade e elevação.

A "vingança" da Natureza é impessoal e medicinal.

Ela destrói para curar.

Assim são criados nossos ambientes e os principais eventos marcantes de nossas vidas.

O que consideraríamos um ambiente "bom"? Nascer com uma colher de prata na boca? Ah! não. Muitas vezes não há ninguém mais desconectado da vida e de suas maravilhosas lições do que aqueles que nascem milionários.

Antes, nascer em um círculo de bons amigos e parentes amorosos.

Certa vez, uma Marani veio ao Buda perguntar o que ela deveria fazer para garantir nascer em sua próxima vida bela, rica e com muitos amigos.

Só posso me lembrar da resposta do Senhor à última pergunta.

Ele disse: "Oh! Rainha, se você quer ter muitos amigos, então deve aprender nesta vida a dar com ambas as mãos." O espírito mesquinho, calculista e egoísta nunca conhece verdadeiros amigos.

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O TERCEIRO GRANDE PRINCÍPIO: A LEI DA DINÂMICA ESPIRITUAL

Isso nos leva ao terceiro dos grandes Princípios da Vida.

Justamente porque estamos tão intimamente ligados uns aos outros, cada pensamento, desejo e ação ressoa através do espírito unido da vida chamado humanidade, e produz sua reação inevitável.

Por isso, esta Lei da Dinâmica Espiritual foi formulada por todos os grandes Mestres na conhecida Regra de Ouro.

Nas palavras de Jesus: "Tudo o que quereis que os homens vos façam, fazei-o também a eles, pois esta é a lei." Assim como a primeira grande verdade da Unidade Espiritual de todos os homens é necessariamente seguida pela segunda verdade da Fraternidade Humana, também essa é seguida inevitavelmente pela terceira: como esse vínculo íntimo nos leva a afetar uns aos outros o tempo todo, o indivíduo deve aprender a não causar dano nem a agarrar egoisticamente.

Essa é a Lei da Fraternidade, e quebrá-la é provocar sofrimento e dor sem fim, quer o faça um indivíduo, um grupo de indivíduos ou uma nação.

Isso não significa que nunca devamos "lutar". Derrubar um valentão é às vezes a melhor maneira de ensiná-lo a considerar os direitos dos outros, especialmente os dos mais fracos.

Assim, o dia segue o dia, e às vezes por muitos dias um resultado não se faz sentir.

E a vida segue a vida, e seus eventos principais têm suas raízes em um passado distante.

Há momentos na história em que as nações são chamadas a acertar suas contas.

A Bíblia diz que a retidão exalta uma nação.

Isso é verdade, pois nenhuma nação pode agir injustamente sem acumular para si uma colheita de problemas futuros.

Tampouco uma classe pode explorar outra classe sem semear as sementes de revoluções futuras.

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COMO NOS LEMBRAMOS DE VIDAS PASSADAS

Mas, podemos dizer, de que nos aproveita isso se não nos lembramos desse passado que agora nos influencia? (Lembre-se de que o futuro nos influencia ainda mais!) Às vezes as pessoas dizem que não podem acreditar que já viveram aqui antes porque não parecem ter nenhuma memória pessoal disso. Há pessoas que se lembram, parcial ou completamente, mas a maioria de nós parece não se lembrar. Às vezes, no início da infância, memórias vêm à tona e se perdem à medida que a criança cresce.

Agora, o que queremos dizer com memória? Para a maioria das pessoas, significa imagens mentais de eventos passados.

Mas se isso é tudo o que realmente significa, já esquecemos a maior parte desta vida, até mesmo a maior parte do dia de hoje.

Se tentássemos lembrar cada pensamento, palavra e ação de um dia, não conseguiríamos; no entanto, a psicologia nos diz que cada pequeno evento deixou sua impressão em nosso subconsciente, e uma série de impressões semelhantes produz, com o tempo, uma tendência de poder.

Um homem que toca piano bem não "se lembra" de todas as vezes que praticou, mas seu subconsciente se lembra e devolve essa memória a ele sinteticamente como uma capacidade ou poder desenvolvido.

Assim, nossas capacidades são memórias, nossas simpatias e antipatias, tantas vezes aparentemente caprichosas para nossa mente atual, às vezes até fobias e certos períodos da história que parecem nos atrair grandemente.

O amor à primeira vista, quando genuíno, significa o encontro de velhos amigos ou amantes.

Pense na história de Davi e Jônatas, o príncipe e o menino pastor.

Está escrito que, ao encontrar-se, "a alma de Jônatas se ligou à alma de Davi", e que "ele o amava como a sua própria alma". Por que isso deveria ter acontecido, se ele nada sabia sobre Davi? Eram claramente dois velhos e queridos amigos que se reencontravam.

A memória detalhada de vidas passadas pode ser recuperada.

É um poder do que se chama "Ioga", o que significa que quando um homem desenvolve em si mesmo a plena consciência do seu eu mais sublime, que viveu através de todas as vidas, esse eu lhe devolverá a memória de todas elas.

Enquanto isso, não nos ajudaria carregar um grande número de imagens memoriais do passado conosco, então a Natureza nos dá isso de forma sintética, manifestando-se como nossas reações instintivas e subconscientes à vida.

Isso não invalida o fato de que memórias do nosso longo passado às vezes retornam.

Se mantivermos nossos ouvidos abertos, podemos nos deparar com tais pessoas.

Como a famosa história de Kipling sobre um escriturário de banco que se lembrava de ter sido escravo de galé em Roma.

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A VIDA APÓS A MORTE

Pode a Sabedoria Antiga, chamada Teosofia, nos dizer algo sobre a morte e a vida que nos aguarda além dela? Todas as religiões falam de um céu e de um inferno.

Existem tais lugares? Apenas o Cristianismo fala de um inferno eterno, porque após os primeiros séculos, essa grande religião perdeu a verdade da reencarnação, então tiveram que atribuir resultados intermináveis a causas fugazes e finitas.

Pode-se afirmar com segurança que não há lugar de tortura no universo, embora existam estados psicológicos infelizes que os homens realmente criaram ao seu redor enquanto estavam vivos.

A primeira coisa a lembrar é que o mundo pós-morte não fica muito longe.

Está ao nosso redor. É composto dessa matéria "psíquica" sutil e fina que permeia e envolve este globo.

Nossa alma ou corpo psíquico também é composto dela, e ela também permeia e envolve nossas contrapartes físicas. Isso pode ser "visto" por uma certa ordem de visão psíquica, e um dia todos os homens a possuirão. Então saberão que não existe tal coisa como morte no universo; apenas uma contínua mudança de estado.

Quando um homem morre, ele se desprende do corpo físico mais denso e começa uma vida independente nesse mundo mais sutil.

Ele não lhe será desconhecido, pois já conhece parte dele quando deixou seu corpo temporariamente através do portal do sono.

Shelley escreveu: "Como é maravilhoso o sono! O sono e seu irmão, a morte." Eles são o mesmo Portal.

Por que então temer uma passagem que já fizemos tantas vezes antes, e que é tão supremamente natural? Mas enquanto estamos apenas adormecidos, ainda estamos conectados ao nosso corpo adormecido por aquilo que parece uma linha de luz, um elo magnético.

Na morte, isso cessa.

Talvez seja este o significado das palavras familiares da Escritura: "Antes que o cordão de prata se solte."

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CÉU E INFERNO

Onde estamos então? É difícil descrever, mas estamos vivendo em um mundo onde as poderosas forças criativas do pensamento e do desejo são objetivas em ação.

Assim, cada homem constrói para si mesmo, enquanto vive, o mundo de suas experiências pós-morte.

Nossos atos e pensamentos egoístas, maus e cruéis nos encerram em prisões feitas por nós mesmos, das quais devemos abrir nosso próprio caminho para reinos mais brilhantes.

Mas nossas mais elevadas aspirações, nossos atos mais puros e altruístas, nossos amores mais puros e nossa apreciação daquilo que é belo e verdadeiro constroem para nós uma vida maravilhosamente bela, que para cada um de nós será felicidade completa e realização, pois significará ideais tornados realidade.

Esses amigos e amores se encontrarão novamente; os idealistas verão seus ideais realizados; os devotos estarão na presença de seu Senhor; os artistas saberão o que a Beleza verdadeiramente significa; e até o homem mais simples, se seus pensamentos foram simples e verdadeiros, terá seu tempo de felicidade e elevação, o tempo de descanso de seu espírito após as provações da Terra.

É também um período de grande assimilação.

Antes de um homem retornar à Terra, talvez não por centenas de anos, ele terá percorrido uma concatenação de eventos nessa vida interior que foram o fruto de sementes semeadas durante a vida, e por meio deles as lições e experiências da vida terão sido tecidas em poder e conhecimento da alma.

Assim crescemos, vida após vida, com vidas da alma entre elas.

As coisas que nos pertencem como almas perduram para sempre.

Aquelas que concernem apenas a este corpo temporário devem passar.

Este é o significado das palavras de Jesus sobre entesourar para nós mesmos "tesouros no céu". Aquilo que concerne apenas ao corpo, como comer e beber, prazer sexual, subir na árvore social, acumular dinheiro, devemos abandonar no portal da morte.

Mas as coisas que nos pertencem como almas, como todos os interesses intelectuais, espirituais e emocionais, não apenas persistirão, mas ganharão continuamente desenvolvimento e poder adicionais.

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ENTES QUERIDOS QUE PARTIRAM

Não pense naqueles que você ama e que já partiram para o que os Celtas chamavam de "Terra dos Sempre-Jovens" como tristes ou infelizes, ou mesmo como sentindo sua falta.

Eles têm sempre a sua alma mais profunda consigo, e podem até, por um tempo, vê-lo à noite quando você está livre do seu corpo.

Quando chegar a sua vez de partir, eles serão os primeiros a recebê-lo.

Eles não estão "mortos". Eles estão mais "vivos" agora do que quando carregavam um pesado corpo físico.

Eles têm agora uma forma que não conhece mais fome e sede, calor ou frio, ou doença, ou fadiga, ou velhice.

Você desejaria que eles voltassem a um corpo dolorido, doente e cansado? Devemos tentar perceber a verdade.

Não há inferno no universo, exceto o temporário criado pelo próprio homem: e um céu, em última análise, para todos, que é construído pela sua própria aspiração e desejo.

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O FUTURO QUE NOS AGUARDA

Chegará um tempo em que a vida, seja deste lado ou do outro, não terá mais nada a nos ensinar. Então estaremos nos aproximando da estatura de um Homem Perfeito, um Adepto do conhecimento, do poder, da compaixão e do amor.

Alguns estão, mesmo agora, mais próximos do que outros, mas, às vezes, em algum lugar, todos o alcançarão, pois todos trazemos em nós o germe da perfectibilidade. "Em algum lugar, o rio mais cansado serpenteia em segurança até o mar". Pois o homem é um deus em formação, e um dia alcançará a plenitude e a estatura do seu eu divino.

Sim, isso é verdade, apesar da morte e do horror dos dias atuais.

Eles são as dores de parto de uma era nova e mais feliz para os homens.

Através da agonia da hora presente, o homem está entrando em uma herança mais feliz, quando, em vez de rivalidade, tirania e amor ao lucro, nascerá a era da cooperação e da tolerância humanas, e o fim da pobreza e da guerra começará.

Pois a vida humana é sempre mais do que posses, e a felicidade humana, mais do que dominação e orgulho.

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O Poder Criativo, por Clara M. Codd

O Poder Criativo

por Clara M. Codd

Publicado nos anos 1900

O LADO ESOTÉRICO DO SEXO   -Simbolismo   -Dualidade na Natureza   -Forças Cósmicas na Diferenciação Sexual   -O Fator Exagerado   -Aberrações Sexuais   -Sublimação   -A Qualidade do Amor   -Divórcio   -Celibato   -Os Climactérios

O DESENVOLVIMENTO INTERIOR DAS CRIANÇAS  
—O Retorno à Encarnação  
—O "Livro da Vida"  
—O Primeiro Setênio: Físico  
—Crianças Psíquicas  
—O Segundo Setênio: Emocional  
—O Terceiro Setênio: Mental  
—Nossa Atitude para com as Crianças  

A YOGA DA MATERNIDADE  
—A Natureza Sagrada do Parto  
—O Feminino Divino  
—O Supremo Poder da Mulher  

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CAPÍTULO I                                     O LADO ESOTÉRICO DO SEXO  

"Não há problema sexual que não possa ser resolvido pelo amor."                                                J. Krishnamurti  

"Quando há um problema sexual, ele só pode ser resolvido pelo amor."                                                   Carl Jung  

SIMBOLISMO  

O mundo físico é um vasto depósito de simbologia.  

Não há uma única forma, ou parte de uma forma, que não simbolize uma Realidade interior.  

A derivação grega da palavra símbolo significa "algo composto de mais elementos". Portanto, um símbolo não é uma representação concreta de coisa alguma, mas uma placa indicativa que aponta em que direção, se tivermos a intuição de segui-la, podemos discernir a Realidade eterna que ele projeta como sombra.  

Se for um símbolo verdadeiro e natural, colocará o observador em contato magnético com a coisa eterna pela qual ele se apresenta.  

O que é mais, essa Realidade interior é uma vasta Inteligência.  

Por trás de toda atividade externa, mesmo a da ação química, há a ação de um "deus", uma mente não necessariamente comparável à mente humana. Assim, o Professor Arthur Compton postula "uma inteligência efetiva por trás dos fenômenos da natureza". A nova física, diz ele, admite a possibilidade de a mente atuar sobre a matéria, e essa concepção lança nova luz sobre o processo evolutivo e dá sentido à vida humana.  

O mundo e a humanidade não estão se desenvolvendo ao acaso a partir do caos atômico.  

Há evidências de uma "inteligência diretiva" ou propósito por trás de tudo.  

Diante de uma reunião de 5.000 dos mais distintos cientistas da América, o Dr. Robert A. Millikan descreveu como ele, de fato, havia colhido as impressões digitais de Deus nos céus, e o que ele descobrira mostrava "um Criador continuamente em Sua obra". Um cientista inglês declarou que há uma Mente-Mestra por trás do universo e que essa Mente-Mestra é uma matemática maravilhosa.

A maravilhosa precisão geométrica no desenho das flores e dos flocos de neve recorda o antigo ditado: "Deus geometriza." O ritmo regular de todas as coisas no universo, o fluxo e refluxo das marés, o crescer e minguar da lua, as ondas circulares da voz humana no ar, tudo confirma a afirmação de Pitágoras de que "o Número está na raiz do universo."

Não só isso é verdadeiro para o universo visível, mas também para o pensamento ilimitado e rítmico do invisível.

Isto é ciência, ou conhecimento exato, para o investigador ocultista, mas suas verdades são percebidas intuitivamente por muitos artistas e poetas, porque tal gênio penetra naquilo que Platão descreveu como o reino subjacente da Ideação Divina.

Por isso Francis Thompson escreveu:

Página - O Poder Criativo por Clara M. Codd

"Todas as coisas por poder imortal
Próximas ou distantes,
Ocultamente
Umas às outras ligadas estão,
Que não podes agitar uma flor
Sem perturbar uma estrela."

Há ainda o movimento cíclico do tempo através da manhã, do meio-dia e da tarde, retornando à aurora novamente; através da primavera, do verão e do inverno, voltando à primavera uma vez mais; o ciclo da vida humana na juventude, maturidade e velhice, retornando um dia, após um período de descanso para o espírito imortal nos mundos interiores, à juventude novamente num avanço espiral sem fim; "a história se repetindo", mas sempre num nível mais elevado.

Este maravilhoso esquema evolutivo foi belamente resumido pelo falecido Sir Oliver Lodge nas palavras finais de um discurso à Associação Britânica. "O universo", disse ele, "é a vestimenta em eterno crescimento de um Deus transcendente." Por trás de toda ação há um Agente, visível ou invisível; por trás de todas as formas, uma Vida buscando expressão.

Não sem razão os gregos povoaram a natureza com Inteligências invisíveis, enquanto Maimônides, o filósofo hispano-judeu, escreveu: "As forças naturais e os anjos são idênticos", e o Bundakish declara: "Cada flor isolada é apropriada a um anjo." Todas as formas, todas as criaturas, são epifanias de Deus.

O falecido Dr. Rudolf Steiner ensinou um sistema de meditação sobre uma flor que pode conduzir a grandes alturas de iluminação.

Para o homem natural estas coisas parecem loucura, "porque somente podem ser discernidas espiritualmente."

O mais maravilhoso depósito de simbologia em todo o macrocosmo ou universo é o microcosmo, o próprio homem.

Não temos todos, quando crianças, às vezes nos perguntado por que temos dois olhos e uma boca, dois ouvidos e um nariz, cinco dedos, etc.? Todos eles representam, e portanto estão em contato com, forças subjacentes muito profundas no universo.

Isto é preeminentemente verdadeiro quanto aos órgãos sexuais, pois representam no homem os mais altos poderes do cosmos, os poderes criativos.

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DUALIDADE NA NATUREZA

O ocultismo nos diz que o homem e a mulher juntos representam as forças criativas gêmeas do universo, positiva e negativa, centrífuga e centrípeta, em manifestação e ocultas.

Em geral, o homem é positivo, manifestando-se exteriormente; a mulher é negativa, receptiva.

Mas nenhum homem é inteiramente masculino e nenhuma mulher é totalmente feminina.

A ciência médica nos diz que todo homem, fisicamente, possui atributos femininos não desenvolvidos dentro de si, e toda mulher possui características masculinas quiescentes e não desenvolvidas.

Às vezes, quando um órgão sexual é removido, as características secundárias começam a se desenvolver, como testemunha a feminilidade do macho emasculado, e o crescimento de características masculinas que ocorre às vezes em mulheres quando os ovários foram removidos.

Há também um período na vida fetal em que é uma questão de qual sexo finalmente predominará.

Enquanto um é predominante e visível, o outro está sempre em segundo plano, algo como o homenzinho e a mulherzinha que saem alternadamente no indicador de tempo familiar à nossa infância.

Isto ocorre porque nenhuma alma é absolutamente homem ou mulher, mas a quintessência de ambos.

Embora após a morte ainda usemos a aparência de homem ou mulher, é somente neste plano físico de existência que os órgãos sexuais são operativos.

A alma, sendo realmente além da diferenciação sexual, ao entrar em encarnação veste um corpo, ou "veste de pele", ora de um lado da vida, ora do outro, a fim de adquirir um pleno desenvolvimento de todas as qualidades.

Os deveres e experiências de cada sexo são diferentes, porém complementares.

A vida de um homem tende a desenvolver decisão e energia; a de uma mulher, paciência e ternura.

No entanto, os membros mais altamente desenvolvidos de ambos os sexos possuem também os mais elevados atributos do outro.

Que homem nobre é deficiente em paciência e ternura, ou que mulher nobre carece de energia e força? Estas foram aprendidas através de muitas vidas em ambos os lados da vida, pois é mais fácil evoluir características complementares em corpos complementares.

Aqui reside o verdadeiro significado das palavras do Cristo de que no céu não se casa nem se é dado em casamento.

A regra geral para a encarnação é percorrer uma série de vidas em um lado da vida, e então mudar para o outro por uma série de vidas.

Essa mudança de sexo em sucessivas encarnações explica fenômenos bem conhecidos, o menininho que furtivamente quer brincar de boneca e a menininha que é uma verdadeira moleca.

Eles acabaram de mudar de sexo; precisam se acostumar novamente ao outro veículo, e isso às vezes leva mais de uma vida.

Homens e mulheres não são rivais, mas cooperadores, sendo inteiramente diferentes em natureza e perspectiva.

Proibir um sexo de usar seus poderes peculiares e ponto de vista na vida da nação é como fechar permanentemente um olho e esperar enxergar tão bem quanto com ambos.

Como Lord Tennyson escreveu corretamente:

"Pois a mulher não é um homem subdesenvolvido, Mas diversa... A causa da mulher é a do homem; eles se elevam ou afundam Juntos, anões ou divinos, escravos ou livres."

Houve um tempo, há longas eras, quando o homem, mal humano como o conhecemos agora, era de um só sexo.

Ele então propagava a raça por métodos que ainda sobrevivem no reino vegetal.

Chegará um tempo, em eras inenarráveis daqui, quando novamente os dois sexos se fundirão.

Como então ele propagará a raça? Por um poder

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já começando a se manifestar, kriyashakti, a força do pensamento e da vontade concentrados, criando no plano físico como todos nós criamos agora no plano mental.

Os corpos naqueles dias serão "nascidos da mente".

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FORÇAS CÓSMICAS NA DIFERENCIAÇÃO SEXUAL

O homem não é apenas um corpo físico.

Intimamente ligados e interpenetrando-o, estão outros veículos de consciência compostos da matéria mais sutil dos planos circundantes e interpenetrantes.

Através desses corpos internos e externos do homem fluem forças que descem dos planos superiores e mais sutis do ser.

A coisa eterna na matéria é seu movimento incessante, o fluxo e refluxo rítmico da vida.

O mais tremendo ritmo de todos é a manifestação e o aparente desaparecimento do próprio universo, chamado nas escrituras indianas: "Dias e Noites de Brahma". Os "períodos noturnos" de não manifestação são causados pela equalização final de todas as forças.

A mesma coisa pode ser vista em um pequeno experimento elétrico.

Magnetize duas agulhas; metade de cada agulha será positiva e a outra metade negativa.

Flutuando sobre uma bacia de água, o polo positivo de uma agulha atrairá o polo negativo da outra.

Ao se encontrarem, a eletricidade desaparece, não porque tenha deixado de existir, mas porque, estando equilibrada, torna-se não-manifesta.

Quando um "dia" amanhece, o primeiro princípio a entrar em ação é a Terceira Pessoa da Trindade Hindu, Brahma, a Mente Divina.

"Brahma meditou e os mundos surgiram à existência." Se Deus não nos tivesse "pensado" à existência, nunca teríamos sido.

O mesmo se aplica aos nossos pequenos mundos.

Antes de agirmos, pensamos e, portanto, criamos mentalmente.

Durante o pralaya, ou não-manifestação, espírito e matéria, vida e forma, tornaram-se um, como de fato fundamentalmente sempre são.

Mas durante um "dia" eles se separam e a multiplicação começa.

Isso pode ser visto na vida de uma célula.

Ela tem um núcleo, mas, quando vai produzir outra célula, dois polos aparecem com uma linha entre eles e, logo, há duas células.

"O Um torna-se Dois." Aqui reside o verdadeiro significado do antigo mito do Nascimento Virginal, atribuído a quase todos os salvadores do mundo.

Nos escritos antigos, o espírito é mencionado como masculino, e a matéria como feminino, Mãe-matéria, de fato.

No estado indiferenciado, o mar, ou númeno da matéria, está quiescente, uno com a vida ou espírito.

Quando a manifestação reaparece, esse perfeito equilíbrio é perturbado.

A primeira vibração ou onda da Mente Divina se espalha pelo espaço sem limites.

"O espírito de Deus se moveu sobre a face das águas." Desse contato com a matéria virgem, o Filho Cósmico de Deus, o universo, nasceu.

O mesmo milagre se repete entre homem e mulher.

Do contato deles, um "filho do homem" nasce.

Os poderes criativos físicos no homem refletem os tremendo poderes criativos da Divindade.

Daí sua extraordinária santidade aos olhos do mundo mais simples de outrora.

Por serem os mais elevados poderes físicos no homem, sua degradação produz resultados terríveis.

"Deus inversus demon est."

O que, por falta de termo melhor, podemos chamar de força positiva do universo flui através dos corpos dos homens, principalmente ao longo das linhas dos sistemas ósseo e muscular.

Assim, naturalmente consideramos a glória do homem ser a sua força.

Mas através dos corpos das mulheres flui a força oposta, usando principalmente o sistema glandular e nervoso, e assim instintivamente sabemos que a glória da mulher é a sua graça.

A atração magnética entre eles é claramente compreensível.

O princípio masculino positivo busca eternamente o princípio feminino mais negativo, para que ambos possam ser preenchidos e encontrar descanso. Em um casamento feliz e bem-sucedido, dois efeitos são evidentes: um é a alegria da criação, o outro é a sensação de grande descanso.

Toda criação é alegria, não apenas a criação física, mas o mesmo poder expresso mental ou espiritualmente.

Arquimedes, ao descobrir um princípio científico, correu para a rua, gritando de alegria: "Eureka, encontrei!" Quando Deus criou os céus e a terra, todos os filhos de Deus clamaram de alegria, dizem as escrituras.

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Nos princípios internos do homem, constituindo seu eu subconsciente ou subjetivo, a relação entre os dois sexos é invertida.

No nível emocional, a mulher é positiva e o homem é negativo.

Assim, a mulher não desenvolvida é uma massa de contradições emocionais, muito possessiva em suas afeições e, quando sobrecarregada, inclinada a tornar-se histérica.

No nível mental, a posição é novamente invertida; o homem é positivo, a mulher é negativa.

O homem não desenvolvido tende a ser egoísta e duro, um total descrente em tudo que não seja observado pelos sentidos; o homem desenvolvido possui amplas e lúcidas faculdades de raciocínio e, em geral, tem uma visão mais impessoal e maiores poderes criativos de mente do que uma mulher.

Por natureza, os homens são mais naturalmente aptos a "assumir a liderança". Em organizações empresariais, eles geralmente são menos pessoais e vingativos do que as mulheres.

Por isso, as mulheres quase sempre preferem um empregador homem.

Mas emocionalmente, o homem é facilmente conduzido.

Há um elemento bastante tocante no amor não corrompido de um homem por uma mulher.

Ele é tão propenso a adorar, a olhar para sua deusa, a considerá-la incapaz de errar.

Nos níveis intuitivo e espiritual, a mulher novamente se torna predominante.

A mulher desenvolvida brilha com sabedoria intuitiva e amor altruísta.

Ela tem, frequentemente, uma capacidade maior de total autossacrifício do que um homem.

Uma mulher apaixonada é uma devota natural.

Rendição e serviço são para ela a alegria suprema.

Na verdade, pode-se dizer que amar e ser amada é a necessidade primordial da vida de toda mulher.

Byron sabia disso bem, pois escreveu:

"O amor é, na vida do homem, algo à parte; é a existência inteira da mulher."

O fato a ser observado aqui é que os fatores opostos, porém complementares, envolvidos na diferenciação sexual os tornam altamente necessários e úteis um ao outro.

Independentemente de qualquer questão de congresso físico, o intercâmbio ativo de pensamento e ação entre os sexos é altamente benéfico para ambos.

A amizade de um homem ajuda a mulher a definir seus pensamentos; a amizade de uma mulher inspira e aquece a imaginação do homem.

Portanto, constatamos que tantos grandes homens tiveram ou uma grande esposa ou uma grande mãe, enquanto outros homens dotados ficaram aquém do que poderiam ter alcançado, se tivessem sido abençoados com esse tipo de associação.

A prática predominante de enviar meninos de oito ou dez anos para longe de casa, para internatos onde ficam sob os cuidados de jovens mestres inexperientes, é de se lamentar.

Um grande treinador de Oxford escreveu que, das centenas de jovens que passaram por suas mãos, a maioria nunca alcançaria seu pleno desenvolvimento por estarem emocionalmente famintos.

Os jovens precisam da influência de pessoas mais velhas, avôs e avós, tios e tias.

Eles precisam fazer parte das influências criativas da vida comum, participar da vida do mundo cotidiano ao seu redor, e não ser agrupados em um estabelecimento mais ou menos monástico com outros meninos e mestres emocionalmente famintos.

É surpreendente que tantos nunca se tornem seres plenamente maduros e sejam, posteriormente, deficientes em imaginação e energia criativa?

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O FATOR EXAGERADO

A prevalência mundial dos problemas sexuais vem da exageração de um fator nela: a gratificação física.

Quando a gratificação física é o único, ou o predominante, fator em um relacionamento sexual, é paixão e não amor.

É bom fazer uma distinção mental clara entre os dois, pois qualquer um pode existir sem o outro, mas onde a paixão é exaltada, purificada e iluminada pelo amor, a união física pode assumir um significado muito belo e inspirado.

Embora proporcione o maior prazer físico conhecido pelo homem, também pode oferecer um canal para emoção muito requintada e exaltada.

Como as forças criativas do universo atuam através dos corpos polarizados de forma oposta de homens e mulheres, há uma atração entre os dois não igualada por nenhuma outra, pois é complementar e realizadora e, portanto, imensamente satisfatória.

Os efeitos benéficos da interação do magnetismo invisível já descrito tornam-se, no ato conjugal, grandemente intensificados, frequentemente rompendo barreiras mentais e ampliando toda a perspectiva dos participantes.

Um abraço marital feliz e belo pode levar ao que só pode ser descrito como uma experiência mística, passando cada vez mais profundamente para uma consciência interior, de modo que os amantes se tornam um para o outro como uma porta para Deus.

Isso é conhecido na Índia como uma forma especial de yoga, chamada sahaja, que leva ao moksha, ou libertação, através e por meio de uma certa atitude e relação possível de ser estabelecida entre amantes.

Isso não tem nada a ver, dizem os sábios, com o culto do prazer.

É a realização do Uno pelo caminho da não-busca no amor.

"Todo amor engrandece e glorifica Até Deus brilhar aos olhos amorosos Naquilo que antes era mera terra." Robert Browning

Essa experiência quase perfeita é extremamente rara, pois exige um pensamento tão elevado e idealista por parte dos amantes, e um amor tão tremendo e verdadeiro.

Um grande Adepto egípcio escreveu certa vez: "Sabe, ó irmão meu, que onde um amor verdadeiramente espiritual busca consolidar-se duplamente por uma união pura e permanente dos dois, em seu sentido terreno, não comete pecado, nem crime aos olhos do grande Ain-Soph, pois é apenas a repetição divina dos Princípios Masculino e Feminino — o reflexo microcósmico da primeira condição da Criação.

Em tal união, os anjos bem podem sorrir! Mas elas são raras, irmão meu... O atma do homem pode permanecer puro e altamente espiritual enquanto está unido ao seu corpo material; por que duas almas em dois corpos não poderiam permanecer tão puras e incontaminadas, não obstante a união terrena e passageira destes últimos?"

Na vasta maioria, tal consumação nunca é alcançada.

Muitas vezes a paixão não é iluminada pelo amor, muitas vezes o marido considera o uso da pessoa de sua esposa como uma conveniência física, e seu direito, ansiosa e inconsideradamente buscado e indulgenciado com resultados muito desastrosos.

Há um processo um tanto semelhante na questão da alimentação.

Os órgãos do paladar destinam-se a realçar o prazer de comer, colocando em ação as glândulas salivares e assim causando o melhor uso possível do alimento necessário.

Quando isso é abusado e resulta em gula, a natureza toma uma retaliação muito terrível.

Isso é mil vezes mais verdadeiro no que diz respeito ao ato sexual.

No reino animal, há estações de acasalamento e em todos os outros momentos o impulso de acasalamento está adormecido.

O homem, em virtude de seus poderes de memória e antecipação, elevou enormemente, fora de toda ordem natural, o impulso sexual em si mesmo.

Ele é vulnerável a tais impulsos em todos os momentos.

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O resultado é apavorante.

Permitam-me citar A Doutrina Secreta de H.P. Blavatsky: "Os poderes criativos no homem eram o dom da Sabedoria Divina, não o resultado do pecado... Nem a Maldição do Karma foi invocada sobre eles por buscarem a união natural, como faz todo o mundo animal desprovido de mente em sua estação própria; mas, por abusarem do poder criativo, por profanarem o dom divino, e desperdiçarem a essência vital sem propósito algum, exceto a gratificação pessoal bestial. No princípio, a concepção era tão fácil para a mulher quanto o era para toda a criação animal.

A Natureza jamais pretendera que a mulher desse à luz seus filhos 'com dor'... Pois a semente da mulher, por luxúria, feriu a cabeça da semente do fruto da sabedoria e do conhecimento, transformando o sagrado mistério da procriação em gratificação animal; daí mudando gradualmente, fisiológica, moral, física e mentalmente, toda a natureza da Quarta Raça da humanidade, até que, de ser o rei sadio da criação animal na Terceira Raça, o homem se tornou, na Quinta, a nossa Raça, um ser escrofuloso e indefeso, e agora se tornou o mais rico herdeiro do Globo de doenças constitucionais e hereditárias, o mais consciente e inteligentemente bestial de todos os animais'... Esta é a verdadeira Maldição do ponto de vista fisiológico... A evolução intelectual, em seu progresso de mãos dadas com a física, certamente tem sido uma maldição em vez de uma bênção — um dom avivado pelos 'Senhores da Sabedoria' que derramaram sobre o Manas humano o orvalho fresco de seu próprio Espírito e Essência." (Obra citada, 3ª edição revisada, Volume II, páginas 428-429)

Isso foi personificado pelos gregos no mito de Prometeu, que trouxe o "fogo" do céu.

H.P. Blavatsky continua:

"Prometeu responde:

Sim, e além disso fui eu que lhes dei o fogo.

Coro: Têm agora essas criaturas efêmeras o fogo de olhos flamejantes? Prom: Sim, e por meio dele aprenderão muitas artes."

"Mas com as artes, o 'fogo' recebido tornou-se a maior maldição; o elemento animal, e a consciência de sua posse, transformou o instinto periódico em animalismo e sensualidade crônicos.

É isto que paira sobre a humanidade como um pesado pálio fúnebre... O mundo animal, tendo simples instintos para guiá-lo, tem suas estações de procriação, e os sexos tornam-se neutralizados durante o resto do ano.

Portanto, o animal livre conhece a doença apenas uma vez em toda a sua vida — antes de morrer." (Ibidem, página 430)

A experiência de alguns povos nativos não sofisticados confirma a declaração de Madame Blavatsky sobre a mulher não ter sido destinada a dar à luz com dor e sofrimento, pois uma selvagem africana, em seu estado nativo, dará à luz uma criança à beira de um caminho e se levantará imediatamente depois para se juntar à marcha da tribo.

O que se diz sobre a verdadeira causa das doenças hereditárias e constitucionais do homem é corroborado pela ciência, especialmente pela extraordinária descoberta do Dr. Abrams, de São Francisco, as "reações eletrônicas". O primeiro comprimento de onda que um praticante desse sistema procurará é o que se chama de "resistência diminuída". Este é um eufemismo polido para uma mácula hereditária sifilítica.

A grande maioria das pessoas a tem em sua corrente sanguínea, sendo as nações mais livres dela as escandinavas e a irlandesa.

Se presente, ela fornece um terreno fértil para a proliferação de todas as outras doenças.

Todas as doenças escrofulosas tiveram origem no abuso da função sexual.

Na citação acima, Madame Blavatsky se refere ao período de seis milhões e meio de anos atrás, quando o homem nascente, dificilmente homem como o conhecemos agora, foi submetido a um estímulo especial de seu princípio pensante por certos grandes seres de outro planeta.

Eles são geralmente mencionados na literatura oculta como os "Senhores da Chama", que dotaram o homem com o "fogo" da mente.

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O caráter econômico não natural de nosso sistema social tende a multiplicar esse mal.

Em um mundo saudável, feliz e cooperativo, homens e mulheres se casariam jovens e dariam à luz filhos durante os anos de seu vigor juvenil.

Os filhos da meia-idade não são tão bem circunstanciados.

Isso foi bem previsto no antigo sistema da Índia, que prescrevia quatro períodos para a vida de um homem.

Primeiro, o de seus dias de estudante, durante os quais ele vivia como um brahmacharya, sem vida sexual.

Depois vinham os anos de vida conjugal, nos quais ele gerava filhos como um dever para com o Estado.

Em seguida, o terceiro período, quando tanto ele quanto sua esposa renunciavam à vida sexual para buscar ideais religiosos.

O quarto período não era empreendido por todos, pois envolvia sair sozinho como um mendigo sem posses, sem outro ideal ou esperança senão encontrar Deus.

Mesmo isso não podia ser empreendido sem o consentimento da esposa.

O resultado natural do nosso sistema caótico é visto na prevalência da supressão sexual e em tudo o que isso significa para a saúde psicológica, e no número de raças párias que são o resultado de relações ilícitas.

Triste também é relatar que em muitos casos uma raça nativa saudável é infectada com doenças venéreas por seus conquistadores brancos.

Em seu estado nativo, muitos povos primitivos têm excelentes leis eugênicas, e nenhum menino nativo é deixado na ignorância pueril com que muitos meninos brancos adquirem informações enganosas e irreverentes de colegas de escola tão ignorantes quanto eles mesmos.

Uma história maravilhosa foi escrita há algum tempo por um chefe da África Central, que quando menino vivia dentro de uma paliçada em uma vasta selva.

Aventureiros como meninos pequenos costumam ser, um dia ele e seus companheiros de brincadeira começaram a explorar o país ao redor.

Chegaram ao mar, que nunca tinham visto antes.

Levados para o mar, muitos deles foram capturados por tubarões, mas o filho pequeno do chefe foi recolhido por um navio que passava e levado pelo capitão para a Escócia.

Lá ele cresceu com seu irmão adotivo escocês e anos depois voltou para seu povo e os governou como chefe.

Ele descreve em seu livro a ignorância e a vergonha dos atos sexuais de seu irmão adotivo escocês, que não tinha a quem consultar, sendo tais assuntos tabu.

Em seu país nativo, ele escreve, todos os meninos pequenos teriam sido plenamente instruídos pelos chefes.

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ABERRAÇÕES SEXUAIS

São mais comuns do que geralmente se supõe.

De longe a mais comum é o autoerotismo.

A opinião médica está dividida sobre a questão de sua nocividade, e pareceria que em muitos casos seu efeito maligno foi exagerado.

Crianças às vezes descobrem instintivamente sua prática.

Uma menina de seis anos foi encontrada praticando-o continuamente. A agonia de sua mãe era indescritível; embora amorosa e bondosa por natureza, ela recorreu a punições severas, o que obviamente não era o método certo para lidar com esse comportamento eroticamente inconsciente de uma criancinha.

Sobre o assunto de açoites, médicos e psicólogos condenam essa forma de punição por causa de suas frequentes e indesejáveis reações na natureza sexual da criança.

Adultos às vezes descobrem a prática do autoerotismo em resposta a um impulso intolerável.

Uma mulher de trinta anos o praticava habitualmente "porque isso interrompia o sentimento de solidão terrível". Muitas pessoas não percebem que este é um sintoma comum e terrível de inanição sexual.

Então há a questão desses indivíduos curiosos que só conseguem se apaixonar por pessoas do próprio sexo.

O número desses casos é conhecido por todo médico e psicólogo.

Um jovem, ao descobrir que amava apenas pessoas do próprio sexo, buscava uma cura.

Foi encaminhado a um livro escrito por um pervertido, que afirmava que, por estar numa posição intermediária entre os dois sexos, poderia ajudar e compreender ambos, e que havia dedicado espiritualmente sua vida a tal serviço.

Quando essa tendência é genuína e inata, provavelmente é uma herança cármica de outras vidas na Grécia e Roma antigas, onde relacionamentos homossexuais eram fomentados.

Há também outra explicação para esse fenômeno.

Já foi mencionado que nem sempre retornamos em um corpo do mesmo sexo.

Às vezes, leva uma vida ou duas para nos acostumarmos com a mudança.

Pode ser que alguns desses casos anormais sejam pessoas ainda não acostumadas ao sexo recém-mudado.

O problema do vício em escolas internas e prisões não deveria surpreender.

Qualquer pessoa com imaginação pode visualizar a vida árida e sem emoção de muitos internatos; o mesmo é ainda mais verdadeiro para prisões, cheias de homens vigorosos e pouco evoluídos, afastados de suas esposas e namoradas.

A vida no exército gera problemas semelhantes.

Imagine as condições de qualquer grande exército e o destino das mulheres nos territórios conquistados.

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SUBLIMAÇÃO

Existe alguma cura para irregularidades e excessos sexuais? Nenhuma cura é instantânea.

A solução real está na elevação e educação gradual do pensamento humano sobre esse assunto.

Há dois aspectos nisso, o físico e o psicológico, e dos dois, o último é de longe o mais importante e potente.

No lado físico, certos fatores tendem a acentuar ou diminuir o impulso sexual físico.

A alimentação exerce uma influência maior nesse aspecto do que geralmente se compreende.

Tanto o consumo de carne quanto o de álcool são fatores que contribuem para a excitação sexual indevida.

A carne, especialmente quando consumida em excesso, aumenta a potência de todos os impulsos agressivos e passionais.

Os japoneses são um povo que se alimenta de arroz, mas o exército japonês era alimentado com carne.

"De outro modo", como disse um oficial japonês, "não conseguiríamos extrair deles combatividade suficiente." O consumo excessivo de álcool tem efeito semelhante, como o Exército da Salvação descobriu.

Em menor grau, o fumo excessivo produz os mesmos resultados.

Isto é evidência de que dieta pura e moderação nos hábitos de comer e beber são auxílios para restringir a sexualidade excessiva. Exercício também é útil, enquanto camas macias, banhos quentes e uma deitada autoindulgente são todas causas contribuintes para o mal. O capitão de um navio mercante certa vez contou como aprendeu a controlar seus impulsos sexuais.

Como todos os marinheiros, ele era forçado a passar longos intervalos sem ver ou tocar uma mulher.

Então ele determinou um regime diário de quarenta e cinco minutos de exercício vigoroso e descobriu que isso se mostrou bem-sucedido para ele.

O fator psicológico é mais profundo e aqui tocamos em alguns fatos muito ocultos.

Lemos muito atualmente sobre sublimação, mas a maior parte parece vaga ou de pouco valor prático.

A sublimação é possível, mas sua origem e fundamento não são compreendidos.

A verdade é esta: em todo o universo existe apenas uma vida e ela é eternamente criativa.

Ela flui através de todos os planos da matéria e todas as fases do ser.

Os hindus a chamam de prana.

Atuando através de nossa estrutura mental, ela estimula a descoberta, a investigação mental, o pensamento criativo.

A "alegria da criação" aqui é a alegria da descoberta e da invenção.

É por isso que pessoas intelectuais frequentemente têm menos impulso sexual do que muitas outras.

Com elas, a força criativa tomou outra direção.

Emocionalmente, a corrente de vida se mostra como admiração, amor, êxtase.

Fisicamente, ela se exibe como vitalidade, especialmente na função sexual criativa.

A resposta claramente reside aqui.

Aumente o fluxo do poder criativo em outros níveis do ser, e a atração sobre o plano físico se tornará menor.

É difícil fazer isso em nossa era utilitária e mecânica, onde os homens se tornaram máquinas em vez de artistas criativos.

Houve um tempo, há eras, em que mesmo na confecção de artigos domésticos o trabalhador podia ser um artista em seu ofício.

Agora, no sistema fabril, um homem faz uma pequena parte de um artigo e vigia uma máquina tirânica, de modo que ele também se torna uma máquina, sem saída para suas habilidades criativas e artísticas.

Investigação e estudo intelectuais livres, vida controlada e exercício diário são todos fatores contribuintes para o controle sexual, mas o maior de todos reside na natureza emocional, e em seus contrapartes superiores, os princípios espirituais e intuicionais.

O homem moderno perdeu o livre e natural jogo de seus sentimentos. Ele sofre de intermináveis "repressões", e estas remontam na maioria dos casos à primeira infância.

Não há muito tempo, a educação consistia principalmente em enfiar intermináveis fatos na cabeça de uma criança, ou em impor-lhe um fardo intolerável de trabalhos de memória.

Assim, a espontaneidade natural do cérebro de uma criança era frequentemente arruinada para sempre.

Hoje, a educação está sendo aprimorada.

Ainda dá demasiada ênfase ao trabalho de memória. Ser capaz de

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passar em exames não significa que alguém lidará de forma prática e sensata com os problemas da vida.

Agora ouvimos falar muito sobre o desenvolvimento do corpo físico.

Isso começou em grande parte com a Primeira Guerra Mundial, quando a Inglaterra descobriu que era uma nação C3.

Os ditadores então adotaram o grito por força e saúde, mas seu significado era sinistro.

A raça deve ser saudável e forte para fornecer carne de canhão e derrotar outras nações. Ainda assim, esse movimento pela saúde é um passo à frente da dieta de fome e da monotonia hedionda das escolas descritas por Charles Dickens.

O maior fator, no entanto, é deixado impensado e subdesenvolvido: a natureza emocional.

Mais do que pão, mais do que conhecimento, a vida de um homem depende do crescimento livre e saudável de sua natureza amorosa e desiderativa.

A própria palavra "emoção" mostra seu significado, a força motriz por trás da vida.

É necessário que o homem ame, admire, aprecie, compartilhe generosamente e coopere.

Caso contrário, ele não pode viver uma vida feliz e útil.

Essas qualidades são o jogo da vida criativa em seu eu emocional, e se forem livres e belamente cultivadas, o homem tem a mais fina força sublimadora na criação.

Os poetas estão bem cientes disso.

Tantas vezes os poetas nos ensinam melhor do que sabem, melhor do que os filósofos.

Wordsworth escreveu:

"Vivemos pela admiração, esperança e amor, E mesmo que estas sejam bem e sabiamente colocadas, Na dignidade do ser ascendemos."

Muitas pessoas esqueceram como exercitar e expressar suas emoções.

Elas sentem que não amam nada nem ninguém e que ninguém as ama.

Suprimida em vias normais, a natureza emocional se vinga expressando-se de maneiras indesejáveis.

Se ensinarmos nossos filhos a amar verdadeiramente e a admirar generosamente, eles terão pouco problema com sua natureza sexual em anos posteriores.

Conectado ocultamente com a natureza emocional está o homem espiritual, trabalhando no que é chamado de nível aspiracional e intuicional.

Há uma conexão sutil entre os dois, daí o vínculo duradouro entre religião e sexo.

Está no fato de que o impulso criativo no plano físico é o polo inferior daquela força mística e criadora que, por fim, conduz uma alma à "união com Deus". A religião pode ser e é um meio potente de sublimação.

Instintivamente, portanto, mulheres privadas de sexo voltam-se para o êxtase religioso e a adoração de sacerdotes.

Apesar do ridículo comum sobre esse assunto, elas estão inconscientemente sublimando o impulso sexual.

O polo superior do amor físico é a veneração, a adoração.

De fato, nenhum amor sexual é perfeito que não inclua o elemento da adoração.

É comum rir da adoração e da doação de si do "amor de adolescente", mas pode ser que somente então, naquele único despertar puro de sua mente e coração, um rapaz conheça o verdadeiro significado do universo.

Amor, veneração, adoração, apreciação: esses são os verdadeiros solventes.

Muitos casais, unidos apenas por uma atração sensual, jamais conseguem perdoar um ao outro por serem privados de amor, e assim se instala aquela coisa mais terrível de todas: um ódio marital mortal.

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A QUALIDADE DO AMOR

É o amor uma "arte" e pode ele ser aprendido? De um ponto de vista, não temos realmente mais nada a aprender.

Mas o amor, o amor verdadeiro, o esquecimento de si, generoso, divino, é produto de um lento crescimento e leva muitas encarnações para se desenvolver.

É ao mesmo tempo uma ciência e uma arte, a eterna mão direita e esquerda de toda potência.

Ciência e religião, sendo esta última apenas a abordagem "artística" da vida, não se opõem uma à outra.

Uma apenas complementa a outra.

O caminho da ciência é de baixo para cima, por meio da investigação paciente e altruísta.

O caminho da arte é de cima para baixo, iluminando e inspirando a mente e o coração com o resplendor descendente da intuição divina.

Uma explica a outra, mas talvez as luzes divinas da arte penetrem mais fundo na luz suprema do que o passo paciente e constante da ciência, ou, como disse George Sand: "A mente busca, mas é o coração que encontra."

Assim como há uma arte de adoração a ser aprendida de maneiras cada vez mais refinadas e nobres, há também uma arte do amor a ser aprendida em maneiras cada vez mais elevadas e nobres de amar.

Um grande amante é de fato um artista, e conquistou por sacrifício e sofrimento essa capacidade divina.

Como o poeta, ele nasce, não se faz, e não é um fenômeno tão comum quanto muitos poderiam supor.

Feliz é o homem que possui essa capacidade; que não peça outra bem-aventurança, pois dentro dele está a "Luz do Mundo". Há um velho provérbio que diz que é o amor que faz o mundo girar.

Sem amor, de fato, que é a força criativa da Divindade em nossas almas, todas as coisas deixariam de existir. Descartes disse: "Penso, logo existo." Coloquemos assim: "Amo, logo existo." Pois aquele que não ama já está morto.

Um relacionamento na vida é uma aula na escola do amor, ensinando um ângulo do amar.

Para colher todo o seu poder, não devemos permitir que o vício da posse egoísta nos domine. O ciúme é comumente considerado um sinal de amor, mas é apenas uma prova do amor-próprio. É "natural", mas podemos crescer do natural para o sobrenatural.

Numa antiga escritura tibetana, enumeram-se sete formas de amor, quatro pertencentes aos deuses e três aos homens.

A mais baixa das três formas humanas é a mera atração física, compartilhada também por átomos e moléculas.

Ela se esgota assim que é satisfeita.

Uma forma mais elevada pode ser chamada de psíquica; baseia-se na reciprocidade: amarei você se você me amar, e você me deve algo por eu amá-lo.

Essa forma carrega dentro de si a semente de sua própria morte. A terceira forma já beira os caminhos dos deuses e é um pouco difícil para os homens alcançarem, por isso geralmente precisa ser aprendida.

É amar tanto o amado que desejamos apenas o seu bem mais elevado, e nos seus próprios termos.

Tal amor é imortal e as eras não podem extingui-lo. Há uma história sobre uma devotada esposa indiana que se aproximou do Senhor Buda quando Ele estava na Terra para perguntar-Lhe como ela poderia ter certeza de que seria a esposa de seu amado marido em todas as vidas futuras na Terra. O Bem-aventurado respondeu que se ela pudesse ser inabalavelmente fiel, terna e indulgente, ela ligaria o coração dele a ela por todas as vidas vindouras.

O amor em seu sentido mais elevado é purificado do egoísmo, e muitos desgostos, muitas perdas, servem para ensinar à alma esse segredo supremo.

O amor imortal é como o sol, que brilha sobre o mundo porque é luz, e nada pede em troca.

A possessividade é uma impureza não expurgada, e por isso a bem-aventurança celestial do amor verdadeiro ainda não pode vir, pois somente aos "puros de coração" se abre a Visão Divina em todo o seu esplendor.

Quando o sexo é enobrecido pelo amor, é purificado, exaltado; e pode, como foi dito antes, tornar-se de fato uma porta para Deus, para o Rei em Sua beleza.

Quão raros, quão maravilhosos, quão refinados devem ser os amantes a quem isso acontece! No entanto, pode acontecer.

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"Oh! Mundo como Deus o fez, tudo é beleza, E saber isto é amor, e amor é dever, O que mais se pode buscar ou declarar?" Robert Browning

Apenas amar outro como fonte de satisfação pessoal é o que Madame Blavatsky chamou de "égoisme à deux". Tal amor não pode perdurar.

A onda vibratória entre os dois amores deve ser fechada, formando um triângulo.

O amor entre homem e mulher tem uma qualidade curiosa; por si só não pode viver.

Deve ser consagrado e santificado por um Ser Superior a si mesmo.

"Eu não poderia amar-te, querida, tanto, Se não amasse mais a honra."

Richard Lovelace

Assim, Deus, o Ideal, deve completar o triângulo, o Outro-mundano a Quem os amantes devem obediência.

Ou, na outra direção, o elo cegante pode ser uma criança, ou Ele, quando vem, é o Cristo Menino, o Rei, cujo pai e mãe são apenas seus guardiões, seus supremos servos de estado.

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DIVÓRCIO

Devemos, ou não, divorciar-nos de um parceiro com quem não vivemos mais em paz? Esta é uma questão muito controvertida.

Por um lado, há a visão de que o divórcio deve ser concedido ao pedido; por outro, o ponto de vista da Igreja Católica Romana, que não permite divórcio algum.

O divórcio atingiu tais proporções em alguns países que a estabilidade da nação, bem como da família, está seriamente ameaçada.

Até a Rússia Soviética, a princípio muito permissiva com divórcios, agora se esforça para preveni-los sempre que possível.

Provavelmente, a visão religiosa da Igreja contra o divórcio surge das palavras do Cristo: "O que Deus uniu, não o separe o homem." O ocultismo confirma isso?

Até certo ponto, sim.

O significado interno e o efeito psíquico da cerimônia religiosa do casamento produzem uma alteração nas radiações psíquicas de ambos os parceiros, que em alguns casos persiste após a morte.

Isso significa que o divórcio nunca deveria ser permitido? Provavelmente não, mas é evidente que a terrível prevalência do divórcio no mundo moderno está realmente fundada numa grave falta de caráter e de preparo, e em casamentos demasiado apressados.

O casamento, particularmente entre os jovens, é tão frequentemente um ato impulsivo e glamoroso, que dura pouco tempo quando posto em contato com os sóbrios atos da vida conjugal.

Oliver Goldsmith abre seu famoso "Vicar of Wakefield" com as palavras: "Escolhi minha esposa como ela escolheu seu vestido de casamento, ou por qualidades que durariam bem." Quantas vezes o jovem confuso é governado por suas emoções não treinadas, e a igualmente confusa jovem provavelmente foi nutrida com uma dieta de absurdos românticos e sentimentais, esperando, como tantas moças esperam, um príncipe encantado perpetuamente ajoelhado diante dela.

A mãe exausta; a dona de casa inadequada; o marido prosaico, sem barbear, que muito cedo passa a tomar sua amada esposa "como garantida", frequentemente trazem uma desilusão precoce.

Nossos jovens deveriam ser preparados para o casamento, que é o grande negócio da vida da maioria das pessoas.

A ignorância da moça moderna sobre tudo o que pode conduzir a um lar feliz é apavorante.

Ela nunca deveria chegar à vida adulta sem estar equipada nas artes da administração doméstica, culinária, enfermagem e nutrição, nem sem educação quanto a uma visão sã e equilibrada do sexo e seu real significado.

Ela deveria saber que a condução feliz e adequada de um lar é seu privilégio mais elevado, pois nisso reside não apenas sua própria felicidade, mas a de seu marido e filhos e todo o futuro da raça.

A maioria dos homens deseja um "lar". No íntimo de seu coração, o homem é mais simples que a mulher.

Ele quer uma mulher sua para voltar do mundo do trabalho; ele quer um lar e filhos pelos quais possa viver e trabalhar.

Um marido feliz e satisfeito geralmente não busca aventuras em outros lugares.

Mas são as crianças que mais sofrem com o divórcio.

Há o pobre menino tão infelizmente confuso com uma sucessão de "papais". Há a menina de doze anos que ficou tão chocada com o divórcio de seu amado pai de sua mãe que desenvolveu um grave caso de diabetes.

As mulheres devem perceber que fazer um lar é a mais sublime e encantadora de todas as artes, exigindo qualidades sensíveis, altruístas e duradouras além de todos os outros caminhos de serviço.

Não pode haver leis rígidas e fixas nestas questões.

Que um marido ou esposa deva ficar amarrado por toda a vida a um lunático, ou a um parceiro sádico, brutal e egoísta, é impensável.

Mas estes são poucos e raros entre as causas gerais do divórcio.

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CELIBATO

O ocultismo vê com favor a prática crescente do controle de natalidade?

Certamente não.

No estado atual de nosso mundo, pode às vezes ser necessário reduzir o número de filhos, mas a verdadeira limitação de uma família deveria vir do autocontrole.

Para usar outros meios, especialmente para escapar dos resultados do intercurso sexual promíscuo, acarreta grandes penalidades cármicas.

De fato, pode-se dizer que todo intercurso entre os sexos, legítimo ou não, é produtivo de resultados cármicos complicados.

O celibato deve ser recomendado? Há um celibato natural que ocorre no ocultista ou santo que transmutou perfeitamente o impulso criativo para níveis mais elevados.

Quando os poderes criativos são desviados do nível físico, eles aumentam a percepção intelectual e os poderes espirituais.

Então, à visão clarividente, a luz prânica flui para cima através do canal espinhal e irradia para fora acima da cabeça, em vez de fluir para baixo em direção aos órgãos sexuais.

Esse processo não pode ser apressado impunemente; é o resultado de um longo e paciente direcionamento do pensamento e da emoção para fins divinos e impessoais.

Como um grande ocultista disse uma vez: "A força que provoca a união de dois corpos aqui na terra, enormemente sublimada e elevada, provoca a união da alma com Deus."

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OS CLIMATÉRICOS

Há dois períodos na vida humana em que profundas mudanças físicas e psicológicas ocorrem: no despertar da vida sexual e no seu ocaso.

Não é sábio, quando a idade da puberdade se aproxima, sobrecarregar as meninas com excesso de trabalho escolar.

É um momento de ajuste especial, e danos causados então podem afetar toda a vida posterior.

Elas precisam de grande compreensão e bondade, grande tolerância e amor para ajudá-las a atravessar experiências que são desconcertantes para elas mesmas.

Coisas tão estranhas podem acontecer com elas; podem experimentar súbitas ondas de poder que podem se revelar dotadas de uma espécie de magnetismo compulsivo pelo qual outros podem ser influenciados.

Percebemos que o magnetismo sexual é a fonte de toda atração em nós, física, artística, criativa? Então, também, efeitos psíquicos podem ocorrer, como ver cores rodopiantes, passar por estranhos estados de sonho quando nada parece real. A necessidade do interesse de uma pessoa mais velha, forte, sábia e bondosa é primordial nesses dias.

Com os meninos, também, cuidado vigilante e amor terno devem guardar a cidadela da integridade de um menino.

Acima de tudo, os pais devem conquistar a confiança de seus filhos, não pedindo por ela, mas sendo dignos dela, pois os jovens precisam da garantia de segurança, cuidado e amor para prevenir os problemas psicológicos da vida posterior.

No outro extremo desse ciclo, há o desaparecimento da capacidade procriadora.

Em raças altamente evoluídas, e especialmente entre mulheres que viveram vidas celibatárias, a menopausa ou "mudança de vida", como é chamada, instala-se mais cedo.

Parece ocorrer mais tarde em mulheres que tiveram muitos filhos.

Não se pode deixar de sentir pena das mulheres quando as dificuldades dessa mudança as acometem, pois aqui também, às vezes, ocorrem sintomas psicológicos estranhos.

Durante essas duas grandes mudanças na vida, aqueles que estão passando por elas devem ser cercados da maior simpatia e compreensão, e com as mulheres mais velhas, cujos dias de procriação estão chegando ao fim, é necessário cuidado ainda mais terno e a cessação da união marital indesejada.

Um homem passa por experiência semelhante? De uma forma mais subjetiva, sim.

Um sinal muito conhecido do climatério nos homens é o súbito desenvolvimento de interesse por mulheres mais jovens.

Muitos maridos sóbrios e respeitáveis fazem coisas tolas em idade avançada. Este é realmente o último lampejo do impulso sexual no homem.

Para ele, juventude e sexo são frequentemente sinônimos, então ele precisa persuadir a si mesmo de que ainda é jovem, ainda capaz de despertar interesse no outro sexo.

Tanto os jovens quanto os velhos precisam de abrigo e cuidado.

As idades intermediárias podem manter-se sobre os próprios pés e lutar suas próprias batalhas.

O que é mais dilacerante do que os horríveis "asilos" nos quais alguns pobres idosos são condenados a viver e morrer.

Duas coisas ferem sempre que são vistas: juventude sem esperança e velhice sem paz.

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CAPÍTULO II

O DESENVOLVIMENTO INTERIOR DAS CRIANÇAS

"As crianças devem, acima de tudo, ser ensinadas a autoconfiança, o amor por todos os homens, o altruísmo, a caridade mútua e, mais do que qualquer outra coisa, a pensar e raciocinar por si mesmas. Devemos reduzir o trabalho puramente mecânico da memória a um mínimo absoluto e dedicar o tempo ao desenvolvimento e treinamento dos sentidos interiores, faculdades e capacidades latentes.

.... Devemos almejar criar homens e mulheres livres, livres intelectualmente, livres moralmente, sem preconceitos em todos os aspectos e, acima de tudo, altruístas." H.P. Blavatsky

O RETORNO À ENCARNAÇÃO

Qual será a nossa relação com as crianças? Primeiro, percebamos que a criança não nos "pertence", nem é uma "folha em branco" sobre a qual pais e professores possam escrever o que quiserem.

Ela traz consigo seu próprio caráter e as qualidades e capacidades que desenvolveu em outras vidas.

Se ele parece "herdar" certas características de seus pais ou de outros ancestrais físicos, isso se deve ao tipo de matéria, que expressa mais prontamente ou não certos atributos, que seus pais lhe proporcionaram, e também à enorme influência formativa do ambiente nos primeiros anos.

Há três forças operando para trazer uma alma a um certo lugar na vida.

Primeiro, há a tendência evolutiva geral, que, sem impedimentos, traria automaticamente cada alma às melhores circunstâncias para seu posterior avanço na evolução.

Mas essa força, a verdadeira "Vontade de Deus", que conduz todas as coisas ao seu cumprimento final e beatitude, é frequentemente obstruída por outros dois poderes: o karma pessoal estabelecido pelos atos do indivíduo em vidas passadas e os laços inquebrantáveis formados com outras almas nesse passado.

Quando a hora é madura, a alma, após um longo período de descanso, de cumprimento e paz nos mundos interiores, durante o qual tem assimilado as lições das experiências de sua última vida e as transmutado em poderes da alma, retorna à terra para mais um dia na grande escola da vida.

Ele volta um dia mais velho, um pouco mais experiente, com um pouco mais de suas faculdades inatas de mente e coração desdobradas.

Este é o modo como ele "cresce" de vida em vida na eternidade, e chegará um tempo em que ele certamente será aperfeiçoado:

"Aqui se assenta ele moldando asas para voar, O tipo do perfeito em sua mente, Na natureza em parte alguma pode encontrar." Tennyson

A alma está consciente de seu retorno? Apenas a altamente desenvolvida.

O ego em seu próprio plano está desperto e ciente, mas nestes planos inferiores é em grande parte inconsciente e precisa encontrar novamente outro corpo para expressão e experiência.

O retorno à terra é semelhante ao afastamento dela. Nos últimos momentos da vida terrena, a alma que parte vê, como numa visão, toda a sua vida passada, percorrendo de trás para diante, da velhice à

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infância.

Há uma razão muito real para isso.

É como se o homem espiritual, ao deixar a arena da vida, se voltasse e visse todo aquele dia passado de vida, onde ele teve sucesso e onde falhou. Então, completado o afastamento, ele mergulha por um curto tempo num sono pacífico, durante o qual seu corpo psíquico é ajustado a uma existência separada no plano psíquico.

Quando desperta, encontra ao seu redor aqueles que ama e que o precederam no mundo pós-morte.

A vida no outro lado, cada vez mais feliz e mais sutil, é realmente um processo de assimilação psíquica.

Geralmente, nada de novo é iniciado ali, mas o ego vive através de uma longa concatenação de eventos que surgem de sua consciência mais íntima.

No final, seu corpo psíquico se desprende dele, deixando-o por um tempo em contato com as esferas blissful dos mundos espirituais.

É quando esse processo se completa que ele se volta novamente para a terra.

Tanha, a sede pela existência senciente, surge novamente nele, assim como a fome física surge quando a digestão está completa.

Essa atenção voltada para fora, em direção aos mundos da experiência objetiva, faz com que matéria psíquica semelhante à de seu último corpo psíquico se reúna ao seu redor.

Ainda não está organizada.

A vida fará essa organização à medida que ele vive, mas ela vem com os skandhas, ou sementes de tendências boas e más, herdadas de vidas passadas.

Estas começam a diminuir e a colorir as radiações áuricas (que em uma criança pequena são branco puro) à medida que ficam sob a influência das mesmas qualidades em ação no mundo exterior.

Como seria maravilhoso se as crianças pequenas nunca ouvissem ou vissem nada feio, rude ou perverso.

Então o bom e o belo nelas floresceriam primeiro e, assim, adquiririam uma influência preponderante ao longo da vida.

Os primeiros sete anos de vida de uma criança são, em muitos aspectos, os mais importantes de todos, pois durante esse breve período os eixos do crescimento futuro, físico e psicológico, são determinados e fixados.

Não foi um dos Papas que disse: "Dê-me uma criança até os sete anos e todo o mundo poderá fazer o que quiser com ela depois"?

O corpo físico é tão preeminentemente o veículo do karma que é construído para um homem pelas ordens angélicas.

Nacionalidade, parentesco e ambiente são heranças kármicas de vidas passadas.

Nas profundezas dos mundos interiores, a cada momento da vida, escrevemos o registro de nosso próprio futuro.

Esse plano interior eterno, onde tudo o que já aconteceu ainda está acontecendo, é chamado pelos hindus de Gupta Vidya, ou registro oculto, e pela Bíblia cristã, "O Livro da Vida". "Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas, as quais em continuação foram formadas, quando ainda nenhuma delas havia." (Salmos 139, versículo 16)

É bastante fácil ver como isso é feito.

Tudo é realmente uma questão de comprimento de onda ou vibração.

À medida que agimos, falamos e pensamos, colocamos em movimento um círculo de vibração cada vez mais amplo.

A voz cria ondas rítmicas no ar; o pensamento cria ondas rítmicas, chamadas por Patanjali, o sábio indiano, de vrittis, sobre uma forma ainda mais sutil de matéria.

Todas estas estabelecem ondas sincrônicas, embora vastamente mais sutis e rápidas, nos planos circundantes e permeantes de matéria cada vez mais sutil.

Assim, toda ação, palavra, motivo e pensamento ressoa de esfera em esfera e, finalmente, registra-se naquela forma mais sutil de matéria chamada pelos hindus de akasha, e pelos filósofos, o Eterno Agora.

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O "LIVRO DA VIDA"

Esse "Livro" vivo e em movimento é governado e guardado por poderosas Inteligências, no Hinduísmo os Lipika ou registradores, no Cristianismo, genericamente falando, o "anjo registrador" que mantém o "Livro da Vida". A partir desses registros autoscritos, essas grandes Inteligências planejam o esboço principal da vida de um homem, em que nação ele deverá entrar, que família deverá unir-se, e os principais eventos inevitáveis da vida vindoura.

As escrituras muçulmanas dizem: "O destino de todo homem está pendurado em seu pescoço ao nascer."

Este é o verdadeiro horóscopo, conhecido pelos antigos caldeus, mas ainda não totalmente recuperado pelo astrólogo moderno.

Não devemos imaginar qualquer tipo de kismet, ou destino pré-determinado, no carma da vida.

É sempre uma corrente móvel e fluente, capaz de ser alterada ou redirecionada a qualquer momento, embora isso geralmente seja feito apenas pelo homem desenvolvido.

Os antigos indianos descrevem três tipos principais de carma.

Primeiro, a forma de "dinheiro à vista", pequenos eventos que fluem de pequenas causas, gerados dia a dia enquanto vivemos.

Depois, os eventos vindos de vidas passadas, manifestando-se como acontecimentos maiores inesperados.

Por último, a forma "acumulada", aguardando expressão adequada desde o passado remoto.

A maioria dos homens vive na superfície, mas um homem que deixa de fazer isso, ainda que inconscientemente, e começa a viver em um nível mais profundo, às vezes libera essa forma de carma, e isso pode trazer aparente dificuldade e desastre adicionais justamente quando ele está fazendo o seu melhor.

Assim, os bons parecem sofrer e os ímpios florescer como "a árvore de louro verde", porque a natureza não pede que almas-crianças aprendam lições difíceis demais para elas ainda.

"Deus não permitirá que sejais tentados além das vossas forças." (I Cor. X, versículo 13). Mas um dia as lições mais difíceis virão e o pagamento mais pesado será exigido.

"Não vos enganeis; Deus não se deixa escarnecer." (Núm. 32, versículo 23).

Desce nível após nível, através de inteligências sutis descendentes, o plano da vida de um homem, até que finalmente chega às mãos de um pequeno ser angélico cuja missão é construir o corpo vindouro dentro da mãe, tomando os materiais tanto do pai quanto da mãe e, ocasionalmente, muito pouco de outras pessoas da casa.

Muitas mães descreveram como sentiram influências invisíveis ao seu redor durante a gravidez.

A alma chega a uma determinada nacionalidade porque a vida em suas fileiras arredondará e desenvolverá características específicas. Ele vem para certos pais porque tem vínculos com eles de vidas passadas.

Nunca deveríamos falar do esperado "pequeno estranho", pois ele nunca é um estranho.

É sempre alguém que conhecemos no passado e, na maioria dos casos, amamos.

O conhecimento dessa verdade ajudaria a mitigar um mal prevalecente: a maternidade possessiva.

A criança não nos "pertence"; não fomos nós que a criamos.

Ele veio para os nossos cuidados, enquanto seu corpo ainda é jovem e imaturo, porque no passado o conhecemos e amamos.

A criança é influenciada antes do nascimento através da mãe.

Daí a conveniência de condições de paz e felicidade para todas as futuras mães.

Os antigos gregos colocavam belas estátuas diante da futura mãe para que seu filho pudesse ser moldado segundo belas linhas.

É de admirar que tantos corpos atrofiados e malformados nasçam em nossas grandes favelas?

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O PRIMEIRO SETENÁRIO: FÍSICO

Anjos invisíveis, devas, ou seres resplandecentes, como os chamam no Oriente, acompanham o fenômeno do nascimento e também o da morte.

Muito belos são esses anjos especiais.

Quando a criança nasce, seu corpo físico fica exposto às influências do mundo físico circundante, mas seus princípios internos ainda estão velados.

Na verdade, ele "nasce" em camadas sucessivas, durante períodos de sete anos, até crescer.

Durante o primeiro período de sete anos, a criança está se familiarizando com o mundo físico e, portanto, como nos ensina Maria Montessori, é grandemente atraída pela cor e pela forma; desejando tocar, manusear e provar.

As mães não deveriam se surpreender se uma criança pequena não tem senso de moralidade, é infantilmente egoísta; ela está recapitulando a evolução passada da raça.

Assim como antes do nascimento o feto percorre brevemente os vastos períodos da evolução física do homem, sendo ora como um peixe e depois coberto de pelo como um animal, assim também após o nascimento a criança percorre a evolução psicológica passada da raça.

Uma criança pequena é, de certo modo, apenas um pequeno animal, doce e encantadora como muitas vezes é, e o principal que importa para ela é sentir-se segura, adquirir bons hábitos físicos e viver em paz afetuosa.

Na verdade, uma atmosfera amorosa é essencial para as crianças pequenas — as penas que forram o ninho humano, necessárias até mesmo para o seu crescimento físico.

Uma criança que não foi amada e acariciada pela mãe fica prejudicada por toda a vida.

Agora se pode entender por que há uma porcentagem tão alta de mortes em orfanatos, e os médicos hoje recomendam mães adotivas bondosas e adequadas para os pequenos órfãos.

O "amor materno" deve ser calmo e profundo, sábio e compreensivo, não excitável, apaixonado nem possessivo.

As mães não percebem o mal que causam aos filhos pelo emocionalismo indevido.

Paz, paz afetuosa e segura, é requisito para toda criança pequena.

Nem se deve pedir continuamente a uma criança pequena que raciocine ou que dê demonstrações de sentimento.

Ambas as coisas virão com o tempo, mas apressá-las indevidamente muitas vezes frustra o que poderia ter sido uma adorável potência.

Com que frequência o bebê é exortado a sentar-se e prestar atenção; que esse esforço é antinatural se mostra nos olhos invulgarmente brilhantes do infante; o bebê deveria dormir durante seus primeiros anos e deveria ser amado silenciosamente.

Pior ainda é o hábito materno comum de extrair das crianças sentimentos emocionais e antinaturais.

"Você ama a mamãe, não ama? Você não quer machucar a mamãe, quer?" É uma tensão para o coração e a mente de uma criança pequena submeter-se a esses problemas.

Por outro lado, muitas adoráveis florescências em germinação na aura de uma criança são frustradas, às vezes destruídas para sempre, por tratamento áspero e violento.

Bater frequentemente produz excitação sexual antinatural, e a guerra psicológica produz nos anos posteriores uma alma torturada e frustrada.

Na verdade, os terrores da infância são tão numerosos e variados que às vezes nos perguntamos como a maioria das pessoas consegue ser tão boas quanto são.

Excesso de linguagem infantilizada não é aconselhável para as crianças, e o mais cedo possível elas deveriam ser ensinadas a participar do trabalho do mundo, pelo menos da parte dele centrada no lar e ao redor dele.

Poucas pessoas percebem como muitas crianças ficam terrivelmente entediadas, especialmente os filhos dos ricos.

Crianças mais pobres, ao menos, participam dos afazeres da vida, fazendo recados, cuidando do bebê ou da mãe, etc., mas o pobre menino ou menina rico não tem nada de válido para fazer; espera-se que brinque o dia todo e está cercado de brinquedos caros que não deixam espaço para o exercício de sua imaginação criativa.

Crianças mais velhas precisam sentir não apenas que "pertencem", mas que também são adjuntos necessários no bem-estar e no trabalho de seu pequeno mundo.

Todas as crianças devem ser tratadas com gentileza e respeito.

Seus corpos podem ser pequenos e fracos, mas o ego por trás deles não o é, e pode ser mais velho em evolução do que seus pais.

A maioria dos adultos consegue se lembrar de sua raiva impotente diante do modo como as pessoas mais velhas os tratavam, chamando-os de "levados" (um termo nunca compreendido pela criança),

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e a gente se pergunta como cresceria uma criança que fosse tratada desde o início com escrupulosa consideração e respeito.

Durante esses primeiros sete anos, a criança aprende absorvendo inconscientemente de seu ambiente e das pessoas nele presentes.

Daí a importância primordial do exemplo.

Dizemos: "As crianças são tão imitadoras", e assim o são; suas pequenas auras refletem, como num espelho, os humores passageiros de seus mais velhos.

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CRIANÇAS PSÍQUICAS

Até aproximadamente os sete anos de idade, o ego imortal está mais ou menos sombreando seu novo veículo, em vez de estar realmente encerrado dentro dele. Ele é posto, inconscientemente para si mesmo, em contato com seu novo corpo pelas hostes angélicas naquele momento antes do nascimento chamado "animação". Para a visão interior, essa influência parece uma cunha de luz cada vez maior no cérebro.

Por isso, algumas crianças são "psíquicas", vivendo em consciência tanto do mundo físico quanto do psíquico ao mesmo tempo.

Não se deve supor que a criança seja necessariamente mentirosa se fala de algo que os adultos não conseguem ver.

Muitas crianças sensíveis veem o mundo etéreo com seus "homenzinhos" que estão além da visibilidade humana normal, mas não além da visão psíquica da criança.

As fadas são as guardiãs naturais das árvores, das flores e dos insetos inferiores, e embora geralmente de inteligência elementar, são muito imitativas e brincalhonas e às vezes estão cientes das crianças, veem-nas e respondem de acordo.

Muitas vezes uma criança terá um companheiro de brincadeiras invisível, que pode ser uma fada ou uma criança que partiu da vida física; muitas mães falecidas confortam e brincam com seus filhos quando estes deixaram seus corpos através do portal do sono.

Quem não se lembra da adorável história do Padre R.H. Benson sobre o menininho solitário com quem Nossa Senhora brincava todas as noites?

Corretamente deveríamos contar histórias às criancinhas e ensinar-lhes poemas; a beleza evocativa despertada em suas imaginações permanecerá com elas durante toda a vida.

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O SEGUNDO SETENATO: EMOCIONAL

Por volta dos sete anos de idade, quando os segundos dentes começam a nascer, um fenômeno muito maravilhoso ocorre, que pode ser observado por pais e professores perspicazes.

Quase subitamente, a criança parece um pouco diferente, talvez não tão angelical e encantadora.

Até este momento, o anjo da guarda que construiu seu corpo também o tem vigiado desde o nascimento.

O anjo agora está partindo, e o ego divino da própria criança está assumindo o comando.

No caso de um grande gênio, isso às vezes ocorre muito mais cedo.

Muito logicamente, portanto, a Igreja Grega não considera a criança responsável por "pecado mortal" antes dos sete anos de idade.

Durante o segundo setenato, dos sete aos quatorze anos, o envoltório emocional da consciência fica exposto aos impactos do mundo.

Por isso, os quatorze anos, a idade média da puberdade, é chamada de idade sentimental.

Até os sete anos, o mundo físico externo molda o curso da nova vida; depois, o sentido interno e os valores começam a se desdobrar.

Portanto, nesta idade, o ensino pode ser dado por meio de imagens e parábolas, e o ponto de vista espiritual pode ser assimilado.

Como é a natureza emocional que agora floresce e se desenvolve, o amor, a apreciação e a misericórdia podem ser melhor inculcados durante os primeiros anos da adolescência.

Esta é a idade em que as crianças devem ser ensinadas a cuidar de animais de estimação, em vez de durante o setenato anterior.

Para a mente imatura, muito trabalho de memória pode ser exigido; não importa que a criança não compreenda plenamente o que aprende, pois isso lhe será revelado mais tarde.

Aproximando-se dos quatorze anos, tanto em meninos quanto em meninas, a natureza sexual desperta.

Em algumas crianças e em alguns climas, essa mudança começa em idade ainda mais precoce.

É frequentemente acompanhada por uma grande perturbação do sistema nervoso, mais especialmente nas meninas.

Exames e tensão mental devem ser desencorajados em meninas dessa idade; muitas vezes, professores e até mães não percebem o que essa grande mudança significa para toda a natureza de uma menina.

A explicação sobre a menstruação deve ser delicada e amorosa, e a criança deve ser levada a entender que é o modo da natureza de preservar o poder de criar um novo corpo sem perda ou dano para si mesma no futuro.

Evite a apreensão e o pavor que podem seguir instruções imprudentes sobre essa mudança natural.

Os meninos não têm essa evidência externa da chegada da puberdade, mas algo semelhante ocorre em sua constituição.

Em ambos os sexos, este é um período de instabilidade nervosa e emocional, e qualquer um pode ser tomado por depressões estranhas e ideias assustadoras.

Esta é a idade em que a religião e a arte são meios potentes para direcionar e até sublimar a vida criativa no jovem.

As crianças quase sempre têm curiosidade sobre sua própria origem.

Deve-se explicar isso a elas? Claro que sim, com amor, gentileza, mas com sinceridade e franqueza, pelos pais.

Fugir dessa responsabilidade pode ter resultados desastrosos, como quando a informação é obtida de babás ignorantes ou colegas de escola mal-intencionados.

Os atos da vida podem ser explicados de forma tão bela e simples que, a partir de então, nenhum pensamento maligno sobre essa função poderá tocar a criança.

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O TERCEIRO SETENATO: MENTAL

Durante o terceiro setenato, dos quatorze aos vinte e um anos, a mente começa a se desdobrar.

Nesse momento, a companhia de pessoas mais velhas é de imensa importância.

Talvez tenhamos ido longe demais em nossa glorificação da juventude como tal; a juventude precisa da influência estável da idade, assim como a idade precisa da inspiração vibrante da juventude.

A coeducação é aconselhável, e a segregação dos sexos é antinatural; pois meninos que veem apenas outros meninos como eles, ou jovens mestres imaturos, causa uma falta curiosa de desenvolvimento perceptível em anos posteriores.

Uma criança deve ter a companhia de membros do sexo oposto de sua própria idade, bem como a convivência frequente e conversas com adultos.

Ele deve entrar em contato, tanto quanto possível, com os trabalhadores do mundo de todas as posições; deixe-o ajudar o jardineiro, a cozinheira, o encanador; em sua vida adulta, ele será mais rico em compreensão, em sabedoria e em alma.

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NOSSA ATITUDE EM RELAÇÃO ÀS CRIANÇAS

Os pais devem ser filosóficos em relação aos filhos, não levando seus pequenos pecadilhos muito a sério, nem esperando que sejam uns "sim-senhores" obedientes. Muitas mães são sérias demais com seus filhos, que muitas vezes prosperam melhor com uma babá bondosa e saudável.

Deviam alegrar-se se tiverem um filho de vontade forte, vital e enérgico, pois é mais provável que realize algo valioso no futuro do que o autômato incolor que dá menos "trabalho" durante a infância.

As crianças não devem ser superprotegidas demais; o ego da criança pequena encontra alegria e crescimento ao tentar fazer as coisas por si mesma, por mais atrapalhado que seja.

Dentro do razoável, deve-se permitir que tomem decisões e escolham suas próprias roupas, ou como disse uma mãe sábia, quando questionada sobre permitir que seu filho de dez anos escolhesse seu próprio terno na alfaiataria: "Meu Deus, ele tem que se virar sozinho na vida, e quanto mais cedo começar, melhor." Quão melhor isso do que encontrar homens de cinquenta anos ainda presos às saias da mãe.

A confiança das crianças pode ser conquistada, não pedindo por ela, mas fazendo com que descubram que seus pais sempre ouvirão com simpatia e sem condenação, porque desejam sinceramente ajudar, não dominar.

Felizes são os pais cujos filhos os amam e reverenciam.

Amor e reverência não são direitos inatos dos pais, mas devem ser conquistados.

Os pais não devem esperar ser "camaradas" do menino ou da menina; a idade nunca pode ser exatamente isso para a juventude, nem a juventude deseja que seja assim.

A juventude quer o consolador, o mestre, o guia, pronto para simpatizar, pronto para ajudar, sereno e compreensivo sempre.

Quão mais refinada é essa relação do que a de um "camarada". Quão adorável é a juventude, mas a velhice também pode ser muito adorável; uma é o complemento da outra.

O nascimento de uma alma em encarnação é um longo processo, e não se completa totalmente senão muitos anos após o nascimento do corpo.

Aqui, novamente, quão maravilhosa é a intuição de um poeta! Essas verdades estão belamente expressas nas "Intimações de Imortalidade" de Wordsworth: "Nosso nascimento é apenas um sono e um esquecimento; A alma que se ergue conosco, estrela de nossa vida, Teve seu ocaso em outro lugar, E vem de longe; Não em total esquecimento, E não em completa nudez, Mas arrastando nuvens de glória é que viemos De Deus, que é nosso lar."

O Céu jaz ao nosso redor em nossa infância!  
Sombras da prisão começam a se fechar  
Sobre o menino que cresce,  
Mas ele contempla a luz, e donde ela flui,  
Ele a vê em sua alegria;  
O jovem, que diariamente, mais longe do Oriente  
Deve viajar, ainda é o sacerdote da Natureza,  
E pela visão esplêndida  
É em seu caminho acompanhado;  
Por fim o homem percebe-a morrer  
E desvanecer-se na luz do dia comum."

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Há alguns em quem os ideais brilhantes da juventude nunca morrem completamente, e esses são os jovens de coração, quaisquer que sejam seus anos.

Muitos homens zombam dos ideais de sua juventude e dizem que estão "mais sábios agora", mas não estão necessariamente mais sábios.

Apenas depuseram o cetro de sua própria majestade e abdicaram do trono de seu próprio poder criativo e imaginativo.

Ah! que os homens possuam esse poder e nunca o usem, essa kriyashakti dos deuses e dos homens.

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CAPÍTULO III

A YOGA DA MATERNIDADE                                      "O Céu jaz aos pés das mães."

--Maomé

A NATUREZA SAGRADA DO PARTO

O antigo legislador indiano, Manu, ordenou para os homens de sua casta mais elevada, os brâmanes, uma meditação de quatro horas começando ao amanhecer diariamente.

Quando lhe perguntaram o que ele ordenaria para as mulheres, sua resposta foi: "A maternidade é a yoga das mulheres." Esta afirmação do grande sábio é corroborada pelo ocultismo e pela medicina moderna.

O famoso vidente, C.W. Leadbeater, escreve que quando um ego teve uma vida como mulher, a vida celestial que a segue é frequentemente mais longa do que no caso de uma encarnação masculina.

É fácil ver por quê.

Que tremenda abnegação, ternura, paciência, renúncia de si mesma, devem caracterizar uma verdadeira mãe.

Não admira que ela tenha uma longa vida celestial a seguir!

Muitas mulheres temem o parto.

Isso é em grande parte o resultado de ensinamentos errados e conversas tolas.

O medo em si contrai os músculos e dificulta o trabalho de parto.

O Dr. Grantly Read, em seu livro, Parto sem Medo, escreve: "O parto é uma função normal e natural.

Sua recompensa final está fora de toda proporção com os sacrifícios incorridos.

Na lei natural, é a perfeição da feminilidade no grande desígnio para a continuidade da espécie.

É o objetivo das experiências emocionais mais fortes da natureza humana.

Muitas mulheres descreveram suas experiências de parto como associadas a uma elevação espiritual, cujo poder elas nunca haviam percebido anteriormente."

Testemunhei isso tantas vezes, e tornei-me tão profundamente consciente da inexplicável transfiguração das mulheres no momento da chegada de seus bebês, que fui levado, como de costume, a perguntar: Por quê? Não é sentimentalismo, não é alívio do sofrimento, não é simplesmente a satisfação da realização.

É algo maior do que todas essas coisas.

Será que o criador pretendeu aproximar as mães de Si mesmo no momento da plenitude do amor? Será que é a recompensa natural daquelas que aperfeiçoam seu propósito último na vida?"

A experiência do médico pode ser corroborada por muitos.

Mais de uma mulher declarou que o nascimento de seu filho, especialmente o primeiro, produziu nelas uma espécie de êxtase comparável à consciência extática de um santo.

Para elas, foi e sempre permaneceu como uma "iniciação". O Yoga da Maternidade é um yoga muito real.

Poderia ser dito a toda verdadeira mãe, como o Anjo disse à Mãe de nosso Senhor: "Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é contigo.

Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre."

O ocultismo nos diz que o processo do nascimento é assistido invisivelmente por certas ordens de anjos da natureza ou devas, e que no topo de sua hierarquia ascendente está aquela que outrora foi a Mãe de nosso

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Senhor aqui na Terra, a Senhora Maria, agora tornada a Mãe do Mundo.

Todas as mudanças na vida humana são assistidas no plano psíquico por belas formas angélicas.

Belos são os Anjos da Morte; ainda mais belos são os Anjos do Nascimento.

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O DIVINO FEMININO

A Índia sabe que um aspecto de Deus é a Mulher Divina.

Assim, sua grande Trimurti tem cada um sua esposa, ou Shakti, sem a qual Ele é totalmente impotente.

Ele é o poder estático, ela o dinâmico.

Assim, Brahma, o Criador, tem como consorte Saraswati, a Minerva hindu, que é sempre representada com a vina porque é a deusa da fala e do canto, enquanto seu marido é o deus do pensamento criativo.

Vishnu, o deus do amor, tem a Vênus hindu, Lakshmi, a deusa da beleza e da alegria.

E o grande Shiva tem a adorável Parvati, a "filha do Himalaia", a "Nossa Senhora" hindu.

Tais adoráveis tipos de feminilidade podem ser vistos na Índia, às vezes entre mulheres que não sabem ler ou escrever, mas que conhecem de cor as gloriosas estrofes de sua antiga e maravilhosa literatura.

Em nenhum outro lugar do mundo se vê tamanha graça e beleza requintadas como as encontradas na mulher indiana de alta casta.

Um brâmane certa vez disse com lágrimas nos olhos: "Sou um homem de quarenta anos, sou renomado nos tribunais como um Vakil de língua muito afiada, e ainda assim nunca deixei meu lar um único dia sem me curvar aos pés abençoados de minha mãe." A Índia tem culto à mãe, não culto à esposa ou à mulher.

A mulher não é fundamentalmente destinada a lutar na agitação do mundo, a competir nos mercados de trabalho, nem a se tornar nada além de uma caixa de cérebro.

Se ela apenas percebesse onde residem seus grandes e divinos poderes, o mundo poderia ser salvo em poucas gerações.

Não que as mulheres não devam ser totalmente livres, e com liberdade, se assim quiserem, para fazer qualquer trabalho que escolherem na vida; mas se tivessem os ideais corretos e antigos, na maioria dos casos escolheriam aquele trabalho que só elas podem fazer. Nenhum homem pode fazê-lo. Seu poder, comparado ao de uma mulher, é o de uma criança.

E em seus corações viris eles sabem disso, e anseiam inconscientemente pelo ideal, pela mulher sábia e graciosa para adorar, para entregar seus corações, e a quem recorrer como um refúgio de paz, amor e compreensão.

Pois o marido é, afinal, apenas o filho mais velho de uma mulher, e a construção de um lar não consiste em móveis ou adornos ricos, mas no espírito acolhedor de amor, paciência e perdão que forma um verdadeiro santuário de segurança.

Mas aquela que cria um lar adorável é aquela que se esqueceu de si mesma, cuja vida inteira é uma abnegação depositada aos pés dos outros.

Quão mais adorável isso pode ser do que todos os sucessos, sociais ou políticos, no mundo exterior, porque é o serviço de almas vivas e em crescimento.

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O PODER SUPREMO DA MULHER

Aqui está o verdadeiro yoga da mulher.

Não poderia haver uma maneira melhor, mais bela de encontrar Deus e tornar-se uno com Ele.

Estas são as palavras de um grande Adepto Indiano: "A missão da mulher é tornar-se a mãe de futuros ocultistas, daqueles que nascerão sem pecado.

Na elevação da mulher dependem a redenção e a salvação do mundo.

E somente quando a mulher romper os grilhões de sua escravidão sexual, à qual sempre esteve sujeita, o mundo obterá um vislumbre do que ela realmente é, e de seu devido lugar na economia da natureza."

A luz que virá ao mundo quando este descobrir e realmente apreciar este vasto problema do sexo será como 'a luz que nunca brilhou sobre o mar ou a terra'. Então o mundo terá uma raça de Budas e Cristos."

Ser uma boa mãe é um trabalho de toda a vida e muito árduo.

Muitas vezes sua mente deve ser embotada pelo contato contínuo com seres muito imaturos; muitas vezes ela deve se cansar do egoísmo inconsciente de todas as crianças pequenas.

Mas quando seus filhos crescem e se tornam homens, que recompensa é a sua! Seu coração está pleno, maduro, ainda crescendo, pois ela ajudou Deus a moldar almas imortais.

O autor dos seguintes versos é desconhecido, mas quão verdadeira é a ideia:

"Uma parceria com Deus é a Maternidade,                                Que força, que pureza, que autocontrole,                                Que amor, que sabedoria, deveriam pertencer àquela                                 Que ajuda Deus a moldar uma alma imortal."

E envelhecer como mulher e mãe, quão adorável! Uma sabedoria brilha em tal rosto — a sabedoria do coração.

Não apenas seus próprios filhos buscam conforto ali, mas todos os solitários, os confusos, os perdidos.

"Mater Consolatrix" é o mais belo título de Nossa Senhora e de todas as mulheres.

Um poeta irlandês, Joseph Campbell, expressou isso em versos muito belos:                                              "Como uma vela branca,                                                Em um lugar sagrado,                                                Assim é a pureza                                               De um rosto envelhecido.

Como o esplendor gasto                                               De um sol de inverno,                                               Assim é uma mulher                                            Com sua labuta terminada."

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═══════   Olhando para Frente — Clara Codd ═══════

Looking Forward por Clara M. Codd

Looking Forward                  A Fé Vindoura e... A Nova Ordem Social

por Clara M. Codd

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A HORA                         A FÉ VINDOURA                         A NOVA ORDEM SOCIAL                         A MENSAGEM DA HORA                         UM SONHO

EM SEU NOME                        O Grande Capitão da nossa Salvação e aos meus Semelhantes

Sentinela, que horas são da noite? O Sentinela disse: A manhã vem e também a noite: se quereis perguntar, perguntai: voltai, vinde.

Ele respondeu e disse-lhes: ... Sabeis discernir o aspecto do céu: e não podeis discernir os sinais dos tempos.

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A HORA

Nenhum de nós, nestes dias extraordinários, deixa de sentir vagamente a imensidade do momento, o tremendo significado da hora.

Em toda parte, em todas as direções, mudança sucede a mudança; choque após choque se segue em nosso mundo moral e mental, mais cataclísmico em efeito, mais perigoso para a nossa segurança impensada, do que a devastação ciclônica da guerra mundial em fúria.

Uma era de uma antiga ordem estabelecida de coisas está encerrando suas contas, um mundo de procedimentos e opiniões habituais está cambaleando para a sua queda, e ficamos sem fôlego, abalados, perguntando que nova ordem surgirá daí, e por vezes pressentindo vagamente que sob a maré evolutiva que avança uma Rocha dos Séculos se ergue, sobre a qual, repetidas vezes, a alma perplexa da Humanidade encontra novo refúgio e nova fé.

Esta hora, esta hora terrível e maravilhosa, como a compreenderemos? A vaga intuição do seu poderoso significado e propósito se expressa no sentimento universal: "O mundo nunca mais será o mesmo depois da guerra como era antes". Mas para esclarecer essa percepção obscura, é necessário apreender certos princípios de Vida e Propósito.

Uma coisa é axiomática e evidente por si mesma.

As rápidas mudanças, as concepções que se alargam, fazem parte de um grande plano evolutivo, e ocorreram em escala menor em épocas anteriores.

São o concomitante inevitável da mudança, o selo distintivo do período de transição que acompanha a hora da morte de uma era, marcando o fato de que a Humanidade, em sua grande jornada de Vida, está "um dia de marcha mais perto de casa". Para ser verdadeiramente compreendida, a Evolução deve ser vista de dois lados, dois aspectos da Vida que são inseparáveis, e contudo distintos em manifestação e método: Vida e Forma, ou como a Ciência diria, com conotações mais restritas — Força e Matéria.

Vida e Propósito são, em toda parte e em todos os tempos, um só.

Fundamentalmente, há apenas uma Vida, um Propósito, por trás de todas as multitudinárias, sempre mutáveis, infinitamente diversas Formas nas quais está vestido e expresso.

E a grande qualidade do lado da Vida na evolução é que está sempre pressionando para frente, suave, irresistível, incessantemente, em direção a uma manifestação e expressão mais plena, mais completa.

E por causa dessa pressão incessante, o grande "impulso" do Intuicionismo de Bergson, as formas, materiais ou imateriais, nas quais a Vida se reveste, cedem quando não conseguem mais incorporá-la ou expressá-la suficientemente, e desaparecem.

Elas cedem porque o lado da Forma na Natureza segue uma lei oposta, vindo a ser, elevando-se à maturidade e então cristalizando-se na velhice, estágio em que as forças sempre crescentes da Vida se tornam "reprimidas, confinadas e limitadas", e assim precisam romper para recriar-se de novo.

Assim, a morte significa em todo caso aumento de vida e nascimento para uma forma mais elevada e nobre.

A Vida é una, a Forma é múltipla; a Vida sempre aumenta, a Forma continuamente passa, aparece e desaparece sob a pressão da maré sempre avançante da Vida, da qual é a incorporação ou expressão em constante mudança.

A Vida luta sempre em direção ao Ideal, sua incorporação temporária é o que chamamos de real.

E o propósito último da Evolução é fazer dos dois um só, gradualmente aproximando aqueles que parecem polos opostos, até que um dia o real expresse perfeitamente o ideal, e o céu nasça sobre a terra, sendo Sua Vontade feita na "terra" como é sempre feita no "céu".

Tantas vezes lamentamos a passagem de uma amada incorporação, apegamo-nos com insistência desesperada a um modo de pensamento ultrapassado, sem perceber que todas as coisas devem passar, sejam da vida exterior ou interior, e que a vida

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que assim se expressava está agora encontrando incorporação mais nobre e verdadeira.

"A velha ordem muda, cedendo lugar à nova, — e Deus se realiza de muitas maneiras".

Nunca mais do que neste momento foi necessário compreender este grande princípio, pois com ele podemos dissipar a confusão do momento e traçar os contornos do futuro.

Ele opera em todas as esferas do nosso ser.

Nossos corpos passam para que vivamos de novo; velhas fórmulas de vida e vivência tornam-se sem sentido sob a maré avançante da Vida; civilizações desmoronam para que uma nova ordem social possa surgir sobre fundamentos mais belos e verdadeiros; eras envelhecem e morrem para que o mundo rejuvenesça em um novo "Dia" de Deus.

"Eis que faço novas todas as coisas", clama o imortal Espírito da Vida, "pois as coisas antigas já passaram".

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A FÉ VINDOURA                                                     -I-

Por todos os lados vemos este princípio universal da passagem da forma em operação em todos os departamentos da nossa vida comum.

Se olharmos com demasiada casualidade, demasiada superficialidade, veremos apenas a desintegração universal, a superfície rompendo-se.

Nesta hora, acima de todas as horas, cabe-nos olhar mais profundamente, não para aquilo que passa, mas para aquilo que vem.

Permanecendo momentaneamente como espectadores nas margens do Tempo, não olhemos apenas para a onda que se quebra a nossos pés, mas elevemos os olhos para aquela que se segue atrás, sobre cuja crista avançada cavalga o Espírito do Futuro, Aquele que assumirá o comando quando o mundo vacilar, purificado do fedor e do horror da guerra.

Bem para nós se os líderes da nação, tanto em sua vida material quanto espiritual, puderem tomar verdadeiro conhecimento daquilo que está sendo escrito neste dia.

Novamente, como há dois mil anos, o Coração do Mundo clama a eles: "Podeis discernir a face do céu; mas não podeis discernir os sinais dos tempos?" Pois desse discernimento depende a direção da maré, a salvação final do povo em toda parte.

Tão tragicamente verdadeiro para todos os tempos é que sem visão o povo perece.

O que está então acontecendo neste momento em nosso mundo interior, o mundo da mais profunda experiência e da mais intensa realização do homem? Olhando apenas para a superfície, poderíamos, sem pensar, concordar com o Bispo de Salisbury quando ele diz: "Foi-nos revelado o terrível e doloroso fato de que muitos estão abandonando o culto público, e que uma grande proporção do povo da Inglaterra dá pouca atenção à religião".

Você e eu não precisamos que o Bispo nos diga isso.

Por toda a extensão da Inglaterra, muitas igrejas permanecem praticamente vazias; a Igreja como forma organizada de religião perdeu seu domínio sobre o vasto corpo do povo.

A acusação jorra de todos os lados.

Quantas vezes vemos artigos na imprensa diária, todos tratando da questão de por que a Igreja nos falhou na hora de nossa mais suprema necessidade.

Que algo está errado é claramente sentido por muitos do próprio clero, pois os Arcebispos nomearam cinco comitês de inquérito para considerar quais reformas na Igreja são necessárias e qual deveria ser a natureza dessas reformas. "É terrivelmente verdadeiro", escreve o Rev. Dr. Selbie, ex-Presidente do Conselho Nacional da Igreja Livre e Diretor do Mansfield College, Oxford, "que Deus deu à Igreja a maior oportunidade que ela já teve, e que até agora ela foi negligenciada".

Por quê? Porque na cristalização causada pela passagem dos séculos, a Igreja cometeu e comete o velho, velho erro de apegar-se à letra que mata, em vez de avançar com o espírito progressista da Vida que sempre dá vida.

Estreito, ainda que sincero, formalismo, dogmatismo inflexível tem dificultado a Igreja Cristã, e foi deixado para um corpo não oficial como a A.C.M. (Associação Cristã de Moços) reparar em alguma medida suas omissões e falhas.

Nunca esquecerei como, na eclosão da guerra, a Sociedade de Observância do Domingo cobriu Londres com enormes cartazes apontando que os males da guerra haviam caído sobre nós por causa da nossa não observância do Sábado; nem como um pastor rural pregou sobre o tema das chuvas na frente de batalha impedindo nosso avanço, sendo um "castigo" sobre nós por cavarmos hortas aos domingos! Verdadeiramente, como diz o Dr. Selbie, "embora o futuro da religião seja tão certo quanto as colinas, o Cristianismo em sua forma atual pode possivelmente não sobreviver".

Dogmatismo significa morte em qualquer esfera da vida.

Pois o que é um verdadeiro dogma, devidamente compreendido.

Um símbolo,

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uma indicação, de uma grande verdade espiritual que nunca pode ser totalmente expressa em palavras, nem mesmo em ideia.

É um poste indicador apontando onde, nas asas da intuição, podemos elevar-nos à contemplação de uma verdade eterna, e se o tomarmos de outra forma, destruímos seu significado e propósito.

É interessante observar na evolução da Igreja Cristã a maneira pela qual a "sede da autoridade" mudou mais de uma vez.

Nos primeiros anos, o corpo de seus membros agrupava-se em torno de vários mestres, cada um olhando para seu líder como a autoridade final; então, à medida que o movimento se consolidava no poder de suas tradições, a autoridade tornou-se investida na Igreja.

Com a vinda da Reforma Protestante, a autoridade foi deslocada, para uma grande parte da comunidade cristã, da Igreja para as Escrituras, a anarquia da interpretação individual substituindo então o despotismo de Roma.

E mais uma vez, cerca de meio século atrás, a sede da autoridade começou a ser minada.

Com a vinda da "Alta Crítica", o nascimento da Ciência da Mitologia Comparada e da Religião, os aparentes ataques do tremendo avanço científico feito durante a Era Vitoriana, a letra da lei como revelada nas Escrituras recebeu choque após choque; e mais uma vez, o espírito no homem, buscando a certeza que sua alma exige, foi forçado a olhar ainda mais fundo.

E maravilhosamente está sendo dada a resposta nestes nossos dias.

Pois uma verdade mais maravilhosa está emergindo na consciência humana dos escombros do passado: esta, de que a autoridade final na vida religiosa repousa nas profundezas do coração humano, naquelas esplêndidas profundezas ocultas que os iluminados, os gigantes espirituais, de todas as épocas e de todas as fés, tocam, e assim alcançam a Divindade interna e externa.

Pois alcançar o Deus dentro de nós, o "homem oculto do coração, no que é incorruptível" de São Pedro, o espírito, o *pneuma*, da classificação tríplice de São Paulo, é tornar-se uno com a Vida Divina, o Propósito Divino, operando em toda parte, a grande "Superalma" na qual, ainda inconscientemente, o espírito no homem labora para nascer.

Esta proclamação triunfante da divindade inerente do homem é a nota-chave da nova Teologia, que ao mesmo tempo é a mais antiga Teologia do mundo, e esta verdade será a pedra angular da Fé Vindoura.

Uma nova concepção de Deus, e do Homem, está surgindo na consciência humana.

Um francês espirituoso disse uma vez: "No princípio Deus criou o homem à Sua imagem, e o homem tem retribuído esse elogio desde então". Sempre a nossa concepção da Divindade se eleva com o nosso crescimento, e nunca houve em tempo algum tal pessoa como um Ateu, pois todos os homens creem em algo maior e mais belo do que já conheceram, e quando um homem diz: "Não creio em Deus", o que ele realmente quer dizer é: "Não creio na tua concepção d'Ele".

Em estados selvagens, Deus é pensado com medo e tremor, um ser que personifica as temíveis, misteriosas e inconquistáveis forças da Natureza ao redor do homem; num estágio posterior de crescimento, Ele assume o caráter de um deus tribal, um que é o gênio presidente da tribo, que se agrada quando os inimigos da tribo são abatidos, ordenando que sejam feridos na coxa e no quadril.

E pareceria que nestes dias de civilização moderna algumas nações ainda não se elevaram acima da concepção de Deus como uma divindade tribal.

Esta era a concepção das primeiras escrituras judaicas que estão incorporadas nas nossas.

Após o cativeiro babilônico, uma nota mais elevada, aprendida da sabedoria da Caldeia, substituiu-a, o Grande Deus, o "Um

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sem segundo" do Oriente, Que era de fato o Pai de tudo o que vivia.

Ainda assim, Ele era pensado como à parte, ou sem o Seu universo, um deus extracósmico para a generalidade da humanidade.

Nestes grandes dias, uma concepção ainda maior e mais maravilhosa d'Ele surge; Deus, como o Pai de todos nós, não apenas fora, com o Seu universo, mas movendo-se misteriosamente dentro dele, totalmente imanente e também transcendente, o Seu imortal propósito cumprindo-se sempre através dos corações e mentes dos homens que, ao mesmo tempo, são eternamente os filhos do Altíssimo.

"Alguns chamam isso de Evolução, e outros chamam de Deus".

Acima de tudo, Ele Se revela no coração do Homem, de modo que aquele que quer a Deus deve servi-Lo no homem. "Acostumamo-nos", escreve o Sr. Francis John Moore, "(não é verdade dizer que fomos ensinados?) a ver o melhor no homem natural, através da sombra escura do pior, e a acreditar que o falso era verdadeiro, e o verdadeiro falso? Mas a guerra nos ensinou que estávamos errados, e sabemos agora que a última coisa ('original', se preferirem) na natureza humana é a bondade e não o mal".

Dessa percepção sublime brota o novo pensamento sobre Deus, expresso, entre mil outros, por H.G. Wells.

Novamente o Espírito de Vida, no tempo de juventude de um Novo Dia, clama em alta voz aos corações dos homens, que ainda em sua fraqueza presente são cooperadores e reconstrutores com Ele: "Deus é um Jovem, Deus é Coragem, Deus é Personalidade". Ele é o Rei invisível de uma República tão vasta quanto a Humanidade, o Chefe de uma Irmandade de Vida na qual os homens, na medida de seu crescimento, têm em comum a capacidade imorredoura de enxergar esse Futuro, também chamado de região dos ideais, que sempre buscam realização na terra, "a esperança da nossa futura glória".

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- II -

Há três atores principais na constituição de todo sistema religioso: Escritura, cerimonial, doutrina.

E há três maneiras de compreendê-los, como bem expôs um antigo Pai da Igreja Cristã, São Clemente de Alexandria.

Para o homem iletrado, sem instrução, de pequeno entendimento e escasso lazer para o pensamento, eles devem ser tomados literalmente, e mesmo assim são de utilidade e benefício para a humanidade.

Mas para o educado e pensativo, surge a convicção de que a narrativa escriturística e o dogma eclesiástico têm um significado mais profundo; que o sentido mais verdadeiro é alcançado quando são tomados como alegoria e símbolo, e nesse estágio se encontra a maioria dos homens civilizados de hoje.

O último e mais verdadeiro caminho, compreendido pelo santo e pelo sábio, é o caminho da interpretação mística, e este é o mais elevado e o mais próximo de todos.

Quanto mais elevado o caminho do entendimento, mais próxima a aproximação da unidade.

Com o crescimento da Ciência da Mitologia Comparada e da Religião, os homens começam a vislumbrar a unidade de inspiração que está por trás das grandes religiões do mundo e do tempo.

Eles começaram a distinguir entre Religião e sistemas religiosos.

Pois há uma diferença.

Os sistemas variam, e necessariamente, pois surgem em diferentes épocas na história do mundo, para diferentes raças sob diferentes condições: mas a Realidade à qual procuram conduzir-nos é, em toda parte e em todos os tempos, Una.

Os grandes santos e místicos de todas as épocas transcenderam os limites do credo, ainda que seus esforços titubeantes para descrever em palavras o inefável, o indescritível, o Nome que nunca pode ser nomeado, estejam revestidos da terminologia familiar da fé de sua criação.

Uma vez que o homem ascende a essas alturas, ele descobre a Realidade e a encontra em toda parte Una.

Doravante, para ele, o iluminado, um sistema é uma consideração secundária.

A casa imortal nos céus está construída, e o sistema que forneceu o andaime está concluído.

Como poderia ele desejar saber sobre Deus, o caminho até Ele, quando nos termos da mais profunda experiência humana Ele se tornou uno com a grande Realidade, o "Um sem segundo" dos Upanishads.

"Todos os Vedas (escritura inspirada) são tão úteis ao brâmane iluminado quanto tanques de água seriam em um lugar todo coberto de água", diz a Gita do Hinduísmo. "Todos os místicos vêm de um só país e falam a mesma língua", disse Blake, o vidente.

Esse "conhecimento de Deus" é a experiência suprema e final no crescimento do homem para cima, mas os caminhos até lá são tão numerosos quanto as almas dos homens.

Somente a comparação nos convence da unidade subjacente das grandes fés mundiais, se buscarmos o essencial, e como o Sr. Wells verdadeiramente diz, "o essencial da religião pode ser escrito em um cartão-postal". Novamente, quanto ao essencial, estamos muito bem de acordo.

É a ênfase indevida no não essencial que tem dilacerado os homens.

A "Regra de Ouro" da Cristandade: "Fazei aos outros o que queríeis que vos fizessem", é paralela ao dito do Buda: "O ódio nunca cessa pelo ódio, o ódio cessa somente pelo amor".

Novamente, no lado cerimonial, a unidade ritualística é muito marcante.

No grande templo budista em Buda Gya, no local onde se diz que o Buda alcançou a suprema iniciação do Budismo, senta-se uma gigantesca figura dourada do Mestre diante da qual os fiéis queimam pequenas velas, oferecem flores e joias.

Ao redor, capelas laterais menores abrigam outras figuras, algumas vestidas com retalhos de seda e cetim que lembram irresistivelmente a Bretanha católica.

Numa pequena igreja em Paris, construída no local onde centenas perderam a vida no incêndio de um grande bazar, ergue-se uma grande figura dourada da Virgem Mãe de Deus.

Contemplando a massiva imagem dourada do Buda em Buddha Gya, diante da qual inúmeros peregrinos depositaram flor e joia e luz, os pensamentos do escritor voaram de volta à memória de um dia em Paris, quando

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ela observou as oferendas e orações de devotos cristãos sendo derramadas diante de outro tal símbolo dourado do amor de Deus e da confiança do homem nele.

Quantos de nós também, que observamos a figura de um deus retirada do templo em procissão por uma aldeia hindu, nos lembramos de uma festividade semelhante num vilarejo bretão.

E a doutrina, o dogma, o que são eles, senão símbolos de verdades espirituais grandes demais para serem expressas em palavras, ou mesmo apreendidas intelectualmente, exceto de forma muito parcial e obscura — pois estas coisas são "discernidas espiritualmente". Tomá-los literalmente, como expressões completas, destrói seu propósito e utilidade.

Não há muito tempo, um pequeno livro triste, porém belo, foi publicado com o título "An Englishman's Farewell to his Church". "Deixe-me contar-lhe", diz o escritor, "o que os homens já não acreditam". E ele cita, entre outros, a doutrina do Nascimento Virginal, a Queda do Homem e o dogma complementar da Expiação.

Tomados literalmente, em verdade já não são acreditados.

Mas esses grandes dogmas são glifos tão antigos quanto o mundo, e comuns a toda fé.

A grande doutrina da Trindade, com a qual o Sr. Wells tanto se indispõe, e que quase toda fé mundial incorporou, é uma tentativa de expressar em fórmula um fato evidente por si mesmo na Natureza.

Mesmo no lado material ou formal da natureza não podemos escapar da triplicidade, pois que forma material existe que não seja limitada pelo espaço tridimensional, dando a todas as formas comprimento, largura e altura? Novamente, nos reinos da psicologia e da metafísica, a mesma qualidade trina aparece, os polos dos "pares de opostos" e a relação entre eles.

Não diremos que, assim como o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, sua atividade tríplice de pensamento, emoção e ação, das quais nenhuma é "anterior ou posterior à outra", é moldada para finalmente expressar o Ideal, a Sabedoria, o Amor e o Poder, e assim trazer à terra a qualidade de Deus.

A história do Nascimento Virginal contém uma verdade oculta entrelaçada com as histórias-mentiras de vários Líderes religiosos.

Refere-se ao Cristo Cósmico, Deus manifestado em um universo, ao estágio pré-evolucionário quando a Raiz da Matéria ou Forma mantinha em solução, em quietude, o Mar Virgem da matéria ainda improdutiva, foi apenas soprada pelo lado positivo, masculino, a "Vontade de viver", o Propósito Eterno, "o Espírito de Deus movendo-se sobre a face das águas", pelo qual as qualidades inerentes foram lançadas fora do equilíbrio e a diferenciação, a evolução, teve início.

Entrelaçada com o que precede está a história do homem, o microcosmo, o universo em miniatura.

Ele "caiu" quando a Divindade e a Eternidade dentro dele primeiro entraram no grande ciclo da geração, e vestindo-se em alma (a psique de São Paulo) e corpo, foi a princípio cegado por suas condições, mantido prisioneiro, "acorrentado, enjaulado e confinado". Vida após vida na escola da experiência da vida, o Filho de Deus nele (o pneuma de São Paulo) aprende lentamente a se expressar nela, e assim verdadeiramente redime, transfigura e exalta a alma e o corpo onde um dia habitará o "Homem Perfeito" do sonho do homem e da intenção de Deus.

Assim, somos salvos em última instância pelo Deus interno, bem como pelo externo, esse Eu Superior, o Cristo em nós, que é a esperança de nossa glória futura.

Sua é a final unificação (não expiação) quando, não mais consciente da dualidade — a guerra em seus membros do Espírito aspirante e, ainda, da matéria não redimida — ele se torna "Um, não pela conversão da Divindade (nele) em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus".

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- III -

Outro fator de enorme importância foi contribuído para a evolução de nossa consciência religiosa pela Ciência.

Nestes dias vemos se aproximar o cumprimento da profecia do santo Professor Henry Drummond de que a salvação da religião viria através da ciência.

Como se aproximam, esses antigos inimigos, ciência e religião, neste dia de unidade que se avizinha.

E, no entanto, não é surpreendente que a antiga ruptura encontre cura, pois o caminho da Ciência e o caminho da Religião são apenas dois métodos diferentes de abordagem da mesma Realidade suprema.

A Ciência é incansável na busca pela Verdade, e seu caminho é o caminho da mente com seus métodos de observação, comparação, investigação.

A religião também busca a Realidade, mas seu caminho é o caminho do coração, elevando-se sobre as asas da aspiração e da intuição; e somos lembrados das palavras de George Sand: "A mente busca, mas é o coração que encontra". Nestes dias, a ciência está promovendo a racionalização da religião, mas, ao mesmo tempo, está ela própria se espiritualizando.

Note a mudança na perspectiva da ciência agora, em comparação ao materialismo morto de seu âmbito na era vitoriana.

Naquela época, ela não queria nada com o outro mundo, chegando mesmo a negar que qualquer coisa além do corpo visível das coisas pudesse existir.

Mas agora, quão vastamente diferente! A ciência começou a lidar muito seriamente com o outro mundo.

Ano após ano, o véu entre o conhecido e o desconhecido, o visível e o invisível, torna-se mais tênue.

Vozes são ouvidas, passos vindos do Além, e a ciência não mais condena nem zomba.

Ela própria está alcançando a fronteira do invisível, ali conduzida em primeira instância pela sublimidade e verdade de suas próprias deduções intuitivas.

Uma vez, somente a religião dogmatizava sobre a alma; agora a ciência começa a substituir a piedosa esperança e a crença pelo conhecimento.

Um médico londrino, Dr. Kilner, conseguiu aperfeiçoar um aparelho pelo qual uma pequena parte do ainda invisível eu psíquico (psique - alma), permeando e irradiando do contraparte física mais grosseira, pode ser vista pelo olho físico normal; e um francês, Dr. Baraduc, de Paris, alcançou o mesmo fim com uma placa fotográfica de delicadeza superior.

Talvez a descoberta dos raios X, o advento da telegrafia sem fio, tenham preparado o caminho para a grande Aventura vindoura da ciência nos reinos ocultos da Natureza.

Que tal seja sua futura missão, Sir Oliver Lodge nos declarou ele próprio, e nenhum homem imparcial duvida disso. "O começo da prova", escreve ele, "é a telepatia — isto é, uma conexão entre mente e mente através de canais desconhecidos e aparentemente imateriais.

... Admitidamente, apenas uma minoria de homens científicos está disposta a declarar que uma nova classe de fatos necessita de investigação e é aparentemente um prelúdio para toda uma nova região do conhecimento inacessível por métodos exclusivamente materiais".

Uma minoria ainda, mas liderada por nomes como Wallace, Crookes, Lodge, Lombroso, a era vindoura verá a união da ciência e da religião, testemunhará o rasgar do véu entre a vida e a morte.

E então se verá que não há morte, mas apenas uma porta entre vida e vida em medida mais plena e radiante.

Nada está morto, em qualquer lugar de todo o vasto universo.

Nem mesmo existe algo como "matéria morta"; a matéria inorgânica, assim como a orgânica, vive, como demonstraram os experimentos do Professor Bose.

"Ora! não há morte", exclama o pequeno herói da peça de Maeterlinck, "O Pássaro Azul". Não há morte, mas apenas uma mudança de estado, ou o universo é visto cada vez mais como eternamente vivo em cada átomo do seu ser, sendo, de fato, nas memoráveis e esplêndidas palavras de Sir Oliver Lodge, "a vestimenta sempre crescente de um Deus transcendente". O maior Mestre que a humanidade conheceu proclamou uma grande profecia: "O último inimigo que será destruído é a morte". A era vindoura conquistará o Rei dos Terrores.

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- IV -

Qual é, então, a mensagem da hora para a Cristandade? Não, não apenas para a Cristandade, mas para homens de todas as fés sob o sol.

Os povos têm se movido em direção a uma fraternidade mundial, embora ainda não tenham levado seus governos consigo.

A era vindoura, que surgirá das ruínas pestilentas da guerra, não tolerará nada menos que a unidade.

Os olhos abertos dos homens verão que, para além de todos os credos, todas as declarações de fé, todos os sistemas, jaz a coisa maior e mais verdadeira de uma fraternidade humana indestrutível, uma esplêndida eternidade de vida e propósito movendo-se através de nós e unindo-nos a todos, para sempre.

Duvidar disso é negar Deus.

Uma vida nova e esplêndida, com toda a virilidade e força da juventude, começa a agitar-se nos corações dos homens, a erguer-se como um jovem do sono, a sacudir de si, como um gigante, os grilhões das coisas menores do que ele mesmo.

Eliminemos o Medo; ele não tem lugar no vindouro Dia de Deus.

Temer é negar eternamente o Senhor da Retidão e do Amor.

"O perfeito amor lança fora o medo". Temos nos aproximado uns dos outros nestes dias de angústia e dor indizíveis; e, aproximando-nos uns dos outros, descobrimos Deus.

Esse sempre foi o caminho, se o tivéssemos conhecido. Jerusalém! Jerusalém! se ao menos tivesses conhecido as coisas que pertencem à tua paz! Mas foram ocultadas de teus olhos até que o fogo da dor selou a verdadeira visão.

Para esta hora, o próprio desenvolvimento exterior do mundo tem tendido.

Pela primeira vez na história humana, o mundo redondo está ligado em um só.

Ferrovias, navios a vapor, telégrafos, jornais, trouxeram os confins da terra à justaposição.

Agora é possível uma fé mundial, uma política mundial, uma consciência mundial.

Qual será a nova fé? Como moldada, e como inspirada? Por enquanto, apenas seus contornos estão vagamente esboçados.

Mas dessa adumbração três verdades se destacam com surpreendente nitidez.

Uma é que sua prova final será a vida, não a doutrina.

Nas palavras do Sr. Francis John Moore — "Pois uma nova fé certamente haverá; uma fé cuja prova final não será nem a letra da Escritura nem a tradição eclesiástica, mas a experiência da vida comum... Não que não haja católicos e protestantes 'convictos', neocatólicos, não conformistas e que tais, que permanecerão o que sempre foram; há muitos deles; mas a tendência geral é na direção da simplicidade.

Em outras palavras, o cristianismo é concebido como um espírito e uma vida, e não como um credo, embora a crença específica ocupe seu lugar legítimo e necessário.

Homens de todos os credos foram lançados juntos em experiências estranhas e comuns, e nelas aprenderam que sob todas as diferentes formas de fé há uma fé e um espírito comuns que os une a todos, e que a vida vivida no alto nível do Cristo, e governada por Seu Espírito, é de maior importância do que as formas pelas quais sua devoção a Ele é expressa.

E uma vida cristã é compreendida.

A crença pode ser correta ou incorreta, verdade ou superstição, de acordo com o equipamento intelectual e a formação do sujeito; mas ninguém questiona a verdade de uma vida semelhante à de Cristo.

Ela é cristã, e é verdadeira, e a era vindoura não exigirá outro sinal".

Diz novamente o Rev.

Dr. Selbie: — "Ouço homens falando vagamente de unidade cristã.

Ora, eu vos digo que essa unidade não será realizada por esquemas ou artifícios.

Ela só será realizada por homens cristãos trabalhando apaixonadamente por um fim comum — a salvação das almas e das vidas dos homens".

Nessas palavras, o Dr. Selbie expressa outro aspecto da fé futura: sua esfera de ação será nossa vida comum, e ela trará a esse mundo tal virilidade e elevado propósito que transformarão e

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transfigurarão os domínios da política e da reforma social.

E tal futuro José Mazzini, guerreiro e santo, previu, profetizou."Religião e política são inseparáveis.

Sem religião, a ciência política só pode criar despotismo e anarquia", ou "a raiz de toda religião", diz ele, "é uma definição da vida e de sua missão".

Essa nova juventude e vigor refletem-se na grande figura do Líder e Redentor do cristianismo.

Sobre Ele também um pensamento mais novo começa a surgir.

Não mais como um pálido santo, um eterno sofredor e paciente Deus-homem Ele é vislumbrado, mas como Alguém que é homem de fato conosco, Guardião do coração comum, Mestre da mente comum, Líder do esforço comum.

O "primogênito entre muitos irmãos" torna-se o Irmão Mais Velho da Raça, Capitão e Líder neste dia da salvação dos homens.

Para citar o Dr. Selbie novamente: - "Mostre aos homens como o cristianismo apela ao heroísmo latente em todos eles.

Faça disso uma grande aventura". Com esse senso de pathos e, contudo, de exultante compreensão em resposta, as linhas de um soldado australiano sem nome, morto em Galípoli, nos tocam. Foram encontradas em seu corpo sem vida.

"Jesus, cuja sorte conosco foi lançada,      Que a viu até o fim, do início ao fim;      Paciente e destemido, terno, verdadeiro,      Carpinteiro, vagabundo, herege, judeu -      Cujo olho humorístico captou cada fase      Da vida plena e rica que o mundo exibe;      Contudo, sempre manteve em plena vista      A meta distante a que ela nos conduz:      Que, ao se aproximar tua hora, não falhaste -      O destino do Mundo tremendo na balança -      Com tua banda de meia-coragem a cear,      E a falar através do pão e do vinho;      Então saíste firme para enfrentar o fim,      Sozinho, sem um único amigo;      Que sentiste, como tuas últimas palavras confessaram -      Arrancado de um peito orgulhoso e inabalável      Por horas de dor monótona e ignóbil.

Tua luta de toda a vida foi travada em vão,      Pudesse eu ganhar, manter e sentir      Aquele coração de amor, aquele espírito de aço,      Não me deitaria em Teu seio      Para me esquivar até que as tempestades passem;      .................Coloca-me ereto      Em algum trabalho vil que temo e odeio;      Alguma rodada doentia de longo esforço,      Sem luz, sem descanso, sem saída jamais;      Tudo a um passo que não deve afrouxar,      Embora o coração estoure e os tendões estalem;      Névoa nos olhos, o cérebro a nadar,      Um peso como chumbo em cada membro

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E uma cova crua que dói como o inferno      Onde o sopro leve uma vez subiu e desceu;      Apenas me mantém, esperança ou nenhuma,      Alegre e firme até que tudo esteja feito,      E no último suspiro pronto a emprestar      Um esforço a mais para servir a um amigo.

E quando, ou assim às vezes sonho, eu tiver atravessado a nado a escuridão — o rio silencioso — tão frio que corta a respiração — que separa o mundo morto do dia, e avistar na margem além os anjos indolentes e despreocupados de pé; e, com sua fileira e olhos sem ouvidos, os companheiros que mais prezei; então, claro, desimpedido, descuidado, fresco, eu vagarei para fora do pálido poço e me juntarei aos meus amigos.

Então virás tu, o Capitão da nossa Companhia, chamar-me, examinar-me de cima a baixo, e deixar-me passar sem um franzir de testa, com meio sorriso, mas nunca uma palavra; e assim — terei encontrado meu Senhor".

Esta nova e esplêndida mentira que surge das profundezas ocultas do coração humano, esta vontade de mentira, de "beatitude e realização finais" de Emerson, é o "poder no homem que opera a justiça" de Matthew Arnold, e seu propósito crescente e abençoado, por fim, estamos aprendendo a confiar.

Um crítico espirituoso do livro do Sr. Wells, "God, the Invisible King", observa: "'Deus está no seu céu', escreveu Browning, 'tudo está certo com o mundo'. 'Deus está em nós', diz o Sr. Wells, 'tudo está certo com a humanidade'". E o futuro está com o Sr. Wells, pois essa é a terceira grande característica da fé vindoura que se torna visível através da escuridão.

Ela proclamará sem hesitação a Divindade essencial do homem.

Se uma palavra pode ser momentaneamente cunhada, ela tornará o céu comum e, assim, elevará a terra. Será uma era de "sim! sim!" em contraposição aos "nãos" do passado, a grande era da afirmação, uma era tão grande de "fazer" que esqueceremos os "não faças" de um mundo morto que tinha medo dos homens.

As almas dos homens, expostas nesta hora de provação e crucificação, mostraram-nos o herói, o santo, o deus que aguarda evocação dentro de todos nós.

Com isso, aprendemos a olhar sempre para o Ideal, cuja vinda ao real é o propósito inteiro da evolução.

Nós contemplamos com o coração palpitante o retrato nos jornais ilustrados do prisioneiro de Manchester que conquistou na morte a Cruz de Vitória.

Aquele homem nosso, cujo parentesco nenhum de nós agora ousará negar, é um tipo do futuro.

Que réquiem mais adequado poderíamos sussurrar por ele do que as belas palavras de Coventry Patmore: —

"Longe, ah! quem pode expressar quão cheio de laços e simplicidade é Deus, quão estreito Ele é, e como o vasto e desolado campo da possibilidade é apenas trilhado, direto à Sua morada no coração humano".

**Looking Forward** por Clara M. Codd

**A PRÓXIMA ORDEM SOCIAL**                                                       -I-

O avanço da nova era manifesta-se de forma igualmente marcante no mundo exterior das obrigações e relações humanas, assim como no mundo interior da consciência religiosa.

Um é, de fato, o resultado do outro, pois aproximar-se da realidade interiormente é também percebê-la mais claramente exteriormente.

E para compreender seu significado para o mundo em geral, não podemos fazer melhor do que tomar como guia no pensamento claro Joseph Mazzini, o mais espiritual reformador que já existiu, e que possuía o entendimento e a visão do gênio espiritual.

Embora tenha vivido e morrido há mais de meio século, ele previu a hora presente e leu seu significado com maravilhosa precisão e exatidão.

Para Mazzini, o mundo era a encarnação de uma ideia divina de perfectibilidade, a ser gradualmente realizada através do labor de todas as criaturas de Deus.

"A evolução progressiva do pensamento de Deus", disse ele, "da qual nosso mundo é a manifestação visível, é incessantemente contínua.

A corrente não pode ser quebrada ou interrompida". Ele ensinou — uma verdade evidente por si mesma, ensinada também por muitos dos antigos — que a vida do mundo avança através de grandes ciclos ou eras, cada um demonstrando para todo o tempo futuro alguma "palavra adicional de verdade". Dessa forma, a soma total dos grandes Dias da humanidade deverá soletrar a Palavra de Deus para o homem.

Cada era, ao chegar, formula um grande pensamento abrangente, que só é verificado na esfera da ação quando o intelecto humano em avanço já está absorvido no pensamento de seu sucessor.

Assim, "a hipótese da Idade Média é o princípio dos dias atuais: a ideia da Idade Média é agora uma lei reconhecida e admitida.

Alguém nega agora a liberdade e a igualdade em princípio? O monarca mais iliberal afirma que é o protetor dos direitos e liberdades de seus súditos contra a anarquia das ações.

A questão, na esfera dos princípios, está decidida.

A única luta é quanto à sua aplicação.

A disputa não diz mais respeito à lei em si, mas à sua interpretação".

O grande princípio que estes últimos dois mil anos da Era Cristã têm se ocupado em tornar claro aos homens é o princípio da liberdade individual, o direito sagrado e inviolável dos homens às suas próprias almas e corpos.

Ao longo de toda a época que passa, o impulso da Natureza tem sido nessa direção.

Daí a crescente consciência do eu pessoal, do valor e dos direitos do indivíduo.

Isso, por necessidade, gerou conflito.

Torna-se mais claramente consciente de si mesmo quando se está em oposição aos outros.

A crescente consciência da individualidade significava a luta cada vez maior por seu reconhecimento, a luta contra uma autocracia, opressão, tirania após outra.

Durante esta era, a consciência humana aprendeu a não mais tolerar a posse de escravos e servos.

O corpo de um homem tornou-se, teoricamente ao menos, sua própria posse.

Isso foi paralelo à luta pela liberdade religiosa, o advento do livre-pensamento, proclamando assim para sempre o direito de um homem à sua própria alma e mente.

"A primeira época do Cristianismo", escreve Mazzini, "foi constituir o homem individual como ele estava destinado a ser, livre, sagrado, inviolável.

E esta missão é cumprida através da Revolução Francesa, que foi a tradução política da Revolução Protestante... A declaração dos direitos do homem é a fórmula suprema e última da Revolução Francesa.... Ruínas houve sem fim; mas em meio a essas ruínas e negações uma imensa afirmação permaneceu de pé: a criatura de Deus, pronta para agir, radiante em poder e vontade; o *ecce homo*, repetido após dezoito séculos de luta e sofrimento, não pela voz do mártir, mas do altar erguido pela Revolução à vitória — o direito, a fé da individualidade,

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enraizada no mundo para sempre."

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- II -

O próximo passo era claramente evidente.

Tendo conquistado a consciência da liberdade e do valor individuais, os homens, ainda talvez mais cientes de direitos do que de responsabilidades através da luta para obter seu reconhecimento, começaram então a descobrir que outros indivíduos sofriam sob deficiências semelhantes às suas, gemiam sob os mesmos erros e opressões, e assim aprenderam a se unir, lutando a mesma batalha por direitos maiores, os direitos de uma classe, de um ofício.

Aprendendo na greve, no *lockout*, a submergir-se nos interesses de seus companheiros de trabalho, um homem crescia para uma consciência maior, a consciência de seu departamento particular do trabalho do mundo, a consciência de classe da qual outrora tanto ouvimos falar.

E novamente essa consciência de si mais ampla foi alcançada pelos mesmos meios, pela luta, pelo combate, pela afirmação de direitos diante de interesses opostos.

Apesar de sua crueza ocasional, do aparente egoísmo, da estreiteza de visão por vezes patética, a "agitação" trabalhista é fundamentalmente o grito da alma humana contra a tirania da maquinaria e do materialismo, contra a inércia da atmosfera coletiva de pessoas impensantes; novamente, aqui como em toda parte, a luta da vida contra a matéria, sua luta titânica em direção à liberdade, expansão e luz.

Quando aprenderemos que a alma da humanidade é uma coisa viva, e que sua vida é mais do que a carne e seu corpo mais do que o vestuário? Aqui, em nosso mundo de organização social, igualmente como no mundo religioso, são as palavras do maior Reformador que já viveu eternamente verdadeiras, de que "o Sábado foi feito para o homem e não o homem para o Sábado". Aqui, também, cometemos o velho erro de nos apegarmos à letra, aos invólucros da vida, em vez da própria vida, e assim esse grande e despercebido impulso avassalador nos varreu agora em uma catástrofe mundial sem paralelo na história.

"Desde esta guerra terrível", disseram-me pessoas mais de uma vez, "não posso acreditar em Deus". Ah! nunca acreditei tão apaixonadamente Nele, e no Amor e na Justiça que são Ele mesmo, como durante estes últimos quatro anos de horror e luta sem precedentes.

A fé é abalada porque o pequeno mundo da rotina confortável, das pequenas alegrias e tristezas pessoais, das conquistas cotidianas cercadas pelas cercas do que "todo mundo pensa" e do que "ninguém faz" foi rudemente invadido pela erupção de realidades tremendas há muito negadas! Estremecemos porque o vulcão adormecido, os fogos ocultos da miséria e da injustiça humanas submersas, sobre os quais todos habitávamos em uma falsa e imaginária — totalmente egoísta — segurança, finalmente irromperam abertamente com chamas e fumaça e som inimaginável.

No grande palco pictórico da guerra, vemos horror após horror representado diante de nossos olhos, sim, e graças a Deus! heroísmo após heroísmo.

O heroísmo da gente comum é a glória notável da hora.

Mas o que vemos representado no palco da guerra mundial foi representado subterraneamente naqueles tempos de paz que não eram paz, mas apenas injustiça hedionda e caos rumando diretamente para o desastre.

O que se dirá de uma "civilização" que não conhecia lei mais elevada do que o lucro e o ganho pessoais, que tratava os homens como "coisas", adorando os falsos deuses do dinheiro, do cargo e do poder? Estremecemos diante dos relatos de mulheres ultrajadas e de infâncias assassinadas na Bélgica e na Sérvia.

Mas o que dizer da feminilidade pisoteada, da lenta agonia da infância, das nossas cidades superlotadas, dos nossos cortiços e das tocas suadas dos trabalhadores explorados? No entanto, não podemos construir-lhes casas que sejam lares, por causa do preço da terra e do aumento dos impostos.

Agora, fazemos grande alarde das "Semanas do Bebê" e professamos grande preocupação com a questão da mortalidade infantil.

Na Alemanha, dizem, discute-se a criação pelo Estado de crianças ilegítimas e a questão dos casamentos múltiplos.

Algo em tudo isso nos aperta o coração com vergonha e dor.

Não é como matéria de canhão que buscamos salvar as crianças da nação, mas para salvar a própria vida, para que

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a vida possa crescer verdadeiramente em cada membro da família corporativa chamada nação, e para que possamos exaltar e tornar possível em toda parte as coisas que são eternamente caras e verdadeiras: paternidade forte, maternidade feliz, o riso da infância alegre, a glória de um lar.

A visão da juventude masculina mutilada em hospitais e gravatas escarlates nos dá uma pausa piedosa; no entanto, quantos de nós observamos com igual dor a masculinidade atrofiada e diminuída do exército do industrialismo moderno, os corpos envenenados, a chocantemente curta média de anos de vida entre os numerosos ofícios perigosos?

E o heroísmo que eleva nossos corações, quantas vezes brilhou despercebido nos longos anais dos pobres.

Lembro-me de uma faxineira de meu conhecimento cujo marido estava repetidamente desempregado, e que sustentava uma família numerosa fazendo faxinas durante o dia e lavando roupa à noite; lembro-me de uma querida senhora idosa e frágil, agora em seu descanso, cujos anos laboriosos incluíram noites incontáveis em que ela nunca dormiu, mas trabalhou até que outro dia amanhecesse novamente; e em minha memória surge também uma mulher morrendo de câncer no seio que não podia parar, nem encontrar tempo para ir ao hospital, porque havia crianças para alimentar e vestir até que a morte a chamasse, e depois, só Deus sabe por quem.

"Os moinhos de Deus moem lentamente, mas moem excessivamente fino", diz Goethe.

O Amor e a Justiça de Deus, que estão encarnados na vida e na natureza das coisas, e que um dia se erguerão triunfantes da última batalha e redimirão a humanidade para sempre, ergueram-se tremenda e violentamente em trovão, chama e fumaça, esforçando-se por despedaçar uma civilização que negou o Amor e foi fundada sobre a virtual repudiação do parentesco e da fraternidade humanos.

A era que passa colocou a propriedade antes da vida — mesmo no direito comum da Inglaterra de hoje, as ofensas contra a propriedade são frequentemente punidas com mais severidade do que as ofensas contra a vida humana — o sucesso antes da felicidade, o intelecto antes do coração, e está, portanto, a caminho da inevitável nêmesis que se segue à negação da Lei da Vida, que não pode ser transgredida.

Daí a grande inquietação, a maré oscilante, crescente e transbordante da vida, sobre cujas manifestações esporádicas de superfície os homens costumavam sentar-se e discorrer eruditamente, agarrando-se a uma palha após outra e rotulando-a de reforma econômica, política, social, quando o tempo todo o problema não residia em nenhum departamento da vida, nem seu panaceia em qualquer reforma única, mas na concepção equivocada e enraizada da vida que prevalece através da ignorância humana, e em todos os falsos adornos que nos ocultam das grandes realidades nuas dela.

O crescimento da consciência de classe provocou a luta dos anos precedentes, e tão feroz se tornou o conflito entre diferentes setores da população, incluindo nestes dias posteriores um sexo inteiro, que os corações dos homens foram dilacerados pelo esforço de discernir a saída, perguntando-se se, por fim, esse caminho seria encontrado pela estrada ígnea da revolução.

E, no entanto, o caminho estava claro o tempo todo, se apenas tivéssemos conseguido vê-lo.

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- III -

O que pode unir interesses opostos em um só, que ideal mais além transcende as fronteiras de ambos? A tragédia da guerra nos mostrou. Ela nos fez ver que, por trás de todos os interesses partidários, de toda reivindicação de classe ou ofício, reside um ideal ao qual todos igualmente se subordinam: o interesse da nação como um todo.

Ah! você diz, isso já sabíamos antes.

Nunca! Olhem para trás, para os quatro longos anos de guerra.

Antes daquele grande dia de agosto de 1914, o que eram a nação e o Império para a maioria de nós então? Algo em que raramente pensávamos, certamente não algo em função do qual organizávamos a vida diária.

Agora, quão vastamente diferente! Sob a pressão de um perigo comum, uma necessidade comum, aprendemos a subordinar fins privados ao bem comum, a transformar energias divergentes em uma poderosa corrente de esforço comum, e com isso criamos a mais maravilhosa máquina de guerra que o mundo já viu.

A nacionalização das indústrias, das necessidades da vida, tem avançado a passos largos.

Mudanças ocorreram que, há poucos anos, sonhadores utópicos teriam imaginado possíveis talvez no espaço de cem anos.


21 de novembro de 1917: — "Eu, em dois anos, um organismo tão vasto não pode apenas ser concebido e nascido, mas alcançar e desfrutar da força da maturidade; pense no que poderíamos fazer em vinte anos se nos dedicássemos não a preparar pessoas para a guerra, mas a reparar a guerra para as pessoas". Dos escombros do conflito, no caos e na ruína, devem surgir coisas novas — novas

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instituições, novas leis, novas ideias.

A guerra é um desastre sem paralelo em sua atrocidade, mas — o poeta encontrou beleza em uma tempestade — esta guerra, a pior, a mais horrível de todas, mostrou ao menos como visões divergentes podem ser mescladas por um propósito, como ideais conflitantes podem ser fundidos em uma esperança, como políticas em guerra podem encontrar umas nas outras elementos de verdade e razão.

Estamos no limiar da aurora de uma nova vida.

A noite que enegreceu o mundo está passando, e no leste está a promessa de um novo dia.

Uma tragédia tão grande quanto a própria guerra seria um retrocesso aos antigos antagonismos, aos antigos mal-entendidos, às antigas heresias.

Você não vê nada disso no filme (A Batalha do Somme, cinematografia oficial). Você vê um milagre de esforço criado pela primeira unidade real que a Grã-Bretanha já conheceu.

Nessa unidade, ciência e comércio, capital e trabalho, cérebro e músculo, estadista e aço, invenção e indústria tornaram-se um só.

Eles criaram em dois anos a maior Máquina de Guerra que a história já conheceu.

Que Máquina de Paz poderíamos criar se, quando não estivéssemos em perigo pessoal, percebêssemos que o Estado sempre tem inimigos a combater! A Pobreza é um prussiano, a carência é uma devassidão, a fome é um huno.

"Como construiremos a Nova Inglaterra"?

Assim, em nossos amargos anos de guerra, tornamo-nos nacionalmente conscientes, como nunca fomos antes, e todas as nações da terra aprenderam que são, cada uma delas, famílias, unidas por uma eterna comunidade de interesses e necessidades que não pode, não deve, ser negada sem desastre para o todo.

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- IV -

O crescimento da consciência nacional para a internacional é apenas um passo, já esboçado nas percepções crescentes dos homens; e esse é o grande ideal da era vindoura, a nova "palavra de verdade" que essa era mais feliz assimilará e aplicará.

Como Mazzini o coloca: a "Humanidade Coletiva" contra o "Individualismo" do passado, com seu consequente princípio de cooperação ativa, contra a competição do passado.

"Humanidade", diz ele, "é um corpo único; como membros desse corpo, estamos obrigados a trabalhar pelo seu avanço e a organizar tanto a família quanto o país rumo a esse objetivo".

A Unidade da Humanidade, o espírito de cooperação entre suas diferentes partes, esses são os grandes ideais de pensamento e trabalho que dominarão a era vindoura.

Politicamente, eles se concretizarão na formação de grandes Federações.

E a primeira delas será o que até agora tem sido chamado de "Império Britânico", embora, como o General Smuts corretamente afirma, o homem que nos der o nome apropriado para ele prestará a todos nós um grande serviço.

Pois não é um Império no sentido comumente aceito do termo.

Não é um Império como foi o grande Império de Roma, como a hegemonia que a Alemanha procurou estabelecer, um império mantido pela espada, pela subjugação econômica e pela escravidão política.

É a mais livre confederação de nações livres que o mundo já viu, e o vínculo que as mantém unidas, tão invisível e contudo tão forte, é o verdadeiro laço de esforço unido, de um idealismo comum e de um propósito comum.

E nessa poderosa federação vindoura de povos livres, dois parceiros devem encontrar seu lugar — a Irlanda e a Índia.

A Ilha dos Santos se tornará o coração e o centro de um novo impulso espiritual.

Os dias de sua antiga maldição são erguidos, e a qualidade espiritual de seu povo fluirá em muitos profetas, poetas, videntes, para a civilização nascente do futuro.

E a Índia? Para que fins eternos conseguiu a Grã-Bretanha, sozinha entre todas as nações, "conquistar" a Índia? Apenas para acrescentar uma joia à sua coroa de Império, para aumentar sua riqueza e campo de comércio? Ela deu àquela terra aflita unidade e paz, uma língua de comunicação, um grande ideal de nacionalidade, e agora, quando sua obra se aproxima da conclusão, ela acolherá em termos de igualdade a grande nação que outrora jazia aflita a seus pés; ela cimentará um grande laço de camaradagem que trará beleza e poder incalculáveis ao futuro. "Oriente é Oriente, e Ocidente é Ocidente, e nunca os dois se encontrarão", escreve o Sr. Kipling, desta vez não verdadeiramente.

Enquanto no mundo exterior dos negócios, do governo, da organização, o Ocidente tem sido conquistador do Oriente nestes últimos cem anos, no mundo interior dos pensamentos e imaginações dos homens, o Oriente tem permeado lentamente o Ocidente.

Iniciativas do Professor Max Muller, uma infinidade de traduções da literatura sagrada e da grande poesia do Oriente continua a inundar os mercados de livros do Ocidente, trazendo consigo a influência inevitável de sua magnífica espiritualidade.

Pois o Oriente está mais próximo do céu do que o Ocidente.

A separação artificial entre assuntos seculares e religiosos não existe lá como aqui.

A consciência religiosa do Oriente é difícil para o ocidental compreender.

Sua atmosfera, sendo tão parte integrante da vida diária, parece elusiva, inarticulada.

O senso de relação íntima entre a Ordem Divina e os assuntos humanos é tão pleno que, como ouvi certa vez um missionário queixar-se, não há "senso de pecado". Daí resulta, consequentemente, também menos atitude de culpa.

O dom de sua perspectiva espiritual sobre a vida diária é o que o Oriente está trazendo ao Ocidente, e, por seu lado, o Ocidente trouxe ao Oriente seu poder especial de organização material e avanço.

A junção dos dois através do médium da língua inglesa e de sua influência moldará a civilização do futuro.

Página — *Looking Forward* por Clara M. Codd

O dom da oportunidade chega às nações como aos homens, e a Natureza inexorável, porém benéfica, pesa-as continuamente em suas balanças do Destino.

Tal momento chegou para a Grã-Bretanha quando a Alemanha pisoteou os direitos e a dignidade da Bélgica e atacou a França.

Se ela tivesse escolhido a comodidade presente em vez da provação certa, a conveniência imediata em lugar do direito, teria descido pelo caminho do futuro desonrada, quebrada, perdida.

Mas, graças a Deus, ela escolheu de outro modo, e assim, para a sua grandeza, seu futuro está seguro.

Quantas vezes ouvimos que a Grã-Bretanha entrou nesta guerra por razões egoístas, que a diplomacia secreta, os tratados secretos, as manobras com o equilíbrio de poder, foram as influências que a trouxeram, e com as quais ela a trava? O que governa a mente dos Governos o homem comum pode não saber, mas isto é claro para todos: que a própria nação se ergueu em armas com um entusiasmo que nenhum Governo poderia resistir, em defesa da fraqueza injustamente atacada, no cumprimento de uma palavra empenhada.

O coração da nação era são em princípio, e assim os deuses lhe deram a tocha do Futuro, quando ela se erguer purgada e purificada pela dor.

Pois esse é o verdadeiro significado da guerra, neste grande tempo de prova das nações sobre a Terra.

É o desenlace final sobre a Terra da luta entre dois princípios contrários, um que dominou o passado e já está condenado, e outro que busca expressão no futuro e estende as asas da vitória por toda parte.

Fazendo todas as concessões a certas virtudes e excelências da própria nação, é ainda claro que o partido da guerra na Alemanha se tornou a expressão concreta das forças reacionárias na evolução — essa vontade cega de poder que não vê direitos fora dos seus, nenhuma excelência em qualquer "kultur" alheia à sua; esse individualismo intenso, tornado nacional, que é tão horrivelmente egoísta que se tornou cego, insensível, ambicioso, incapaz de ver, de compreender, de tolerar; cheio desse orgulho mortal e dessa falta de humor, que é o resultado da adoração do poder sem compaixão, do intelecto desprovido de coração.

As nações aliadas têm em suas mãos o estandarte de um ideal maior e mais verdadeiro; o Espírito de Retidão que sustenta tanto o pequeno quanto o grande, o Espírito de Força que desdenha abusar do seu poder na exploração de povos mais fracos, de coisas mais fracas; que se sabe mais forte nesse controle supremo do poder que os homens chamam de gentileza, a verdadeira força que herdará a terra, mas que pode surgir como um verdadeiro Flagelo de Deus quando a crueldade e a opressão caminham sobre a terra.

É o Espírito de Cristo contra o Espírito do Anticristo, neste que é o verdadeiro Armagedom do mundo.

O resultado da derrota da Alemanha será a federação do mundo.

Já ouvimos sussurros de um vindouro Estados Unidos da Europa, e isso se seguirá à primeira Liga das Nações, a vindoura Federação da raça anglo-saxônica.

Muito verdadeiramente, como diz o Sr. Wells, esta é a guerra que dará fim à guerra, e aqueles que agora dão a vida, dão-na para que esse futuro possa se tornar real, morrendo de fato para que gerações ainda não nascidas possam viver.

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-V-

Nos campos social e econômico, esse mesmo espírito do futuro está atuando e atuará mudanças enormes e fundamentais.

Teria sido dito há poucos anos que os antigos inimigos Trabalho e Capital jamais poderiam se encontrar.

No entanto, a Aliança Nacional de Empregadores e Empregados surgiu, e há uma manifesta mudança de coração e vontade em muitos grandes empregadores de trabalho hoje.

A antiga ideia da terra, ou de um negócio, como sendo a propriedade privada zelosamente preservada de um dono ou empregador está perdendo terreno. O pensamento cresce rapidamente de que o proprietário de terras, o empregador, é um mordomo do Estado, e ele está aprendendo a considerar seus empregados não como máquinas, mas como homens, com necessidades de alma e corpo além de seu valor monetário para o empregador.

Enquanto o Socialismo profissional tem pensado com viseiras, o Socialismo real, porque é a nota-chave do futuro, veio, e está vindo para ficar.

É claro para o senso comum de qualquer pessoa sem preconceitos que o que é necessário à vida comum de todos deve estar nas mãos de todos, através de seus administradores reconhecidos, o Estado.

É uma monstruosa obliquidade de visão a que pode admitir o poder de qualquer indivíduo de "segurar", ou "cantonar", ou controlar o preço de qualquer necessidade da vida.

Portanto, faço agora uma profecia com absoluta certeza e convicção: nos próximos cem anos, mais ou menos, veremos a nacionalização da terra e de toda indústria necessária à vida humana.

Por mais surpreendente que esse pensamento possa ser para alguns, seria bom que nos dedicássemos à sua consideração, pois nenhum poder na terra pode retardá-lo por muito tempo. Ninguém pode lutar contra Deus, e dizer que Deus o quer é apenas outra maneira de dizer que a Evolução está nos conduzindo nessa direção.

Um dia será tão hediondamente imoral possuir pessoalmente as necessidades da vida dos homens e seus meios de produção quanto agora é possuir suas almas e corpos.

O "escravo assalariado" está a apenas um passo do servo.

Na fraternidade de uma nação, os homens não deveriam precisar trocar vida por pão.

De mais de uma maneira, nossas classes dominantes e possuidoras estão começando a compreender isso.

O crescimento do espírito de amor, que é o verdadeiro espírito da vida, está movendo-as para isso.

Outro movimento avulta grandemente no futuro — o movimento pela reforma prisional, no qual campo de trabalho o Capitão Arthur St. John, verdadeiro cavalheiro e santo, tem prestado tão devotado serviço.

Quão rápido a maré da vida está fluindo desde os dias em que o prisioneiro era visto como um alienígena hediondo, torturado e degradado sem compunção.

Apenas cem curtos anos atrás, homens e mulheres eram enforcados por roubo de ovelhas e furto em lojas na Inglaterra.

Quase parecia que a selvageria da Lei Inglesa era moldada principalmente para proteger as posses daqueles que tinham daqueles que não tinham.

E ainda há uma lei para os pobres e outra para os ricos, e enquanto golpear fisicamente é cair sob seu braço, abusar do poder da posição ou da mentalidade superior para levar vantagem sobre um irmão-homem ainda é permitido pela generalidade da consciência pública e da lei.

Há desonra em usar "influência" para obter vantagem privada de cargos e fundos públicos, e um aspirante a Membro do Parlamento pode enganar um eleitorado com promessas jamais depois cumpridas.

Foi uma vez meu inestimável privilégio, nos velhos, velhos dias do Sufrágio Feminino, passar um mês como prisioneiro de Sua Majestade na Prisão de Holloway, e esse mês vive em meu coração para todo o sempre.

Recordo os rostos de minhas companheiras de prisão, nenhum dos quais parecia maligno, mas apenas cansado e atordoado.

Lembro-me dos atos pelos quais algumas delas estavam encarceradas, a prisioneira que trazia a costura diária, por exemplo.

Quatro meses por penhorar, em desespero, as camisas pelas quais recebia um salário miserável, para que seus filhos pudessem ter comida.

Lembro-me de como ela me contou que após sua sentença toda comunicação com o mundo exterior cessou, e como seu coração doía por saber o que havia acontecido com as crianças que ela supunha que os vizinhos cuidariam até seu retorno.

E a alegre companheira de prisão que me ajudou a vestir minhas primeiras roupas de presidiária, e me disse em

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sussurros que estava presa por cinco meses por "surrupiar um relógio, querida, e eu não teria feito isso se não estivesse bêbada na hora".

E lembro-me também da escuridão terrível, do sistema impiedoso de ferro fundido que magnificava pequenas infrações de costume ou disciplina em pecados hediondos, a monótona rotina de tarefas entediantes, o silêncio perpétuo, a terrível crueldade dos confinamentos solitários sobre aqueles que não tinham vida interior de pensamento e sonhos; a total falta de simpatia humana ou luz, exceto aqui e ali uma carcereira com alma acima do sistema; a capela todos os dias, os sermões de um ou outro dos dois capelães, um dos quais sempre voltava ao seu bête-noir, o "dragão da bebida", e o outro, melhor pregador, infinitamente mais entristecedor, pela condescendente familiaridade de seu tom.

Será que o Cristo, eu me pergunto, ah! será que Ele pediria aos seres humanos que despissem suas almas nuas para seus serviços profissionais, como um médico ordena que recrutas se despam para exame médico?

Mas aqui, como em outros campos, a maré crescente nos conduz. Todo o mundo conhece agora o trabalho do Juiz Lindsey de Denver City, da Governadora da prisão de Sing Sing.

A nova era não conhecerá mais prisões, nem mais asilos para pobres (às vezes custando ao contribuinte nove xelins por semana por indigente, o que bem poderia ser dado como pensão). Aprenderá a lidar com o crime como com a doença, e as enfermeiras de almas doentes e torturadas serão os melhores entre nós, e não os mais rudes.

Eles liderarão, não conduzirão e coagirão, liderarão pela virtude do amor e da coragem, sendo um ideal, não o pregando.

Há apenas um caminho pelo qual a alma do homem pode ascender, pelo amor a algo mais elevado do que ele mesmo.

Para os mais velhos em alma entre nós, aqueles cujos "dias" de vida na roda que continuamente gira de nascimento e morte têm sido mais frequentes, isso pode ser encontrado no mundo do pensamento e do idealismo.

Para os mais jovens, os "pequeninos" da família de uma nação, isso pode se tornar real, um poder vivo, somente quando se encarna em alguma personalidade próxima e querida.

Daí a tremenda faculdade de adoração a heróis que inspira a juventude, essa grande força natural para o bem tão frequentemente desperdiçada e deixada para ser desencaminhada.

A nova era prevenirá o crime removendo a miséria humana, abrindo espaço para que instintos humanos normais e saudáveis cresçam e se expandam.

Ela revelará que a embriaguez, a prostituição, o crime são melhor combatidos com luz, ar e felicidade, e que Conservatórios de Música, Teatros, Cinemas, Salões de Dança, Jardins, mantidos pelo Estado, são melhores do que todos os castigos e sermões do mundo.

O espírito da era vindoura também se desenvolverá em empreendimentos cooperativos em muitas outras direções — notavelmente na direção do trabalho doméstico.

Ousarei arriscar outra profecia e dizer que, daqui a cem anos, todos estarão fazendo a refeição principal do dia em um Restaurante Nacional.

E por que não? O inglês é afeito a declarar que seu lar é seu castelo, a ressentir grandemente qualquer intrusão nos costumes consagrados pelo tempo desse castelo, tem um grande senso de minha casa, meus filhos, minha esposa, mas nestes dias de consideração universal dos direitos humanos e das horas de trabalho, ele já parou para considerar a posição da esposa do trabalhador — como ela incorpora vários ofícios em um só, enfermeira e cozinheira e lavadeira e faxineira; que enquanto a população masculina pode deixar o cenário de seus trabalhos e ter pelo menos alguns minutos de mudança com cachimbo e cerveja, seja à sua própria lareira ou na atmosfera social do bar, o dia de trabalho da esposa começa antes de alguém se levantar e só termina quando todos estão na cama, e nunca há qualquer mudança ou chance de férias.

Certamente, se por cooperação pudermos aliviar o fardo da esposa e mãe, aprenderemos como fazê-lo.

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- VI -

Em resumo, qual é, portanto, a mensagem da hora para o nosso tecido social, quais os princípios condutores que deverão reger a ordem vindoura, e que já podem ser vislumbrados delineados na tela do Tempo?

Ela trará um senso cada vez maior de solidariedade e unidade humanas.

As diferenças exteriores serão em grande parte relegadas ao seu devido lugar, o secundário, e a unidade essencial da humanidade será reconhecida.

O desenvolvimento industrial e comercial tem contribuído para esse fim.

Ferrovias, navios a vapor, fios telegráficos, jornais, ligaram este globo redondo como nunca antes.

O navio a vapor tornou a comunicação entre os confins da Terra uma questão de semanas, em vez de meses.

O desenvolvimento do avião no pós-guerra fará disso dias, em vez de semanas.

"Terras estrangeiras" significarão outro planeta antes que passe muito tempo, e as ideias de "estrangeiro" e "pagão" estão fadadas a desaparecer.

Haverá um maior senso de responsabilidade pessoal e nacional.

A guerra nos ensinou com clareza impressionante a total interdependência de indivíduos, classes e nações.

Com o crescente senso de "alteridade", o senso de "meu" diminuirá.

A crença no direito divino da propriedade está seguindo o mesmo caminho da adesão ao direito divino dos reis.

As pessoas estão perdendo o antigo senso de "meu" e desenvolvendo o novo senso de "nosso". Cada vez mais os homens adquirem o senso de responsabilidade pública na posse e administração de dinheiro, terra e bens.

Estamos aprendendo a não pensar mais em termos de lucro, mas a pensar em termos de necessidade humana comum e felicidade.

E com o crescimento do senso de responsabilidade, o clamor pelo reconhecimento de direitos diminuirá, pois não passa do grito do coração da humanidade contra a estupidez cega, a agressão e exploração conscientes ou inconscientes.

Com a força vem a responsabilidade, seja o poder físico ou mental.

Os direitos pertencem sempre aos fracos, aos ignorantes, à criança e ao animal.

O direito de ser ajudado e não obstruído, de ser amado e não amaldiçoado, de ser conduzido e não impelido, de ser compreendido e não ignoradamente desprezado, de ter garantido um "lugar ao sol" em virtude da força de um irmão, enquanto ainda não se cresceu o bastante para conquistá-lo por si mesmo, e, por último e acima de tudo, o direito de aprender sendo paciente e voluntariamente permitida a cooperação, segundo a sua força, com aqueles que são melhores do que ele próprio.

A era vindoura tem sido chamada a era da mulher, a era da criança, a era do animal.

É a era em que a coisa fraca alcança o seu direito.

E, no entanto, isso significa uma força como nunca o mundo viu antes, ou a coisa fraca só pode alcançar o seu direito quando existe força para sustentá-la.

Um dos augúrios mais felizes, o sinal mais notável deste novo espírito, é a adoção universal de mascotes animais pelos regimentos aliados.

Quão grande mascote este espírito de camaradagem para com o "irmão menor" do homem se provará para as nações, só os deuses podem ver.

Ele não tem voz com que reivindicar seus direitos, e, no entanto, sofreu exploração mais cruel, sua vida livre e bela foi mais cegamente obscurecida do que a de qualquer filho do homem.

E este crescente senso de "alteridade" se espalhará, está se espalhando rapidamente, também para as concepções nacionais de honra e direitos.

Como o Sr. Wells tão verdadeiramente diz: - "O problema social é apenas o problema internacional no varejo; o problema internacional é apenas o social no atacado".

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Isso exaltará a dignidade do Trabalho, e com isso não quero dizer que o Partido Trabalhista será necessariamente predominante, embora ao ampliar suas fronteiras e alargar sua perspectiva ele prometa tornar-se o Partido Nacional do futuro, mas que um homem que não assume sua parcela plena da necessidade coletiva de trabalhar para que todos vivam se tornará um pária moral.

Estamos começando a perceber a verdade do ensinamento de Ruskin de que o luxo e a ociosidade só são possíveis em uma extremidade da escala social ao custo de sangue e lágrimas humanas na outra, e que toda a conversa fiada sobre o luxo "gerar trabalho" é totalmente falsa.

A produção será regulada pela necessidade humana, e os homens não serão mais esmagados pela carruagem juggernaut da busca de lucro sob o aguilhão da competição.

Com o gradual desaparecimento do sentimento de classe, de "superior" e "inferior", uma verdadeira arte do trabalho se tornará possível, e um senso de justiça que fará com que o trabalho repulsivo seja proporcionalmente bem remunerado, e o trabalho mecânico tenha suas horas de labor reduzidas, para que o outro lado do homem tenha oportunidade de viver.

Perceberemos que não importa que serviço um homem presta na nação, apenas importa como ele o faz. "Todo serviço ocupa o mesmo posto diante de Deus", cantou Robert Browning.

A Era da verdadeira Democracia significa o Reinado da Fraternidade, cuja aristocracia não é nem de sangue nem de dinheiro, mas uma nobreza de caráter e valor.

Tudo converge para uma concepção-raiz crescente: que os homens são almas e são irmãos.

As mesmas verdades imortais e sempre verdes foram cristalizadas para nós numa fórmula inesquecível pelo maior de todos os Mestres: "Um é vosso Pai, e todos vós sois irmãos", e disso decorre a consequente Lei do Amor: "Fazei aos outros o que quereis que eles vos façam".

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- VIII -

O Espírito da Nova Era agita-se dentro de cada um de nós. Ele nos liga coração a coração, se não necessariamente cérebro a cérebro.

Com um toque de clarim, uma verdadeira trombeta de Deus, clama a cada um de nós nesta hora suprema para dar e dar, tudo o que temos, tudo o que somos, para que o futuro possa ser construído seguro e justo.

Na terrível sinceridade dos tempos, nenhum homem pode viver apenas para si mesmo, para sua família, para seus interesses privados.

Ele deve aprender a pensar em termos de necessidade humana, prestar serviço a alguém fora das fileiras de seu círculo pessoal.

Pois depende de nós mesmos como esse Dia recém-nascido moldará seu futuro, enquanto ainda plástico e frágil.

Deus o cumprirá verdadeiramente, mas através, por e com nós mesmos.

O homem é eternamente cooperador com Deus, a limitação ou a expressão de Sua Vontade.

Os contornos desse Poderoso Futuro estão se tornando claros.

Com que espírito nos dedicaremos à tarefa? Dizemos que o amor fraternal recriará o mundo, mas sua chama deve ser alimentada pelo óleo do sacrifício, tornada dinâmica pela Rememoração de Deus.

Fraternidades falharam por falta disso; sistemas ruíram porque foram esquecidos.

O que é sacrifício? Não é a renúncia ao senso de posse pessoal e a manutenção de todo poder — material, mental, espiritual — como um truste para a Humanidade de Deus, no qual reside também a "Rememoração de Deus" — o Ideal?

Entreguemos toda a vida ao Futuro.

Para que mais ela serve? Milhares já renderam esse maior dom que um homem pode dar nos grandes campos de batalha da Europa, e assim, morrendo, conquistaram vida mais plena, pois voltarão a viver com poder acrescido e maior oportunidade de servir, tendo conquistado pelo sacrifício o direito de construir o mundo futuro que nesta hora morreram para salvar.

Construiremos nós com eles? Então também devemos doar a vida pelo caminho mais árduo de morrer diariamente para nós mesmos.

A vida nunca é tão esplêndida como quando a perdemos com coragem inabalável.

"A autopreservação é a lei da evolução para o bruto, mas o autossacrifício é a lei da evolução para os homens."

Diz Joseph Mazzini: "A salvação da alma, o progresso do ser individual através do infinito, o desenvolvimento do princípio de vida que Deus colocou em cada um de nós, depende da nossa atividade, das nossas lutas, dos sacrifícios feitos com alegria, para que a lei possa ser cumprida na terra.

Deus, ao nos julgar, não perguntará 'O que fizeste pela tua alma?' mas 'O que fizeste pelas almas irmãs que te dei?'"

E ainda: - "Devemos ascender à concepção da Humanidade para descobrir a regra secreta e a lei de vida do indivíduo, do homem.

Daí a necessidade de uma cooperação geral, de uma harmonia de esforços - em uma palavra, de associação, para cumprir a obra de todos".

Nos tempos antigos, dizia-se que se tivessem sido encontrados apenas dez homens de resolução e desprendimento em Sodoma e Gomorra, as cidades teriam sido salvas.

Cem homens de igual calibre poderiam salvar a Grã-Bretanha amanhã.

São necessárias apenas as virtudes imortais da Coragem e do Amor, aliadas à sanidade de feitos comprovados, não teorias verbosas, e iluminadas pela imaginação que vem de pensar nos amplos termos da

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humanidade e não nos termos de classe, credo ou ego.

Hoje, as palavras de William Blake, poeta, patriota e profeta, expressam por todos nós a tremenda inspiração da hora: -

"Traze-me meu arco de ouro ardente!      Traze-me minhas flechas de desejo!      Traze-me minha lança! Oh! nuvens, desdobrai-vos      E trazei meu Carro de Fogo.

Não cessarei o combate mental,      Nem minha espada dormirá em minha mão,      Até que tenhamos construído Jerusalém      Na verde e agradável terra da Inglaterra,"

Para que possamos ouvir e, ouvindo, avançar para realizar!

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A MENSAGEM DA HORA

NUNCA antes, talvez, na história do mundo, houve uma hora tão fatídica, tão plena de presságios, como a presente.

Repleta de possibilidades nascentes, desdobrando visões de ousadia e beleza inimagináveis, ela fala com um verdadeiro toque de trombeta de energia eternamente recriadora para nós "sobre quem os fins do mundo chegaram". Pois este é o "fim do mundo", a passagem de uma era no tempo e no espaço.

Quem entre nós pode duvidar disso? Após uma hora da noite mais escura, os tons rosados do novo dia que amanhece estão colorindo o céu.

E que Dia amanhece! Deus! que dia para os homens!

Se nos esforçamos, ainda que de maneira obscura e vacilante, para ler a palavra de Deus agora sendo escrita no Livro do Tempo, ela se forma em uma ideia-raiz, conceito, ideal.

Esse Ideal-Raiz é a Unidade.

Mazzini a via como "Humanidade Coletiva", com seu consequente princípio de ação, a cooperação, em oposição ao ideal-raiz da era que se encerra, a individualidade e a separação, com o resultado natural daí decorrente, a competição.

O passado tem se empenhado em desenvolver e completar a consciência separada do indivíduo, da classe, da nação.

O futuro convoca essas individualidades fortemente estabelecidas à cooperação consciente, manifestando mais uma vez o princípio fundamental da unidade, não por imposição externa, mas por impulso voluntário interno.

E assim a velha ordem passa, dando lugar à nova.

No plano externo da vida, costumes e sistemas estão sendo pesados na balança; no interno, doutrinas, dogmas, princípios.

Na fornalha de uma guerra mundial, as forças evolutivas em rápida movimentação os lançaram, e desse cadinho está surgindo "um novo céu e uma nova terra", mais verdadeiros, mais puros, mais nobres, mais dignos de uma humanidade que se aproxima diariamente de Deus.

O senso de ter uma missão para a humanidade foi dito pela Alemanha residir profundamente em seu coração.

Mas ela confundiu o crescente senso mundial da unidade subjacente a toda vida e propósito e o transformou em sua terrível paródia, a uniformidade, buscando impor pela força a um mundo relutante um governo, uma cultura, uma dominação uniformes, e isso o germânico.

Tão fortemente o materialismo saturou a alma da Alemanha que ela não conseguiu perceber os dois lados inseparáveis na evolução: a Vida e as multitudinárias Formas nas quais essa vida se expressa em toda parte, e que as leis que regem esses dois são fundamentalmente diferentes.

A Vida é una, indivisível, inextinguível e, portanto, o propósito é uno em realidade, movendo-se continuamente em direção a "um, distante, Divino Evento"; mas as formas nas quais a vida se reveste, intelectuais, estéticas, físicas, são eternamente diferentes umas das outras, e seu valor reside em sua diferença, o vínculo de união sendo não a aparência e o modo uniformes, mas o reconhecimento da unidade de objetivo e realização.

Portanto, no conflito mundial, as forças em guerra não são realmente nações, mas ideais, um que pertence a uma era passada e por isso condenado, e o outro brotando à vida a partir do futuro e por isso vencedor.

A consciência individual, seja como homem-unidade, classe ou nação, tendo-se fortalecido na luta pela liberdade no passado, agora transborda seus limites e traz um senso individual de unidade, de relacionamento "fraternal" e interdependência, a toda a humanidade.

Isso, por sua vez, foi acelerado no plano externo pela extraordinária interligação do mundo redondo nestes dias modernos, por meio do navio a vapor, do telégrafo, do jornal, etc.

É o espírito da época do qual nenhum homem pode manter-se totalmente alheio. Na esfera do pensamento, significa tolerância; no mundo da ação, cooperação.

O mundo não mais tolerará autocracias, tiranias de qualquer espécie.

O futuro é contra as autocracias, e as tiranias da Europa estão se desmoronando em pó.

Página — *Looking Forward* por Clara M. Codd

Liberdade e Unidade é seu lema; liberdade para proferir a liberdade de desenvolvimento e expressão, para pequenos e grandes igualmente, no lado da Forma; comunidade de objetivo, propósito, sentimento, no lado da Vida.

Portanto, neste momento tremendo, agarremo-nos firmemente à Mensagem do Futuro.

Sua palavra é clara, seu significado maravilhoso.

Que sua realização seja buscada em pensamento, palavra e ação, em todas as relações privadas e públicas, é o grande dever da hora para toda a humanidade.

O mundo marcha incessantemente rumo à sua beatitude e consumação finais, e esse grande Propósito do Mundo opera sua bela vontade através dos homens, partes integrais e crescentes da Ordem Mundial que desdobra a própria Divindade.

Ele nos chama nesta Hora a dar o máximo que podemos dar, até a própria vida.

Não podemos esquivar-nos dessa poderosa convocação, ignorá-la, negá-la.

Pois de nós, que vigiamos a noite, depende o destino do Dia que agora desponta, e o futuro da humanidade que possuirá esse dia em toda a sua força e esplendor.

Tão grande é a Hora, tão tremenda, tão divina, a questão!

Página — *Looking Forward* por Clara M. Codd

UM SONHO

O Sr. H. Gordon Selridge, em um discurso sobre "Organização Empresarial", declarou que este país carecia dessa coisa esplêndida: "liderança". Alpha of the Plough escreve no *Daily News* sobre "Grandes Homens" e a importância vital de uma capacidade nacional de distingui-los.

"A única segurança da democracia", diz ele com toda a verdade, "é conhecer a grandeza, a grandeza moral, quando a vê". A questão é: Onde está o Homem? Como é que estes tempos supremos não produziram nenhum homem verdadeiramente grande, pergunta-se repetidamente, de uma forma ou de outra, na imprensa diária, mas a verdade é que, embora pessoas notáveis estejam conosco em abundância, a imensidão dos tempos aniquila todo o poder pela sua magnitude.

Nenhuma grandeza comum é suficientemente grande para o controle e a condução de questões que afetam, pela primeira vez na história, não apenas nações, mas um mundo.

E, no entanto, a busca continua pelo líder vindouro.

Em muda e inarticulada paciência, os homens aguardam a sua chegada.

Quase parece, por vezes, como se uma nota soasse nos corações humanos de esperança adiada.

Avançamos com corações palpitantes, por vezes pensando ouvir o som da sua vinda, e ainda assim não chegou aquele que é suficientemente grande para os homens.

O último som veio quando o Presidente Wilson começou a dizer com dignidade e clareza as coisas que deveriam ser ditas, assumindo assim, de imediato e indiscutivelmente, a liderança moral do mundo.

E, no entanto, não era ele, não inteiramente ele!

A atitude do mundo é de expectativa, um anseio tenso por ser libertado dos laços da pequenez e do orgulho, um clamor sem voz pela verdade, pela justiça e pelo amor, um longo olhar para as perspectivas dos céus invisíveis que nos cercam, um anseio por ser guiado, como os homens sempre ansiaram por liderança.

A verdadeira liderança é a maior necessidade do homem, e uma das coisas mais patéticas do mundo é a maneira como essa fome do coração dos homens por orientação e inspiração os leva, na falta de heróis reais, a exaltar a falsidade e a dar lealdade de todo o coração à irrealidade.

Os homens amam um Homem, e o Sr. Graham Wallace está seriamente perturbado com o resultado desse fator humano no futuro da Democracia.

Ele pode não compreender que esse instinto humano inerradicável exerce tal poder, porque no Grande Homem todo homem vê a realização de si mesmo, a possibilidade eterna para a qual a sua alma estende braços obscuros e anelantes.

O poder da Personalidade é a maior força do mundo, pois para a maioria dos homens as ideias e os ideais só assumem realidade quando encarnados em forma humana.

"As ideias são inúteis", disse certa vez o Rev.

R. J. Campbell, "até que a personalidade lhes empreste asas."

Página                                  Looking Forward, de Clara M. Codd

- II -

O Sr. Wells apega-se à crença de que a agitação religiosa e social destes tempos unirá a humanidade sob a realeza da Divindade, Deus, o Rei Invisível de um sistema mundial de estados republicanos.

Sim, mas "Deus" não será real para a maioria dos homens a menos que Sua Verdade, Sua Beleza, Sua Maravilha, Seu Poderoso Amor, Seu Poder irresistível, sejam refletidos em uma Personalidade suprema e completa em forma humana.

Um "pouco de Deus" vive dentro de cada um de nós, eternamente impulsionando para a plena expressão através de nós. É por isso que ansiamos por ver o Homem em quem essa Divindade oculta encontrou liberdade e expressão.

Ele é nós mesmos, a promessa do Futuro para tudo o que vive.

Nesta hora de nossa mais profunda necessidade, mundial, imensa, insondável, o clamor se ergue por Ele como nunca antes.

Quem corporificará por nós os anseios informes por Verdade e Beleza que agitam os corações de todos os homens neste dia? Que homem é grande o bastante para guiar as aspirações trêmulas, os novos entendimentos nascidos da dor e das lágrimas e da perda irreparável? Quem convocará a resolução oculta de multidões de homens à chama, direcionará seu poder e energia para canais verdadeiros, falará conosco como um Homem para homens, proferirá por nós nossos mais caros idealismos, nos conduzirá como ansiamos ser conduzidos, convocando um mundo a recriar um mundo, conduzindo a vida à vitória e à realização para que os amados mortos não tenham morrido em vão? Quando a hora soa, diz-se, o homem está lá.

A Hora soou.

Ele vem.

E assim aconteceu que caí em um sono profundo, e em um sonho vi os dias que estão por vir sobre a terra.

Pois a resposta ao clamor da humanidade em sua agonia havia chegado como sempre chegou, e chegará, uma e outra vez, enquanto a roda da Evolução gira, até o fim dos Tempos.

Um Caminhava mais uma vez entre os homens, através de Quem a Face de Deus brilhava com toda a glória da Manhã.

Os antigos nomes para Ele se agrupavam ao Seu redor: o Maravilhoso, o Conselheiro, o Poderoso Senhor, o Príncipe da Paz. Os homens sabiam em Sua Presença que Ele era, em verdade, o Irmão Mais Velho da Raça, há muito já liberto da necessidade da experiência humana, da luta humana, da dor e da alegria humanas na Grande Escola da Vida, porém relembrando cada passo do Caminho que Ele próprio outrora trilhou em éons passados, e assim mantendo cada coração em Suas mãos.

Verdadeiramente o Sumo Sacerdote da Humanidade, "segundo a ordem de Melquisedeque para sempre", o aspecto de Personalidade de Deus para o Homem.

E os homens sabiam que não havia outro senão Ele, que Ele era o Coração de toda fé mundial, o Líder de toda causa que já tenha favorecido os homens.

Os doentes, os tristes, os pecadores encontraram novamente cura em Suas Mãos, os fortes tal alegria em sua força a serviço, os amantes dos homens tal inspiração em seu trabalho, como nunca antes conheceram.

A Sabedoria habitou novamente entre nós, e as asas do Seu Amor envolveram os corações dos homens, e Sua Força trouxe cura a um mundo nascido de nova dor.

Assim amanheceu o Dia, e o Homem dos Homens abençoou a Hora do seu nascimento.

Para vós escrevo isto como um sonho, mas para mim não é sonho, mas a mensagem culminante da hora.

"Die Glöck" da imprensa alemã desacorrentada escreve: "Maior anseio pelo Redentor do mundo jamais poderia ter havido do que o nosso anseio de hoje por libertação deste flagelo de Deus!"

Página                               Olhando para o Futuro por Clara M. Codd

Assim mesmo, vinde! Senhor Cristo, Líder e Capitão dos homens.

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═══════   Cartas a Aspirantes — Clara Codd ═══════

CARTAS A ASPIRANTES                                   Por Clara M. Codd

PREFÁCIO

Nada em todo o mundo importa tanto quanto o crescimento em cada um de nós de uma perspectiva espiritual sobre a vida.

A Dra. Annie Besant definiu espiritualidade como "a percepção intuitiva da Unidade". É a percepção da confiança na entrega total à Vida que é a Sombra de Deus na terra, e a alegre aceitação de todos os eventos mutáveis e incessantes dessa Vida que são Deus em ação.

Pois, sempre e eternamente, a Vida significa apenas nosso bem eterno.

Por baixo estão os Braços Eternos.

E a espiritualidade nasce de pequenas coisas feitas "em Seu Nome e pelo amor do homem".

Estes pequenos capítulos foram extraídos e reunidos de cartas escritas a um grande grupo de correspondentes em todo o mundo.

Eram cartas, escritas em intervalos regulares a alguns de nossos membros que desejam levar o que se chama a vida espiritual, e, em qualquer caso, uma vida de dedicação aos nossos Mestres e à Sua grande obra.

Acreditou-se que o que foi escrito a poucos poderia ser útil também a outros que desejem lê-las.

Daí este livro.

Clara M. Codd

Nosso Trabalho

Ocultismo

"Sê Fiel nas Pequenas Coisas"

Meditação

"Para Que Meus Olhos O Vejam"

Tempo

O Começo do Caminho

Sacrifício

Sobre Ser um Canal

A Natureza da Caridade

Deveres, Ansiedade e Remorso

Autossatisfação e Crítica

O Problema da Oscilação e Reação

Pureza

Fracasso

Confiança e Auto-Entrega

Nota: Abreviações usadas ao longo do texto: "H.P.B." para Madame Helena Petrovna Blavatsky

CAPÍTULO -1-

NOSSO TRABALHO

Nosso propósito na vida é trabalhar sabiamente para nossos Mestres e fazer constantemente tudo o que pudermos para nos aproximarmos de Seus Pés Abençoados.

O que é esse trabalho? Consideremo-lo um pouco.

Nos estágios iniciais da aspiração, aconteça o que acontecer depois, o Mestre não pede a nenhum de nós que faça outra coisa senão viver a vida comum tão belamente e com um espírito tão dedicado quanto pudermos.

O discipulado, pelo menos em seus estágios iniciais, não é uma questão de circunstâncias exteriores ou privilégios especiais.

É simples e somente uma atitude da alma, uma orientação do espírito.

Anseio que cada um de vocês adquira lentamente o espírito do Discipulado.

Este é o espírito de devoção total, de nos colocarmos, como disse o Bispo Leadbeater, fora do centro do nosso próprio círculo e colocarmos o Mestre e Deus ali em nosso lugar.

Uma vez que tenhamos verdadeiramente dado nossos corações e vidas a Ele, damos a Ele o direito kármico de reorganizar nossas vidas.

Ele fará isso, não porque possa jamais revogar o karma, mas de tal maneira que aproxima cada um de nós do trabalho que podemos fazer por Ele.

Não observeis sinais especiais ou sonhos, mas as circunstâncias diárias.

Estas indicarão gradualmente a cada um de nós a vontade do Mestre.

E Sua obra é toda a vida, pois Ele é um mestre da grande ciência da Vida e da Arte de viver que é o verdadeiro ocultismo.

Colocai-O atrás de vosso empregador, vosso marido e vossos filhos; por mais que os ameis, percebei que Ele os ama ainda mais, e que sois Seus pequenos agentes aspirantes para levar algo de Seu amor e força a todos os outros; àqueles que amais e àqueles que encontrais nos negócios ou no prazer.

Assim, Ele quer que demos exemplo de vida bela: que sejamos mães adoráveis, excelentes homens de negócios, e assim por diante, porque havemos de ser d'Ele um dia — ou melhor, se o quisermos em nossos próprios corações, agora, neste minuto.

Ele não pode nem dirá não se oferecermos puramente nossas vidas a Ele.

Mas devemos oferecer puramente, sem nem metade de um pensamento sobre que avanço ou benefício obteremos.

Nunca especuleis sobre quando "chegareis", ou se alguém já chegou. Isso denota um espírito bastante natural, mas mesquinho, de barganha celestial.

Devemos dar ao belo e adorável Mestre o melhor, ou melhor, toda a nossa vida, seja ela qual for, e nunca, nunca permitir que pensemos em como nós, em nossas tolas e pequenas personalidades, seremos beneficiados por isso.

Ajude o trabalho teosófico o quanto puder, porque Ele o fundou e o destinou ao conforto e à iluminação deste triste e cego mundo; mas lembre-se de que, tão importantes e tão abençoados aos Seus olhos são os pequenos deveres diários, as bondades amorosas e os sacrifícios da vida cotidiana.

Ali está nosso campo de treinamento.

Como o próprio Mestre K.H. disse ao Sr. Sinnett: "Que melhor causa ou recompensa, que melhor disciplina do que a execução diária e horária do dever? Creia-me, meu 'pupilo', o homem ou a mulher que é colocado pelo carma no meio de pequenos deveres, sacrifícios e bondades amorosas, através destes fielmente cumpridos, ascenderá à medida maior do Dever, do Sacrifício e da Caridade para com toda a Humanidade — que melhores caminhos rumo à iluminação que almejais do que a conquista diária do eu, a perseverança apesar da falta de progresso psíquico visível, o suportar da má sorte com aquela fortitude serena que a transforma em vantagem espiritual — já que o bem e o mal não devem ser medidos pelos eventos no plano inferior ou físico".

À medida que crescemos no espírito de dedicação, cresceremos também em uma dignidade graciosa; não a dignidade do orgulho, mas a dignidade que sempre acompanha a gradual simplificação de nossas mentes e a purificação de nossos corações.

Enquanto isso, todos nós temos muitas pequenas falhas e tolices.

Ignore-as uns nos outros.

Elas desaparecerão. Portanto, nunca critiquemos uns aos outros, apenas amemos e confiemos uns nos outros.

Obteremos tudo a seu tempo; e Deus nos deu tempo e poder para superar.

CAPÍTULO -2-

OCULTISMO

"Ocultismo", disse H.P.B., "não é magia, embora a magia seja uma de suas ferramentas.

Ocultismo não é a aquisição de poderes, sejam psíquicos ou intelectuais, embora ambos sejam seus servos.

Tampouco é o ocultismo a busca da felicidade como o homem entende a palavra, pois o primeiro passo é o sacrifício; o segundo, a renúncia.

Ocultismo é a Ciência da Vida, a Arte de Viver".

Tão frequentemente a aquisição de poderes, psíquicos ou intelectuais, produz aquele inimigo mortal do crescimento espiritual no homem: o egotismo.

Como o Mestre K.H. o expressa: "Frequentemente seu possuidor é desencaminhado por enganosos espíritos da natureza, ou torna-se presunçoso e pensa que não pode cometer um erro". Agora, não desejo depreciar os poderes psíquicos.

Eles são muito úteis para ajudar e compreender nossos semelhantes, se acompanhados por um espírito amoroso e humilde.

Notais as palavras de H.P.B.? Ela diz que o primeiro passo no ocultismo é o sacrifício e o segundo, a renúncia.

Sacrifício significa viver para outras pessoas, não para nós mesmos.

É a faculdade do Discernimento, a primeira das grandes Qualificações para o Caminho, que nos dá o motivo correto, sem o qual correríamos os mais terríveis riscos.

E a renúncia, a segunda qualificação, é o espírito da segunda grande qualificação, o Desejo Ausente, ou Desapego.

Isso não significa que devemos possuir nada e doar tudo.

Mas devemos aprender e praticar o hábito de manter-nos desapegados em relação a tudo.

Quando tivermos alegria e poder, percebamos que somos apenas os agentes da Bênção Divina e mantenhamos essa alegria e esse poder em confiança para o benefício de nossos semelhantes.

Quando tivermos tristeza e perda, sejamos ainda assim alegres.

Podemos fazer como os santos fizeram: oferecê-las à Vida em favor de outros infortunados.

Nada nos ensina tão bem quanto as tristezas e perdas da vida.

Para citar H.P.B. novamente: "A Harmonia é a Lei da Vida, a discórdia sua sombra, donde brota o sofrimento, o mestre, o despertador da consciência.

Através da alegria e da tristeza, da dor e do prazer, a alma chega ao conhecimento de si mesma; então começa a tarefa de aprender as Leis da Vida, para que as discórdias possam ser resolvidas e a harmonia restaurada". Se um dia havemos de ser d'Ele, devemos ser adultos e não crianças.

Devemos estar dispostos a enfrentar e a aprender com cada evento da vida.

Devo terminar as palavras de H.P.B.: "Os olhos da Sabedoria são como as profundezas do oceano; neles não há nem alegria nem tristeza.

Portanto, a alma do ocultista deve ser mais forte que a alegria e maior que a tristeza". Não devemos "abraçar" nada para nós mesmos.

Devemos estar dispostos a deixar todas as coisas partirem com a nossa bênção.

CAPÍTULO -3-

"SÊ FIEL NAS PEQUENAS COISAS"

Uma profunda verdade oculta é que não importa tanto o que fazemos, mas como o fazemos. Tão frequentemente os aspirantes sentem que não podem se engajar no trabalho oculto porque estão presos a um negócio ou a um lar.

Lembremo-nos das palavras do Mestre K.H. a Krishnaji: "A única coisa que deves colocar diante de ti é fazer o trabalho do Mestre.

O que quer que mais venha ao teu caminho para fazer, isso ao menos nunca deves esquecer.

Contudo, nada mais pode vir ao teu caminho, pois todo trabalho útil e altruísta é o trabalho do Mestre, e deves fazê-lo por amor a Ele".

H.P. Blavatsky escreveu algo muito útil sobre este ponto.

"O que é isso sobre o 'soldado não ser livre'?" (Ela se referia ao dilema de um membro que era soldado.) "É claro que nenhum soldado pode ser livre para mover seu corpo físico para onde quiser.

Mas o que tem o ensino esotérico a ver com o homem exterior? Um soldado pode estar preso em sua guarita como uma craca ao seu casco, e o ego do soldado pode estar livre para ir aonde quiser e pensar no que mais lhe agrada.

Nenhum homem é obrigado a carregar um fardo mais pesado do que pode suportar, nem a fazer mais do que lhe é possível. Um homem de posses, independente e livre de qualquer dever, terá de se movimentar e agir como missionário, para ensinar a Teosofia.

Um homem preso, por seu dever, a um só lugar não tem o direito de abandoná-lo para cumprir outro dever, por maior que seja; pois o primeiro dever no ocultismo é cumprir inabalavelmente cada dever.

H.P.B. também escreveu: "O Chelado nada tem a ver com meios de subsistência ou algo do tipo, pois um homem pode isolar completamente sua mente de seu corpo e de seu ambiente.

O Chelado é um estado de mente, mais do que uma vida segundo regras rígidas e fixas no plano físico, especialmente no período inicial de provação."

Portanto, não importa o que fazemos, mas como fazemos. Deixe-me citar o Mestre K.H. novamente: "Deveis dar toda a vossa atenção a cada tarefa, para que ela seja o vosso melhor.

Um grande Mestre escreveu certa vez: 'E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens'. Aqueles que mais sabem, mais compreenderão todo o significado dessa passagem." Creio que o Mestre quis dizer talvez isto: quando colocamos toda a nossa alma em algo digno que estamos fazendo, atraímos a atenção do nosso próprio ego divino.

H.P.B. disse: "Requer-se dos estudantes que pratiquem o hábito da concentração cuidadosa e constante da mente em cada dever e ato da vida que tenham de realizar, e que não reservem seus esforços nesse sentido apenas para a consideração destes ensinamentos." O aspirante a ocultista deve procurar nunca agir com espírito descuidado ou negligente.

A Dr. Besant aconselhava todos os aspirantes a oferecerem todas as suas ações diárias ao Mestre, e que nada era pequeno demais para ser assim oferecido.

Lembro-me de uma palestra adorável que ela certa vez proferiu em Adyar.

Ela falou sobre o assunto tão próximo de todos os nossos corações: aproximar-nos cada vez mais dos Pés do Mestre.

E disse que não devemos procurar algo grandioso para fazer a fim de alcançar essa meta.

Devemos ser fiéis nas pequenas coisas, pois aquele que é fiel nas pequenas coisas será fiel na grande oportunidade quando ela chegar.

E quais são as pequenas coisas aparentemente insignificantes? Ser bondoso, paciente, solidário, confiável! Ela nos disse que toda vez que fôssemos indelicados ou impacientes, ou disséssemos uma palavra dura sobre outro, deveríamos lembrar que naquele momento havíamos retrocedido um passo dos Pés do Mestre.

É verdade que, como em uma maré alta, um homem é frequentemente levado aos Pés do Mestre por algum grande ato de sacrifício.

A Dra. Besant alcançou esse ponto quando, apesar da agonia de ser separada à força de seu filho, ela sustentou firmemente as doutrinas que para ela eram então verdadeiras.

E o Bispo Leadbeater realmente encontrou seu caminho quando, em um momento de aviso, ele abandonou lar e carreira e toda certeza, e partiu para o desconhecido com todo o seu coração.

Mas devemos lembrar que a capacidade de realizar essas grandes coisas é a recompensa cármica de ter, por tanto tempo, feito tão bem todas as pequenas coisas.

Encontrar nosso Mestre significa que devemos obedecer a esta injunção.

Ele a disse, em Suas próprias palavras: "Saí do vosso mundo para o Nosso". Não podemos trazê-Lo para baixo, ao nosso nível.

Devemos ascender ao Dele.

E isso se faz por todos os pensamentos e ações verdadeiros, puros, altruístas e amorosos.

Estamos colocando em ação nossa própria divindade.

Para fazer isso, devemos nos preparar para meditar com sucesso, pois as distrações pessoais e anseios de nosso eu comum interferem em tais propósitos superiores.

O Príncipe Arjuna perguntou ao seu Senhor, Shri Krishna, como deveria meditar.

Parecia a Arjuna que controlar sua mente era tão difícil de realizar quanto conter os ventos.

O Senhor respondeu que era muito difícil, mas que poderia ser feito "pela prática constante e pelo desapego". Desapego é soltar-se das nossas predileções pessoais.

Devemos aprender a pensar e agir a partir de um ponto de vista mais elevado.

"Não eu, mas Cristo em mim", disse São Paulo.

Não este pequeno "eu" aqui embaixo, que não importa, mas aquele "eu" eterno que é parte de Deus, e o Mestre que nos mostra do que esse "eu" mais divino é capaz.

Talvez seja mais fácil pensar somente Nele, o Mestre do Amor e da Vida.

Pois à medida que pensamos Nele, uma réplica de tal beleza começa a se agitar em nossos próprios corações.

Refugie-se Nele.

Viva a Vida para Ele.

Trabalhe para Ele! — o que significa trabalhar por toda a humanidade.

Assim começaremos a refletir aquela formosura imortal que nos tornará uma bênção para toda a vida que nos rodeia.

CAPÍTULO -4-

MEDITAÇÃO Alguns de vocês praticam a arte da meditação, e alguns de vocês nunca tentaram.

Não sejam demasiadamente formais e concretos ao definir o processo.

Não se trata meramente de seguir uma rotina ou um plano mental.

Estas são úteis, mas ao usá-las não esqueçais o objetivo nos meios.

O objetivo da meditação — pensamento sereno, a elevação do coração para o alto; chamai-lhe como quiserdes — é produzir uma atitude constante do coração; uma que subconscientemente olha o tempo todo para Deus e para a Humanidade.

Há muito tempo, o Mestre M. delineou para nós o que Ele chamou de "Escadas Douradas" que conduzem ao Templo da Iniciação.

Cada degrau é claro e maravilhoso, mas o último é o mais maravilhoso de todos.

É "um olhar constante para o ideal de progresso e perfeição humanos que a ciência secreta descreve". Essa é a eterna atitude subconsciente do coração à qual devemos visar.

Aprendamos a fazer com que ela colore nossa visão da vida, e a deixar nosso pequeno eu de lado. Alguém nos fere ou aborrece? Não somos bebês para nos importarmos em ser feridos ou aborrecidos.

Perdoemos e tentemos compreender.

Alguém parece colocar um obstáculo em nosso trabalho? Não nos perturbemos.

O certo sempre vem à tona.

Outro dos "degraus" do Mestre era: "Uma corajosa resistência à injustiça pessoal". Quando qualquer um de vós alcançar formalmente o Grande Caminho, podeis estar certos de que tereis de sofrer muitas injustiças imerecidas!

A meditação é o alimento de nossas almas e uma necessidade indispensável para o crescimento e progresso espiritual.

É bastante fácil ver intelectualmente o porquê.

Por muitas vidas no "caminho de ida", temos aprendido a dar realidade e valor às coisas ao nosso redor. Agora, no caminho de "retorno" ou de volta, devemos voltar nossos poderes de observação e atenção para as coisas internas e aprender a dar-lhes realidade e valor também.

Não estamos tornando real algo que é imaginário ou, poderia se pensar, "irreal". Estamos tornando real para nós mesmos algo que está sempre ali, algo que eternamente é.

A Sabedoria Antiga nos ensinou que o homem é um ser tríplice.

Ele tem um corpo com o qual obter experiência, uma "alma" mais sutil cujos grandes poderes são o sentimento e o pensamento, pelos quais essas experiências são pensadas e sentidas e, por sua vez, transmutadas em conceitos mentais e afetivos que guiam e inspiram sua vida.

Mas, mais profundamente oculta do que qualquer um desses dois, está aquela qualidade eterna que compartilha a Vida subjacente do universo, que nunca pode passar ou morrer, e que compartilha, ainda que inconscientemente para a maioria de nós, o poder, a sabedoria e o amor de Deus.

Aqui reside a verdadeira fonte de toda sabedoria e poder reais.

Como entraremos em contato com ela, profundamente dentro de nós mesmos?

A primeira coisa é perceber, somente pela fé, que a realidade está ali e existe de fato.

Fé não significa a capacidade de acreditar em algo além da razão.

H.P.B. chamou-a de "o conhecimento inato da alma". A Eternidade e a Realidade estão sempre presentes, quer as compreendamos e percebamos ou não.

Mas ao voltarmos nossa atenção em sua direção, lentamente começamos a percebê-las.

Como isso é feito? No início, exatamente da mesma maneira como estudamos e observamos as coisas exteriores.

Quando primeiro voltamos nossa atenção para isso, esse mundo interior parece vago e incognoscível.

Mas à medida que o tempo passa, ele começa a assumir uma aparência mais clara e rica.

Olhe ao seu redor.

Seus olhos veem um mundo maravilhoso, cheio de cores e formas ricas, cada uma das quais possui um significado e valor eternos.

Feche os olhos e olhe para dentro.

O que seus olhos mentais veem? Outro mundo, cheio de pensamentos, aspirações, memórias, ideais e esperanças, que, quando os conhecemos, é ainda mais belo e pleno de significado.

Devemos nos familiarizar com nosso Eu superior e melhor.

No nível desse "eu superior" dentro de nós, somos um com o Mestre e também com a Vida Divina.

Percebê-lo é aproximar-nos do Mestre e de Deus.

Não devemos tentar rebaixar o Mestre ao nosso nível, mas elevar-nos ao Dele.

Nas escrituras, diz-se que nosso Senhor se retirou para um monte a fim de orar.

Não creio que Ele tenha subido fisicamente a uma montanha para esse propósito.

É um símbolo que indica como Ele se elevou nos mundos interiores a níveis cada vez mais altos de consciência.

Sempre que tentamos pensar profunda e firmemente sobre coisas superiores, impomos uma taxa mais rápida de vibração aos nossos veículos interiores de consciência.

Atualmente, o homem está mais ou menos absorvido em seu próprio nível de vida, embora de um nível superior venha todo o amor e poder reais.

Dediquemos tempo, por mais curto que seja, para voltar nossos pensamentos e emoções para tudo o que é amável, altruísta e verdadeiro.

Entramos em um mundo a princípio obscuro e incerto, mas dia após dia essa obscuridade se dissipa e se torna um mundo maravilhoso de visão e beleza.

Como diz A Voz do Silêncio: "A luz do único Mestre (a vida divina), a única luz dourada e imorredoura do Espírito, lança seus raios fulgentes sobre o discípulo desde o princípio.

Seus raios atravessam as espessas e escuras nuvens da matéria". Então ela começará a influenciar nossas vidas diárias, conferindo dignidade, beleza e significado a cada ação e evento isolado.

Devemos usar o poder criativo da imaginação.

Não importa que formas criamos, pois são apenas degraus para realizações maiores e mais simples.

Um sábio muçulmano disse: "Nós fazemos as formas: a Realidade as preenche". Assim, as ideias, conceitos mentais e formas que construímos são realmente pequenas janelas através das quais perscrutamos a Eternidade e através das quais a Eternidade nos contempla. Mas lembrai-vos de que são janelas através das quais e para além das quais olhamos.

Meditai sobre declarações belas e verdadeiras de uma escritura, de um poeta ou de um sábio.

Visualizai para vós mesmos o ideal que anseiais ser e alcançar.

O conselho do Dr. Besant aos estudantes indianos foi: "Construí para vós mesmos um grande Ideal — o Ideal daquilo que desejais ser. Pensai nele, sonhai com ele, procurai amá-lo. Um dia vos maravilhareis por vos terdes tornado aquela coisa aérea que vosso pensamento lançou sobre as nuvens do futuro".

Todos os valores espirituais devemos realmente descobrir por nós mesmos, e lentamente aumentar o crescimento da realização.

Descobrireis tanto por vós mesmos, se assim o quiserdes.

A vida espiritual é a coisa mais natural, amável, serena e feliz do mundo.

E quando o tempo está maduro, surge dentro de um a vontade espiritual tão inabalável que é como uma direção subconsciente.

A meditação é realmente a manutenção dessa direção.

Ela pode existir dentro de um homem sem que ele esteja conscientemente ciente dela. Escritores católicos romanos a chamam de "meditação seca". A contemplação "sensível" traz bem-aventurança e felicidade pessoal; mas isso não significa que o outro estado não seja igualmente, ou até mais, abençoado.

O Espírito está acima de uma resposta sensível, por mais amável que esta possa ser. Santa Teresa falou de um amor ardente que ela não "sentia". Fé, vontade, direção espiritual, chamai como quiserdes, existe no eu superior, às vezes apesar do eu comum e contra ele.

H.P.B. chamou-lhe "o inexprimível anseio da alma pelo infinito". E esse anseio ascendente continua dia e noite, na alegria e na tristeza, e finalmente conduz a alma à união com a Fonte da qual veio.

"Desvela, Ó Tu que és a Fonte do Universo; de Quem tudo veio, a Quem tudo retorna; essa Face do verdadeiro Sol, agora oculta por um véu de luz dourada, para que possamos conhecer a verdade e cumprir todo o nosso dever em nossa jornada aos Teus Sagrados Pés".

CAPÍTULO -5-

"QUE MEUS OLHOS POSSAM CONTEMPLÁ-LO"

Três formas principais de meditação correspondem às familiares Três da Santíssima Trindade.

A Vida Divina, o Mestre e o Eu Superior dentro são todos um.

Esses três aspectos correspondem ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo da Cristandade.

Talvez o aspecto do “Pai”, a universal Vida Divina, seja o mais difícil de visualizar.

Temos de pensá-lo sob algum grande símbolo: Vida, “Nele vivemos, nos movemos e existimos”; Luz, “a luz que ilumina todo homem que vem ao mundo”; Amor, “por baixo estão os Braços Eternos”. Quando pensamos na Vida Eterna e imorredoura, estamos pensando em “Deus, o Pai”. Quando pensamos na Centelha Divina dentro de cada um de nós, o Governante Interno Imortal, estamos pensando em “Deus, o Espírito Santo”, a Inteligência Divina dentro de nós.

H.P. Blavatsky deu a seus alunos um esboço útil do aspecto do Pai: tentar conceber a unidade imaginando uma expansão infinita no espaço e no tempo.

Não importa quantas miríades de anos-luz de distância de nós estejam os confins do tremendo Universo, o mesmo Espírito o informa, o mesmo tipo de matéria o preenche. E qualquer que seja a infinitude de anos que se estenda atrás ou à frente de nós, o mesmo Propósito, a mesma Vida o guia. “Um Deus, uma Lei, um Elemento, e um único e distante Evento Divino, para o qual toda a Criação se move”.

Pensemos agora no Segundo Aspecto, “Deus, o Filho”, a Vida Divina Eterna revelada em uma personalidade humana aperfeiçoada e purificada, Deus como Amor.

Através de todas as eras, o homem visualizou essa forma supremamente atraente da Divindade — o Homem-Deus.

E é adorável pensar que, um dia, no longo futuro, cada um de nós também se desenvolverá em tal Ser.

Podemos dizer: “Que caminho tão longo!” Mas não é longe demais para visualizar, pois estamos todos na mesma longa estrada da vida, e ajuda muito vislumbrar a Meta.

Para muitos, o caminho é escuro e longo.

Eles não percebem qual é a Meta gloriosa, então tropeçam e vagueiam pela estrada.

Mas temos a felicidade inestimável de poder ver a Meta e saber que certamente a alcançaremos um dia, por mais distante que possa parecer.

Pois o homem é um Deus em formação, e o Mestre é, afinal, o Homem que está formado.

São Paulo, que H.P.B. nos disse ser um iniciado, claramente sabia disso, pois fala de nosso Senhor, o Cristo, como “o primogênito entre muitos irmãos”. Ele também diz em palavras inesquecíveis que, “embora fosse Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu”. Isso não poderia ter ocorrido naquela vida toda perfeita quando Ele veio como Salvador.

Claramente, foi em vidas menos perfeitas que ficaram para trás.

Em todo o mundo, não há nada tão atraente ou tão belo quanto o Homem tornado Deus.

Todos nós sentimos que, se encontrássemos tal Ser, como não poderíamos deixar de confiar Nele completamente, amá-Lo e querer nos tornar como Ele.

Eu particularmente amo aquela história dos dois discípulos a caminho de Emaús após a Ressurreição.

O Senhor recém-ressuscitado caminhou com eles pelo caminho, e até entrou na casa para cear com eles.

Mas os olhos deles estavam impedidos de que O reconhecessem.

Foi somente no momento de partir o pão que eles souberam Quem Ele era, e então Ele desapareceu de sua vista.

Em seus corações, eles realmente sabiam, pois disseram um ao outro: "Não nos ardia o coração enquanto Ele falava conosco pelo caminho?" Não nos arderia o coração se um Senhor tão querido e amável caminhasse conosco em nosso caminho?

Na verdade, Ele pode caminhar conosco pelo caminho, se O permitirmos.

É uma questão de realização simples e sincera.

Como alcançaremos essa realização? Tantos me dizem que não têm poderes de visualização; e além disso, não sabem como o Mestre se parece, então como O visualizarão? Se vocês me acreditarem, simplesmente não importa em absoluto como vocês visualizam o Mestre.

Pensem Nele na forma mais elevada e amável que conhecem, pois a imagem que vocês criam no plano mental não é Ele, nem precisa parecer-se com Ele.

É uma pequena janela através da qual vislumbram algo da Realidade que ela procuraria retratar, e através da qual, novamente, essa Realidade olha de volta para vocês.

Todos os nossos ideais, concepções e visualizações são exatamente isso.

São todos, cada um deles, apenas pequenas claraboias através das quais tentamos sondá-la; que olhemos através de nossas janelas e não para elas.

Além disso, evitem o erro de dizer aos outros que eles deveriam ter janelas exatamente com a mesma forma e tamanho das nossas! Olhem através com os olhos da intuição.

Olhem sempre além, além.

Estamos vislumbrando a estrela obscura do nosso ser, e diz Luz no Caminho: "Firmemente, enquanto observais e adorais, sua luz se tornará mais forte.

Então podereis saber que encontrastes o começo do caminho.

E quando tiverdes encontrado o fim, sua luz se tornará subitamente a luz infinita".

À medida que perseveramos e aspiramos fielmente, não tardará que nos tornemos conscientes de uma resposta.

Não podemos imaginar que o Mestre não responderia! Mas todo tipo de coisas pode atrasar ou impedir que essa resposta alcance nossa consciência física.

Nervos cansados, uma mente cheia de preocupações, um pouco de autoindulgência — tudo isso pode conspirar para diminuir nosso conhecimento dessa bem-aventurança.

Mas nunca desanime.

Atrás das nuvens, por mais negras e densas que sejam, o sol está sempre brilhando; um dia as nuvens se romperão e o sol nos dará seu bendito calor.

Assim como a flor se abre ao raio do sol, assim nossas almas se expandem à luz e ao calor do Divino Amor e da Divina Luz.

Basta apenas que confiemos; sim, mesmo quando tais nuvens negras parecem nos subjugar. Então, mais do que nunca.

A pequena Santa Teresinha amava e confiava em Deus com um desapego e uma vontade verdadeiramente admiráveis, embora apenas duas vezes em sua curta vida as nuvens de uma noite escura se erguessem.

Ela dizia que era tão doce servir a Deus por nada, e nada Lhe pedir, nem mesmo consolação.

Não queremos ser negociantes, dizendo que não serviremos ao Mestre nem tentaremos amá-Lo a menos que Ele esteja continuamente nos fazendo felizes.

A Sra. Besant disse certa vez que um homem poderia ser um chela reconhecido, e muito querido ao coração do Mestre, e ainda assim o carma poderia erguer um muro de separação aqui que poderia durar a vida inteira!

É sábio imaginar o Mestre sempre o mesmo, na forma que para nós é bela e querida, e em tais ambientes que nos atraem; em Seu jardim, num bosque, numa encosta, ou num santuário.

E esperar, permanecer em silêncio, tentar sentir o que o Mestre é em Seu caráter sublime, não apenas como Ele poderia parecer.

Dê-Lhe toda a sua vida, minuto a minuto, enquanto a vive. Dê-Lhe todo o seu futuro.

Ele saberá melhor o que fazer com isso.

Tente ser Seu mensageiro de amor e boa vontade para todos os homens, sem exceção.

E em seu trato com eles, aprenda a conhecer como os homens são e como ser sábio por amor a eles.

Você anseia encontrá-Lo, estar perto d'Ele.

Espere até que a hora amadureça, e Ele saberá disso.

Deixe-me citar uma estrofe de Gilbert Chesterton, em seu poema chamado "O Cavaleiro Selvagem":

Meu cabelo fica mais branco que minha pluma de cardo, Mas, em meus olhos, Uma estrela de uma glória invencível; Pois em minha alma uma esperança para sempre canta, Que na próxima esquina branca de uma estrada, Meus olhos possam contemplá-Lo.

- CAPÍTULO 6 -

O TEMPO

O tempo não é realmente uma medida artificial, marcada pelos tiques do relógio.

O tempo é uma sucessão de estados de consciência, e cada um tem seu próprio ritmo dessas sucessões.

Lembro-me de ter ficado imensamente impressionado com algo que o Dr. Alex Carrel escreveu em seu livro, O Homem, o Desconhecido.

Ali ele diz que todo médico sabe que todo corpo físico tem seu próprio ritmo de crescimento e cura.

Somos nossos próprios cronometristas.

Isso nunca me havia ocorrido antes sobre nossos corpos físicos, embora eu soubesse que era verdade sobre nossos corpos mais sutis.

Nos mundos após a morte, o tempo não é medido pelas revoluções do globo ou pelos tiques do relógio, mas pelo ritmo ou cadência da consciência.

Algumas pessoas vivem mais rapidamente do que outras e, assim, esgotam sua vida celestial mais depressa, segundo nosso padrão de tempo.

Geralmente, as pessoas intelectuais vivem em um ritmo mais lento do que as mais emocionais e, por isso, levam mais tempo para retornar à Terra.

Agora, não nos estendamos demasiadamente no tempo — exceto para perceber que, nos milênios do passado e do futuro, a natureza humana permanece fundamentalmente a mesma.

Muitas pessoas vivem demasiadamente no passado.

Há eventos nesse passado que elas nunca esquecem.

Talvez esses eventos sejam erros e infortúnios que agem como uma chaga na consciência e causam um vazamento de força vital, tornando os que sofrem menos fortes para enfrentar as vicissitudes presentes.

O mesmo se aplica quando sonhamos demasiadamente com o futuro, especialmente quando tais sonhos são muito pessoais para nós.

Às vezes, estamos em um estado de medo de algo terrível que possa nos acontecer. O Bispo Leadbeater certa vez observou quantas pessoas gastam tanto tempo e energia antecipando todos os tipos de infortúnios que talvez nunca lhes aconteçam.

E mesmo que esses infortúnios ocorram, bem poderíamos esperar até que aconteçam antes de começarmos a nos preocupar com eles.

A maioria dos males que as pessoas antecipam nunca acontece; então, por que se preocupar? Mas, na verdade, o Bispo Leadbeater era uma pessoa que nunca se preocupava; e se alguém tinha motivo para isso, certamente ele tinha! Ele era o homem mais sereno e feliz que já conheci.

Se algum de nós quisesse ser infeliz ou "resmungar", ele nos dizia para ir fazer isso sozinhos, para não infectar outras pessoas com nossa infelicidade.

"Felicidade", disse um Mestre, "baseia-se na confiança no Deus interior, numa justa apreciação do tempo e num esquecimento de si mesmo.

Aceita todas as coisas alegres que possam vir como dádivas a serem usadas para espalhar alegria, e não te revoltes contra a felicidade e o prazer no serviço.

O sofrimento vem quando o eu inferior se rebela.

Elimina o desejo, e tudo é alegria.

Tem paciência.

A resistência é uma das características do ego.

O ego persiste, sabendo-se imortal.

A personalidade se desencoraja, sabendo que o tempo é curto.

Ao discípulo nada ocorre senão o que está no plano, e onde a aspiração ativa e única do coração é a realização da vontade do Mestre e o serviço à raça, aquilo que se concretiza traz em si as sementes do próximo empreendimento e incorpora o ambiente do próximo passo adiante".

Tomemos a vida como ela vem, nada lhe pedindo senão o que ela quiser.

Lembro-me de Krishnaji certa vez nos dizer como todos tentávamos pintar na vida o que queríamos, em vez de deixar a vida pintar seus quadros em nós. Quando eu palestrava nos confins de Queensland, na Austrália, minha anfitriã havia assistido a uma missão conduzida por um monge católico romano, e ela me levou à última reunião.

Lá, o jovem monge, que tinha um rosto belíssimo e espiritual, nos disse que o melhor presente que poderia nos dar era um que ele próprio havia encontrado: viver apenas um minuto de cada vez.

O poeta Goethe dizia que toda manhã ele recomeçava a vida, como se fosse jovem novamente.

O Hino ao Dia, do Sânscrito, expressa isso nestas palavras maravilhosas:

Escutai a exortação da Aurora — Olhai para o Dia! Pois ele é a Vida, a própria vida da vida.

Em seu breve curso jazem todas as Verdades e Realidades de vossa existência: A Bem-aventurança da Verdade, a glória da Ação, o esplendor da Beleza.

Pois o ontem é apenas um sonho, e o amanhã é somente uma visão, Mas o hoje, bem vivido, faz de todo ontem um sonho de Felicidade E de todo amanhã uma visão de Esperança.

Olhai, portanto, bem para o Dia! Tal é a saudação da Aurora.

CAPÍTULO -7-

O COMEÇO DO CAMINHO

Muitas pessoas nunca dão o primeiro passo rumo ao Sendero porque pensam que não são boas o bastante, ou evoluídas o bastante, ou algo assim.

Ora, isso é algo que não podemos saber individualmente.

Devemos começar de onde estamos.

"Para ir longe, devemos começar perto". Esta peregrinação da alma, como todos os ciclos, grandes ou pequenos, tem dois arcos.

As escrituras indianas falam do caminho de saída, o Pravritti Marga, e do caminho de retorno, o Nivritti Marga.

No caminho de saída, o homem é legitimamente centrado em si mesmo, ou até egoísta.

Podemos ver isso na vida das crianças, que epitomizam a raça.

Nenhuma criança pequena é naturalmente altruísta.

O cuidado de si forma, ao redor da centelha do Espírito mal individualizado, uma carapaça de individualidade que atua como proteção, como a casca ao redor de um ovo.

Neste caminho, crescemos tomando.

Quando o ciclo está próximo de sua conclusão, a orientação do homem começa a diferir.

A organização dos vários envoltórios do Espírito está quase completa, e agora começa o tempo em que o Cristo interno deve ser despertado para crescer e brilhar através dos envoltórios de matéria gradualmente purificados.

Neste caminho, o homem cresce dando.

O que ele guarda, ele perde.

O que ele derrama, ele ganha.

Creio que São Paulo se referia a esses dois caminhos quando falou da Lei do Pecado e da Morte — significando aquela lei que governa o primeiro caminho, onde, porque objetivos e motivos pessoais dominam, efeitos pessoais se seguem — se os motivos são felizes, trazendo felicidade ao indivíduo em questão; se infelizes, trazendo-lhe o mal do passado.

Na realidade, não existe karma "mau", pois todas as reações são planejadas para ensinar o homem, para curar a doença original.

Assim, a dor e o sofrimento curam as doenças do egoísmo e da insensibilidade.

É durante a última das vidas de um homem neste caminho que o mais pesado fardo de sofrimento e desastre geralmente recai sobre ele.

"Deus não permite que o homem seja tentado (provado) além do que ele pode suportar". Se os resultados de nossas más ações viessem a nós todos de uma vez, poderíamos ser esmagados por eles.

Por isso os Senhores do Karma os retêm até que a alma, como o ouro provado na fornalha, seja forte o bastante para aprender suas sombrias e maravilhosas lições.

É por isso que os bons e os espirituais parecem ter tantos problemas, enquanto os "perversos" parecem florescer como o loureiro verde.

Lembremo-nos das palavras do Mestre K.H.: "Aceite como uma honra que o sofrimento venha a você, pois isso mostra que os Senhores do Karma consideram que você merece ajuda".

Em uma das vidas de Alcyone, o Senhor Maitreya diz a duas meninas, em profecia do que lhes acontecerá: "Este é o primeiro das vidas de expiação, para que o velho karma seja desgastado, os velhos erros sejam corrigidos". Voltar nossos passos para o Caminho de Retorno é desafiar nosso karma.

Mas sempre seremos fortes o bastante para enfrentá-lo se confiarmos em nosso Mestre e na Vida.

Há tantos que estão no limiar deste Caminho de Retorno, que buscariam o Reino dos Céus, se apenas soubessem como e onde.

O Buda disse a Seus discípulos que havia muitos jovens no mundo cujas mentes estavam apenas levemente cobertas pela poeira do mundanismo, e que veriam seu caminho se alguma alma iluminada e altruísta o apontasse para eles.

Como saberemos que estamos perto deste Caminho de Retorno? O próprio ato de indagarmos ou aspirarmos é uma clara indicação.

Mas ainda podemos, mesmo por vidas, nos encontrar relutantes em fazer os sacrifícios pessoais que essa estrada austera e adorável nos pedirá. Ainda assim, o ego divino dentro de nós terá a paciência da eternidade.

Somente nestes dias maravilhosos, os Portões do Céu estão tão abertos! É um tempo designado, uma maré espiritual de plenitude nos assuntos dos homens.

A lei é que cada um deve encontrá-la por si mesmo, deve trilhar seu próprio caminho; que nenhum irmão pode compensar por ele ou carregá-lo um único passo.

E o primeiro passo deve ser dado exatamente de onde ele está, e exatamente como ele é. A bondade não entra em questão.

É verdade que no Caminho se desenvolve uma pureza absoluta de coração e de vida, mas se esperarmos ser puros antes de aspirarmos ao Caminho, nunca daremos início.

Deus não exige do homem além do que ele é capaz.

Tem ele um passado sombrio, muitas faltas, muitas cegueiras? Ser-lhe-á contado por justiça o fato de ter dado um passo certo.

“Mesmo que o mais pecador me adore com coração indiviso, ele também deve ser considerado justo, pois resolveu retamente” (Bhagavad-Gita, IX.30). O amor eterno se importa mais com o que seremos do que com o que fomos.

A maravilha da Vida é a paciência e o amor com que a Vida aguarda nosso lento mas inevitável desabrochar.

Assim, sem medo e com total confiança, demos o primeiro passo! “Aproximai-vos de Deus e Ele se aproximará de vós”. E sábios seremos se nunca nos compararmos com os outros, em nosso próprio prejuízo e inveja espiritual.

Aos olhos do Espírito, nenhuma diferença importa.

O Grande Amante de toda a Vida cuida tanto da menor e mais cega alma quanto de todos os Seus santos e homens aperfeiçoados.

Exatamente como somos, partamos pela estrada.

Os dias de tomar acabaram.

À medida que crescemos em poder de dar cada vez mais, assim nosso destino virá até nós.

Quanto tempo levará? Não pergunte.

Quando e onde devemos deixar nas mãos do Mestre e de Deus.

O caminho é seguro, o fim é certo, se tivermos a força e a perseverança para trilhar a senda.

“Tem paciência, candidato, como quem não teme o fracasso, nem busca o sucesso.

Tem perseverança, como quem perdura para sempre”. Ah! Quem tem a paciência e a perseverança? Creio, verdadeiramente, o pronto de espírito.

- CAPÍTULO 8 -

SACRIFÍCIO

Lemos muito sobre sacrifício, nos livros sobre a Vida Interior.

Há um belo capítulo em A Sabedoria Antiga, da Dra. Besant.

Tomar pode ser a lei do crescimento na criação bruta, mas a lei do sacrifício é a lei da evolução para o homem em desenvolvimento, pois nela ele compartilha daquele grande ato primevo de sacrifício pelo qual os mundos foram formados pelo Logos, e pelo qual são sempre nutridos e sustentados.

Disse o grande Avatar, Sri Krishna: “Estabeleci este universo com uma porção de mim mesmo; e permaneço”. Este é o duplo aspecto de Deus Transcendente e Deus Imanente.

No passado, o pensamento de um Deus Transcendente foi primordial.

Agora, o mundo se volta cada vez mais para a ideia de um Deus imanente em Seu universo, sofrendo, evoluindo, agindo com e através de toda a vida, e acima de tudo naquilo que pode conhecê-Lo diretamente, sendo uma centelha de Sua Vida, pura e imaculada: o Homem.

Deus sacrifica a Si mesmo incessante e eternamente, e esse sacrifício não é dor, mas alegria eterna, a alegria da criação: "Quando as estrelas da alva juntas cantavam, e todos os filhos de Deus rejubilavam". O Oriente chama a criação de "Lila", ou o "jogo" de Deus.

Quando começamos a trilhar o Caminho de Retorno, sentimos considerável dor ao ter que abrir mão de coisas às quais nossa natureza de desejo se apega.

É tão natural à nossa natureza humana comum apegar-se, agarrar-se, sentir que estamos perdidos sem muitas coisas.

Como crianças, precisamos de ambientes, coisas externas que nos dão uma sensação de segurança, uma sensação de "contar" no esquema das coisas.

Nossos invólucros de consciência cresceram assim.

Mas agora devemos substituir todos os apoios externos pelo Apoio Eterno interior, o Cristo em nós, o Deus interno.

Ele cresce dando, brilhando, derramando-se.

À medida que o homem dá, ele cresce.

À medida que sacrifica, ele compartilha do sacrifício eterno do universo.

No início, é relativamente fácil renunciar a todo apego às posses materiais e alegrias; pois as coisas do espírito são tão infinitamente mais belas! Mas mesmo aí não devemos nos apegar.

Como o Mestre K.H. diz: "Há alguns que abandonam a busca de objetivos terrenos apenas para ganhar o céu; mas lembrai-vos de que todo desejo egoísta liga, por mais elevado que seja o seu objeto". "Às vezes", diz Luz no Caminho, "o artista puro que trabalha por amor à sua obra está mais firmemente plantado na estrada certa do que o ocultista, que imagina ter removido seu interesse do eu, mas que na realidade apenas ampliou os limites da experiência e do desejo, e transferiu seu interesse para as coisas que dizem respeito ao seu maior âmbito de vida". Essa rendição, esse sacrifício é descrito no Sermão da Montanha como ser "pobre de espírito". O ocultista pode ser um homem rico, e ainda assim, não tendo senso de posse, mantendo tudo como um truste em benefício de seus semelhantes, pode ser verdadeiramente "pobre de espírito". O mesmo se dá com todas as nossas belezas e felicidades, internas e externas.

Elas são também para os outros, não apenas para nós mesmos.

E há uma coisa maravilhosa sobre a Lei do Sacrifício que os santos descobriram, e que também é verdadeira para nós. Eles se alegravam no sacrifício, na dor e no sofrimento, porque ofereciam cada ato de sacrifício como uma oferenda em nome do mundo — para assim diminuir, por sua própria doação e resistência voluntárias, a dor e a perda de outros.

A vida se tornará muito mais bela e abençoada quando não retivermos nem nos apegarmos a nada, mas alegremente a entregarmos a Deus e aos nossos semelhantes.

Epicteto ensinou isso de uma maneira muito encantadora.

Quando um de seus amigos mais queridos ficou inconsolável, tendo perdido uma filha amada, Epicteto disse: "Ah! meu amigo, dize a ti mesmo: 'Eu a devolvi aos deuses amados'".

A pequena Teresa de Lisieux levou a faculdade do sacrifício a tal suficiência maravilhosa que chegou a dizer em seus últimos dias, plenos de intensa escuridão e sofrimento: "Há muito tempo o sofrimento se tornou meu céu aqui embaixo". Ela nos conta que "nem do céu nem da terra recebi qualquer consolação; e, contudo, em meio às águas da tribulação, eu era a mais feliz dos seres". Durante seus últimos dias, quando cada passo que dava lhe causava intensa dor, uma pequena noviça a encontrou dolorosamente tentando seguir o conselho da enfermeira de dar um pequeno passeio no jardim.

"Oh! Estais fraca demais!", exclamou a noviça, "certamente não deveríeis tentar andar". A pequena Teresa lhe deu um sorriso muito doce.

"Vedes", disse ela, "cada passo que me custa tanta dor, eu ofereço como um sacrifício, para que a dor e o cansaço de algum pobre missionário distante, em regiões selvagens, possam assim ser um pouco aliviados".

Poderíamos nós também fazer algo assim? Oferecer nossa timidez quando temos de palestrar, como um sacrifício para mitigar a timidez de outros? Oferecer nosso senso de ser ou ter tão pouco, como aceitação jubilosa, para que aqueles que têm ainda menos sintam mais ânimo e poder para realizar? Se outros nos compreendem mal, falam conosco com aspereza e injustiça, ofereçamos uma doce ausência de ressentimento pelos milhares de outros que sofrem muito mais.

Perdemos aquilo que mais valorizamos? Podemos oferecer esse sacrifício também, por todos aqueles que, em comparação conosco, têm tão pouco, talvez nada.

Certa vez, o Mestre K.H. disse, em uma carta a alguns jovens, que se podemos fazer coisas, por mais elevadas e belas que sejam, em nome do homem ignorante e não desenvolvido, a resposta do céu irá para eles, não para nós mesmos. "O Apelo do Iniciado é feito em nome da humanidade".

Se realmente soubéssemos e víssemos como essas oferendas votivas nossas vão para nossos semelhantes, como amaríamos oferecer, como buscaríamos encontrar tais ocasiões de ajuda amorosa, mesmo para aqueles que nos são desconhecidos! Mas podemos fazer isso o dia inteiro.

Sempre podemos fazer à humanidade sofredora essas dádivas de nós mesmos.

Diz Luz no Caminho: "Tenta levantar um pouco o pesado carma do mundo; dá tua ajuda às poucas mãos fortes que seguram as forças das trevas para que não obtenham vitória completa.

Então entras numa parceria de alegria, que traz de fato terrível labuta e profunda tristeza, mas também uma grande e sempre crescente delícia".

"Desde que renunciei a toda busca de si mesma", escreveu a pequena Teresa, "vivo a vida mais feliz possível". Se apenas pudéssemos compreender a realidade e a beleza da renúncia de si, entraríamos em sua alegria e paz e em seu ilimitado poder de ajudar os outros.

De fato, podemos dizer que nosso poder de ajudar os outros está em razão direta do nosso esquecimento de nós mesmos e da falta de interesse pelo eu pessoal.

Eis a Via Crucis, o Caminho da Cruz.

"A Cruz é o símbolo da Vida Eterna, e o Caminho da Cruz é a senda do Espírito triunfante.

É o signo do Sacrifício que é Alegria, da Renúncia que é Paz, do Serviço que é Liberdade" (Annie Besant)

CAPÍTULO -9-

SOBRE SER UM CANAL

Cada um de nós gostaria de ser um "canal" da força do Mestre, se pudéssemos.

Há duas coisas que gostaria de esclarecer sobre isso.

Quando alguém é o pupilo aceito de um Grande Ser — de um modo tão sutil que é quase impossível descrever claramente — a consciência do pupilo está incluída dentro da consciência maior do Mestre.

Lentamente, às vezes muito lentamente (porque o Mestre nunca força o ritmo e tem um cuidado muito terno com o que Seu pupilo pode suportar), a ligação entre os dois aumenta de modo constante.

É claro que a pequena consciência do pupilo nunca pode compreender inteiramente ou responder à consciência do Mestre, tão maior e mais pura.

O Mestre K.H. usa a similitude de dois tanques, um vazio e outro cheio, com um tubo de alimentação entre eles.

Quanto tempo leva, disse Ele, para que o conhecimento e o poder do Adepto fluam para o Chela depende do tamanho do tubo de alimentação; isto é, do poder do pupilo de assimilar e responder à beleza que agora o rodeia.

A troca, diz Ele, é cientificamente regulada pelo Mestre.

Mas isso significa que, enquanto o pupilo está em contato com força e beleza inesgotáveis, ele (o pupilo), sendo uma evolução e um indivíduo separados, também transmite algo à consciência do Mestre! Sempre que o Mestre tem tempo de olhar na direção de Seu pupilo, todos os pensamentos, desejos e ações desse pupilo surgirão na consciência do Mestre, e também tudo o que aconteceu ao seu redor, em um grau muito mais minucioso e amplo do que o próprio pupilo pode perceber.

Mas não devemos pensar, quando falamos do pupilo ser um "canal" do poder do Mestre, que ele apenas permanece parado, um autômato, esperando que o poder seja derramado através dele, como um tubo vazio.

Não é essa a ideia.

Lembro-me da explicação da Dra. Besant para nós. Ela disse que o Mestre não pode transmitir através de seu pupilo nada que o pupilo não tenha ele próprio primeiro iniciado.

O pupilo deve primeiro estar irradiando paz, simpatia ou encorajamento aos outros; isso dará ao Mestre a oportunidade, se Ele assim o desejar, de aumentar enormemente a própria radiação do pupilo.

Ele pode elevar e aumentar isso em grande medida, mas não pode fazer nada a menos que o pupilo já tenha começado a irradiar pensamentos, emoções e ações úteis.

O Mestre usa Seus discípulos, que frequentemente são muito diferentes em temperamento e capacidade, por aquilo em que se destacam, não pelo que lhes falta.

Por exemplo, o Mestre usará um discípulo que é uma torre de caráter forte, para encorajar e fortalecer o trabalho e os trabalhadores ao seu redor.

Os trabalhadores sentirão o quanto podem realizar enquanto ele está com eles.

Outro discípulo, cuja grande característica é uma profunda e amorosa simpatia pelos outros, o Mestre usará para abençoar, encorajar e consolar muitos corações cansados e confusos.

Ele nos usa pelo que temos e somos, não por aquelas coisas que ainda não possuímos plenamente.

Gostaríamos de ser, cada um de nós, um canal do poder do Mestre; e através Dele, do Poder e da Bênção Divinos.

Isso é possível, mesmo antes de um homem ser o pupilo oficialmente reconhecido de um Mestre.

Qualquer homem pode tornar possível que o Mestre o use por sua própria atitude firme de mente e coração, e por sua completa entrega à Vontade Divina, conforme manifestada através do Mestre.

Os santos sabiam disso; especialmente a mais maravilhosa de todas as santas, a pequena Teresinha de Lisieux.

Tomemo-la como exemplo.

É o segredo de ser o que um místico medieval quis dizer quando exclamou: "Oh! Que eu pudesse ser para o Todo-Poderoso o que a mão de um homem é para o homem".

À medida que o tempo passava, Santa Teresinha percebia que crescia em seu contato com as noviças (ou foi designada aos vinte anos como Assistente da Mestra de Noviças); que uma sabedoria celestial açoitava seu coração, e por vezes uma percepção mais surpreendente dos pensamentos e motivos de suas pupilas.

Quando foi primeiramente designada para seu posto, pensou que a tarefa estava além de suas forças.

Mas refugiou-se em Deus.

Ela diz que "o conhecimento de que era impossível fazer qualquer coisa por mim mesma simplificou grandemente minha tarefa". Sua impessoalidade era impressionante.

Nenhuma predileção pessoal jamais a moveu diante do que ela sentia ser a vontade de Deus.

O Papa Bento XV a chamou de "aquela que se tornou a porta-voz de Deus". Mesmo quando sua sorte era incompreensão, palavras ferinas (e ela teve muitas delas), ela aceitava tudo como vindo das mãos de Deus.

Sua primeira Superiora foi muito severa com ela, e ela respondeu: "Agradeço-vos, Madre, por não me teres poupado. Jesus sabia que Sua flor era demasiado fraca para criar raízes sem as águas vivificantes da humilhação". Quando uma das noviças lhe disse coisas extremamente rudes, ela ficou cheia de alegria e cita em sua autobiografia as palavras do Rei Davi: "Sim, é o Senhor quem lhe ordenou dizer todas essas coisas".

Se pudermos ver a Divindade chegando em cada pequeno acontecimento da Vida, mesmo nos tristes e desagradáveis, não tardará que a Divindade comece a falar através de nós. Mas devemos fazer uma rendição completa, não uma parcial, guardando talvez uma pequena coisa para nós.

E a rendição deve ser para sempre, não apenas enquanto nos convier.

Não temos poder apenas em nós mesmos para fazer muito, porém quando Deus e o Mestre estão conosco, temos todo o poder do mundo para auxiliar e abençoar.

O preço que pagamos por essa realização é a aceitação alegre e simples de tudo o que vem.

Duas das Seis Joias da Mente, que são a Terceira Qualificação para a Iniciação, são "Uparati e Titiksha". Geralmente traduzidas como: "Tolerância" e "Resistência" (o Mestre K.H. chama esta última de "Alegria"). Mas poderíamos traduzi-las assim: Uparati, "deixar as pessoas serem o que são", e Titiksha, "deixar os acontecimentos serem o que são". Uma pessoa deve ser o que é, assim como uma flor se encontra em determinado estágio de desenvolvimento.

Poderíamos querer reformar essa pessoa, enquanto a única pessoa que cada um pode reformar é a si mesmo.

Nós evitaríamos os acontecimentos, mas aquele que é forte e abnegado o bastante para acolher todos os acontecimentos alcança uma sabedoria celestial.

CAPÍTULO -10-

A NATUREZA DA CARIDADE

Muita sabedoria antiga está envolta em derivações, então vejamos a origem da palavra "caridade". O dicionário Webster diz que a palavra é derivada de duas palavras latinas: *caritas*, caríssimo, amor, e *carus*, querido, amado.

É claro que o espírito da caridade não significa dar aos necessitados — muitas vezes aquilo que nós mesmos não queremos.

Na verdade, significa "aquele para quem todas as coisas são queridas". Se todas as pessoas e todas as coisas nos fossem queridas, que paciência teríamos, que disposição para aprender a compreender, que desejo pelo bem maior de todos.

Às vezes sinto que há apenas uma lição a aprender na vida, através dos tempos: como amar.

Todos pensamos que conhecemos essa arte, mas duvido muito. O que passa por amor é frequentemente apenas amor-próprio, projetado.

O amor precisa ser aprendido; e são necessárias muitas vidas de sofrimento, perda e decepção para aprendê-lo.

Às vezes, as pessoas são honestas o suficiente para admitir que aparentemente não amam nada.

Sendo humanas, devem ter o poder de amar; mas, como muitos de nós, são demasiadamente negativas.

Elas não amam, mas esperam ser amadas; assim, seu próprio poder ativo e progressista permanece atrofiado por falta de uso.

Como um homem que ficou tempo demais na cama, o poder de ação deve ser lentamente trazido de volta ao pleno uso.

São Francisco orou para que pudesse buscar amar, não ser amado; compreender, não ser compreendido; consolar, não ser consolado.

São Paulo escreveu: "A caridade é sofredora, é benigna; a caridade não inveja, não se provoca facilmente, não pensa mal; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta".

Uma Escritura Tibetana descreve sete formas de amor, três das quais pertencem aos homens, e quatro aos deuses.

A primeira e mais simples dessas formas também é compartilhada por átomos, moléculas, planetas e sóis.

É mera atração magnética e logo se esgota.

A segunda podemos chamar de psíquica.

Ela se baseia em uma relação de cinquenta por cento: eu te amarei se você me amar; você me deve algo porque eu te amo.

Isso carrega as sementes de sua própria morte.

O amor que é imortal e nunca pode morrer dificilmente é natural ao homem e deve ser aprendido: é amar de tal forma que desejemos apenas o bem maior de nossos amigos, e nos próprios termos deles.

Quem está disposto a amar tão bem? Quantas vezes, em vez disso, tentamos forçar as pessoas a se encaixarem no molde que marcamos para elas.

Às vezes perdemos um ente querido pela morte ou pelo afastamento.

Então surge nossa chance de purificar e ampliar nosso poder de amar.

“Morte e separação”, diz *Luz no Caminho*, “mostram ao homem, por fim, que trabalhar para si é trabalhar para a decepção”. Quando mal podemos suportar continuar vivendo porque a morte levou nossos entes queridos, o que mais nos faz sofrer? Estamos pensando no grande ganho deles? — ou estamos principalmente conscientes da perda, para nós mesmos, de sua presença querida e atenciosa?

Uma coisa devemos sempre lembrar: um homem nunca pode perder aquilo que ama se continuar a amar! Uma obra retornará, um amado retornará, se em seu coração ele continuar a amar e servir.

Esse é o poder imortal do Universo, porque é o aspecto fundamental de Deus.

A Dra. Besant tinha um amigo que, após tê-la ajudado em uma grande obra, de repente se voltou contra ela por um tempo e tentou destruir os resultados de seus esforços.

A Dra. Besant ainda mantinha a fotografia dele em sua mesa, e quando um membro impulsivo lhe perguntou por quê, ela respondeu: “Você não sabe, minha querida, que se você continuar a amar, apesar de tudo, você conquista o direito de ajudar essa pessoa em outra encarnação?” Uma esposa devota perguntou ao Senhor Buda como ela poderia ter certeza de que encontraria seu amado marido novamente em todas as vidas futuras.

O Abençoado lhe disse que, se ela nunca cessasse de amar e o perdoasse por tudo, ela forjaria laços que jamais poderiam ser rompidos.

Santa Teresinha de Lisieux meditou sobre a injunção do Cristo aos Seus discípulos de “amar uns aos outros” como Ele os havia amado.

Ela descobriu que “a verdadeira caridade consiste em suportar todos os defeitos do meu próximo, em não me surpreender com os erros, mas em edificar-me com as menores virtudes”. Ela sabia também que deveria mostrar-se honrada pelo pedido de serviço e, se algo lhe fosse tirado, deveria parecer contente em deixá-lo ir. Isso, disse ela, era verdadeiro tanto para as coisas celestiais quanto para as terrenas.

Se amamos, alegramo-nos com os que se alegram e choramos com os que choram.

Em Suas grandes meditações para Seus monges, o Senhor Buda os ensinou a amar de modo que ansiassem pela felicidade e bem-estar de todos os seres, e a serem tão compassivos que as tristezas e decepções dos outros comovessem profundamente seus corações, e suas alegrias os enchessem de alegria também.

Tal é o Amor que salva o mundo.

CAPÍTULO -11-

DEVERES, ANSIEDADES E REMORSO

Tantas vezes as pessoas se confundem quanto ao que é o seu dever.

Às vezes me pedem que lhes diga.

É claro que a decisão final deve vir de dentro.

Não tenha medo de tomar uma decisão, mesmo que, a longo prazo, ela venha a se revelar equivocada.

Nunca desenvolveremos nossos poderes de julgamento a menos que decidamos com ousadia e estejamos corajosamente dispostos a aprender com os resultados.

Se pedirmos a outras pessoas que decidam por nós, o poder de julgamento nunca crescerá.

Será que um membro, chamado ao lar para ajudar pais enfermos, está abandonando a obra do Mestre pelo serviço pessoal? Que ponto de vista terrivelmente tacanho e desumano! O que é a obra do Mestre? Não é meramente endereçar envelopes em uma Sala de Loja, ou mesmo proferir belos discursos ao público.

É todo trabalho bondoso, útil e altruísta em favor de outros, especialmente daqueles para com quem temos uma dívida de gratidão.

"Ingratidão", escreveu um Mestre, "não é um dos nossos vícios". E Ele disse: "Aquele que rompe um único laço humano para vir até nós não pode ser nosso discípulo".

O amor, a compreensão, a inspiração dos seres humanos é a nossa obra, muito, muito mais importante do que o mero negócio mecânico de conduzir o lado organizado do trabalho, por mais valioso e importante que isso seja.

O conselho de um Mestre é dado assim: "Porque você tenta assumir um trabalho superior, não deve esquecer seus deveres ordinários, pois até que eles sejam cumpridos, você não está livre para outro serviço.

Você não deve assumir novos deveres mundanos; mas aqueles que já tomou sobre si, deve perfeitamente cumprir — todos os deveres claros e razoáveis que você mesmo reconhece, isto é, não deveres imaginários que outros tentam impor sobre você.

Se você há de ser d'Ele, deve fazer o trabalho comum melhor do que os outros, não pior; porque deve fazê-lo também por amor a Ele".

Quando decisões precisam ser tomadas, podemos, é claro, consultar aqueles que julgamos mais sábios do que nós, mas não devemos seguir cegamente nem transferir as decisões para seus ombros.

A Sra. Besant certa vez nos contou que quando alguém vinha a ela em busca de conselho, ela dizia: "se ele tivesse sido forte o bastante para aceitar qualquer outro, nunca me teria perguntado".

Se ansiedade ou remorso se seguirem a uma decisão, seja filosófico a respeito. Não ficaríamos perturbados se estivéssemos meramente observando o mesmo erro cometido por outro.

Então por que, quando o vemos em nós mesmos? Como podemos ser calmos e compassivos diante dos erros dos outros! Que sabedoria aprenderíamos se fôssemos fortes o bastante e puros de coração o bastante para estarmos dispostos a aprender com os resultados, quer eles nos tragam bem-aventurança ou dor.

Aprendemos com nossos erros.

Talvez não haja outra maneira pela qual possamos aprender.

É sempre a perda pessoal que dói.

H.P.B. disse que a vaidade e o remorso estavam ambos enraizados na vida pessoal e poderiam ser curados pela realização da Vida Una.

Até mesmo uma crítica demasiado mórbida dos motivos pessoais é imprudente.

Um Mestre escreveu: “Cultivai a felicidade, sabendo que a depressão, a investigação excessivamente mórbida dos motivos, a sensibilidade indevida e a suscetibilidade exagerada à crítica alheia conduzem a uma condição na qual um discípulo é quase inútil”.

Uma antiga escritura indiana diz: “Não vos arrependais de nada.

Nunca vos dessoleis.

Mas cortai todas as dúvidas com a espada do conhecimento”.

CAPÍTULO -12-

AUTOSSATISFAÇÃO

A autossatisfação é um sentimento tão natural e tão comum que dificilmente podemos evitá-lo — mesmo que, discretamente, tentemos não o demonstrar. Não nos envergonhemos de admitir que temos essa fraqueza, mas procuremos compreendê-la. Todos gostamos de ser apreciados; todos gostamos de sentir que tivemos êxito, que os outros pensam bem de nós e talvez nos admirem. Sabeis por quê? Porque todos nós, do ponto de vista espiritual, somos ainda crianças, não inteiramente crescidas. E, como todas as criancinhas, buscamos segurança e reafirmação.

O autorrespeito e a autoconfiança são necessários para uma vida feliz e útil.

Por que, então, a vida espiritual exige de nós que não busquemos autossatisfação? Porque nessa vida procuramos morrer para o nosso pequeno eu, a fim de que um Ser Maior viva em nós. Seria cruel e imprudente procurar destruir essa autossatisfação naquele que ainda não alcançou o ponto em que vislumbra que deve fazê-lo por si mesmo, e não por outros.

Como disse o Senhor Shri Krishna no Bhagavad Gita: “Que nenhum homem sábio perturbe as mentes das pessoas ignorantes apegadas à ação; mas, agindo em harmonia Comigo, torne ele toda ação atraente”.

É natural, é justo que, no homem comum, o interesse próprio e a autossatisfação predominem.

H.P.B. disse-nos que esse motivo pessoal formava, com o passar dos tempos, uma carapaça protetora em torno do Eu Divino ainda imaturo e não desenvolvido.

É como a casca que envolve o pinto não nascido.

E isso opera e cresce durante todo o tempo em que o homem está no Pravritti, ou Caminho de Saída, da vida.

Quando, porém, uma pessoa se volta para o Nivritti, ou Caminho de Retorno, e procura encontrar e tornar-se uno com aquela Divindade que é ao mesmo tempo a Fonte e a Meta do seu ser, os seus motivos gradualmente se transformam.

Lentamente, ele rompe a casca da sua própria egoidade e começa a viver uma vida de contínua radiação das Fontes Eternas.

Ele finalmente se torna, nas palavras de H.P.B., "um centro imperecível sem periferia". O motivo pessoal é substituído pelo motivo universal e impessoal.

Seu pequeno eu "morreu", para que o Eterno possa brilhar através dele.

Assim, em toda ação, o Yogui tenta agir como dever, e não para fins pessoais.

"Tua obrigação é somente com a ação, nunca com seus frutos". Shri Krishna descreveu como, estando acima de toda ação, Ele ainda assim se misturava a ela em toda parte.

"Pois se eu não me misturasse sempre na ação incansável, estes mundos cairiam em ruína." O negócio do universo deve ser feito para Deus e não para o eu.

E o passado de um homem, seu karma, bem como sua tendência evolutiva inata, seu dharma, determinam onde seu trabalho se encontra.

Esta eliminação do motivo do "lucro" não pode ser efetuada de uma só vez.

Leva muitos anos, às vezes vidas, para alcançá-la perfeitamente.

Contudo, há um caminho, um caminho adorável para fazer isso.

É o caminho do oferecimento através do amor.

Às vezes, um verdadeiro amante conhece seu caminho, pois ele não pode deixar de fazer tudo por seu amado, e encontra nisso alegria.

Como diz a Imitação de Cristo: "O amor torna todos os fardos leves".

Isso significa que tudo o que nos acontece, nós recebemos como de Sua mão; tudo o que nos é dado, nós oferecemos a Ele; tudo o que fazemos, percebemos que nada é sem Sua ajuda.

"Sem Ele", escreveu Krishnaji, "eu nada poderia ter feito". Disse o Mestre a Krishnaji: "Retenha sua mente do orgulho, pois o orgulho vem apenas da ignorância.

O homem que não sabe pensa que é grande, que fez isto ou aquilo grande coisa; o homem sábio sabe que só Deus é grande, que todo bom trabalho é feito somente por Deus.

Quando a felicidade nos chega, saiamos em pensamento para todos aqueles que amamos e compartilhemo-la com eles.

Se a tristeza nos chega, guardemo-la para nós mesmos e compartilhemo-la com Deus, ou com aqueles que têm um fardo semelhante para carregar.

E quando louvor e apreciação vierem em nosso caminho, refreemos qualquer sentimento de exultação, e passemos tudo isso ao Mestre.

Pertence a Ele.

Lembro-me de Mr. Jinarajadasa dizendo, há muitos anos, que sempre que as pessoas vinham até ele com louvor e agradecimento, ele imediatamente oferecia tudo ao Mestre.

Quem é aquele que pode trabalhar tão lealmente, tão incansavelmente, quando não vê resultados, não recebe apreciação? Contudo, como é adorável poder fazê-lo! Há apenas uma recompensa para o homem espiritual: saber que está servindo a seu Senhor, e dar a esse Senhor cada vez mais.

Podemos lentamente transferir o pequeno motivo para o Divino, pelo hábito do oferecimento e dedicação diários.

Como o Senhor Shri Krishna disse: “O que quer que faças, o que quer que comas, o que quer que ofereças, o que quer que pratiques como austeridade, faze-o como uma oferenda a Mim”.

A princípio, essa renúncia à recompensa pessoal faz a vida parecer um pouco cinzenta, mas essa cinzentice logo é substituída por uma paz inabalável.

“Ele alcança a paz, em quem todos os desejos fluem como rios fluem para o oceano, que está cheio de água, mas permanece imóvel — não aquele que deseja desejos”. Isso, de fato, Annie Besant certa vez nos disse, é o Caminho Real no ocultismo, se é que existe algum caminho real.

“Vivo, mas não eu, porém Cristo vive em mim”, escreveu São Paulo.

Mas façamos essa entrega de si mesmo não por dever, mas por amor.

“Felicidade é um grande amor, e muito servir”.

CAPÍTULO -13-

CRÍTICA

A maioria de nós é bastante crítica, alguns de nós extremamente. A tendência do mundo é toda nessa direção, então não é surpreendente que isso nos afete também.

O mundo é supercrítico por duas razões.

Uma é que o homem ainda está desenvolvendo a mente concreta inferior, a faculdade que floresce ao perceber diferenças.

Essa mente inferior adora comparar, colocar uma coisa contra outra em comparação.

E ao fazer isso — a segunda razão torna-se aparente — ela deseja comparar em detrimento dos outros e para a engrandecimento de si mesma.

Isso porque a humanidade ainda não é muito evoluída espiritualmente; o homem adquire um certo senso de segurança e prazer ao sentir que de alguma forma é superior.

A Sra.

Besant nos disse que deveríamos estar tentando evoluir a mente superior, que prospera ao ver semelhanças: a mente “intuicional”, como às vezes é chamada — a mente que pode discernir grandes princípios subjacentes e para a qual as diferenças superficiais parecem não importar tanto.

Ajudar-nos-á a refletir sobre a raiz grega da palavra “crítica”. Ela vem da palavra *kritein*, que significa “avaliar”, “julgar”. No inglês antigo, julgar às vezes era traduzido como “deem”. E até hoje o juiz principal da Ilha de Man é chamado de “Deemster”. Esse “deem” não implica necessariamente culpa.

No entanto, na grande maioria dos casos, a crítica assim o indica.

A meditação contínua sobre a Vida Una nos permitirá ver que não há pecado no Universo, apenas falta de crescimento.

Doravante, podemos criticar sem elogio ou culpa.

Não é o hábito de culpar muito prevalente? Por quê? Porque os homens desejam sentir-se seguros na superioridade, para sustentar seus próprios egos inseguros.

É natural, e facilmente compreensível, no homem comum.

É por isso que ajuda elogiar generosamente e apreciar.

É um pouco cruel privar o homem comum de tal necessidade.

Mas certamente nenhum de nós precisa auxiliar nosso próprio senso de bem-estar olhando de cima para nossos semelhantes! O hábito da crítica em sentido censurável é tão comum neste mundo que se tornou um truque cotidiano da fala.

O Mestre K.H. chama a opinião pública de "o mais leviano e cruel de todos os tribunais". Sem o saber, muitos de nós adquirimos um hábito semelhante.

Isso realmente provém de um mau complexo de inferioridade.

Se esse hábito ganhar demasiado domínio sobre nós, destruiremos não apenas nosso senso de discernimento, mas também nossa felicidade.

Lembremo-nos das palavras do poeta Wordsworth:

Vivemos pela admiração, esperança e amor, E à medida que estas são bem e sabiamente fixadas, Na dignidade do ser, ascendemos.

Todos desejamos ser amados, mas devemos amar.

Todos desejamos ser apreciados, mas devemos apreciar.

Sem esperança, a vida teria perdido seu sabor; portanto, não deixemos que destruamos a esperança no peito de outrem; apreciemos, em vez disso.

Muitos de nós temos uma disposição de espírito tão negativa.

Muitas pessoas me dizem que não têm amigos, que ninguém as ama.

Mas isso é porque esperam ser amadas, procuradas e apreciadas.

Ora, se saíssemos corajosamente para aprender a amar verdadeiramente e a apreciar, em breve encontraríamos um retorno glorioso.

Pois o mundo, mais ou menos, nos devolve aquilo que lhe damos.

Ora, o hábito da crítica contínua impede qualquer retorno glorioso.

Há algo no mundo tão maravilhoso quanto um amigo? Contudo, quantas belas amizades se perdem porque criticamos rápido demais, porque nos ofendemos com demasiada facilidade.

Lembro-me de uma mulher que me contou que nunca se casara porque nunca encontrara alguém que estivesse à altura de seus ideais.

Senti vontade de dizer: "Minha cara senhora, por que razão alguém deveria estar à altura de seus ideais? Basta que tentem alcançar os seus próprios."

Eliminemos o espírito de culpa de nossos corações, ou acumularemos para nós mesmos muito sofrimento no futuro.

Estar sempre a corrigir as pessoas causará problemas cármicos com elas.

Isso não significa que devemos ser cegos a falhas e defeitos, mas sim ser caridosos com eles, e não falar sobre eles.

Mesmo quando alguém realmente nos feriu, perdoar tal pessoa é torná-la um amigo.

Isso efetua uma reversão de polarização em sua natureza emocional.

Especialmente não critiquemos, nem mesmo para nós mesmos, alguém para quem temos uma dívida espiritual, alguém que nos ajudou. Pois assim nos cortamos dele — talvez para sempre! — a menos que nos esforcemos para reconquistar o terreno perdido por meio de serviço e amor contrito.

A Sra. Besant costumava nos falar sobre isso.

Ela citava o ditado de que nenhum homem é herói para o seu criado.

Isso não é culpa do herói, dizia ela, mas porque a alma do criado não consegue ver senão coisas mesquinhas.

E ela nos advertia que, se uma vez tivéssemos visto a luz através de alguém, nos apegássemos firmemente a isso, e não fixássemos nossos olhos em outras coisas, ou perderíamos nossa visão do céu.

Há um manuscrito muito antigo.

Ninguém sabe quem o escreveu. Chama-se Seu Amigo.

Eis suas palavras:

Lembra-te de que a amizade é um privilégio, não um direito.

Cuidado ao dizer ao teu amigo: "aonde vais e por quanto tempo? Com quem e com que propósito?" Cuidado ao aconselhá-lo sobre o tamanho de seu apartamento, ou o adorno de sua pessoa.

Não busques enjaular o alado dentro dos limites do teu julgamento.

Conhece os valores que são seu alento, e a liberdade que é sua órbita.

Ou encontrarás em teu coração apenas o longo silêncio, e a plumagem brilhante de uma memória.

Mas ele, o esplêndido, terá voado.

CAPÍTULO -14-

O PROBLEMA DAS OSCILAÇÕES E REAÇÕES

Muitos dos nossos não compreendem corretamente o problema das oscilações e reações.

Todas as coisas se movem sob a regra do ritmo incessante.

Não pode haver "ação" sem a correspondente "reação". O incessante "sobe e desce" rítmico da vida é evidente em toda parte.

Isso é muito marcante entre aqueles que se esforçam para viver uma vida espiritual.

No caso de um grande santo, a reação é tão terrível que às vezes dura anos: São João da Cruz, uma grande autoridade neste assunto, chama-a de "noite escura da alma". Esta noite mais escura sempre precede a conquista do grande caminho da União com Deus.

Pode ser vista como uma purgação tremenda pela qual os últimos vestígios remanescentes do eu no aspirante são finalmente removidos.

Como eu disse, no caso de grandes santos, às vezes dura anos.

Durou cinco ou seis anos com Santa Catarina de Sena.

Santa Catarina tinha o que são chamadas de "locuções interiores", onde o místico parece falar com Deus.

Quando finalmente atravessou, ela disse a Deus: "Onde estiveste, Senhor, em meio a toda essa imundície?" E Deus respondeu: "Filha, Eu estava em teu coração".

Quais são os sinais dessas reações? Os santos nos dizem em termos bem claros.

Aquilo que antes os atraía com cores brilhantes de amor e aspiração torna-se opaco e sem vida, até mesmo repulsivo.

Santa Teresinha de Lisieux passou quase toda a sua curta vida conventual em tal noite escura.

Ela escreve em sua autobiografia que havia momentos em que não podia nem orar nem meditar, que lia livros sagrados, mas as palavras nada significavam para ela.

Ela era assaltada pelas mais horríveis dúvidas, quase como se alguma voz zombeteira lhe dissesse que sua fé e aspiração eram ilusões egoístas de sua parte.

Ela escreve que, se Deus deseja que ela se sente à mesa dos pecadores, ela está mais do que disposta a fazê-lo, e nem mesmo deseja levantar-se dela até que Ele dê o sinal.

Que força e que desapego pertenciam aos santos, que podiam suportar isso com tamanha paciência, e nunca pedir ou esperar por "consolação". Teresinha disse a uma noviça que havia pedido consolação: "Oh! Isso eu nunca faria, pedir consolação.

É tão doce servir ao bom Deus na noite escura da provação".

Agora, na Sociedade Teosófica, como em todas as formas de aspiração, noites escuras ocorrem continuamente.

Elas vêm a todos nós, repetidamente, em maior ou menor grau.

Conosco, a escuridão geralmente assume a forma de nos tornarmos o que os estudantes chamam de "enjoados". A verdade e os livros teosóficos não nos atraem mais. Nossa antiga aspiração e realização parecem desaparecer completamente.

Podemos até pensar que nossos líderes estão iludidos ou falando tolices.

A maioria das pessoas não entende isso; assim, descobrimos que, sob um ataque particularmente violento, membros deixam a Sociedade e seu trabalho, e tentam aliviar a dor da reação condenando aquilo que originalmente adoravam.

Que grande pena!

O Bispo Leadbeater nos falou sobre o "avitchi", a pior forma de noite escura que existe no universo.

Avitchi significa o "sem ondas", sentir-se absolutamente fora do esquema da evolução, inteiramente só.

Você pode imaginar algo mais verdadeiramente horrível? No entanto, ele nos disse que todos nós devemos experimentar isso algum dia, a fim de saber como ajudar um homem que possa estar vivendo nessa condição. E no caminho, disse ele, há avitchis menores que vêm e vão.

Sra.

Besant nos disse que quando tal oscilação chega a qualquer um de nós, devemos apenas nos segurar e lembrar que, embora as nuvens possam parecer ter-nos engolfado completamente, atrás delas o sol está sempre brilhando; em breve as nuvens se romperão e o sol brilhará novamente sobre nós, se apenas tivermos o desapego e a força para suportar.

Ela me disse um dia, quando tive um ataque menor em Adyar: "Parece brutal, querida, mas lembre-se de que não importa o que sentimos". Às vezes, a escuridão assume a forma de escrúpulo excessivo, de estar extremamente insatisfeito consigo mesmo.

Este é o extremo reverso da vaidade e do orgulho ocultos.

Por que formamos opiniões sobre nós mesmos? Por que não deixar isso à sabedoria e compaixão do Mestre? Santa Teresinha disse a suas noviças: "Se você estiver disposta a suportar em paz a provação de não estar satisfeita consigo mesma, estará oferecendo ao Divino Mestre um lar em seu coração". Há um ditado semelhante e encantador no Hinduísmo: "Aqueles que nunca pedem nada, mas simplesmente amam, Tu em seu coração habitas para sempre, pois esta é a Tua própria morada".

Os discípulos aceitos de um Mestre são provados pelos Poderes das Trevas, assim como Deus permitiu que Jó fosse provado por Satã.

Eles devem vencer a luta sozinhos.

O Mestre simpatizará, mas não pode lutar a batalha pelo discípulo.

Estas experiências são tremendas "purgações". "A casca deve quebrar antes que o pássaro possa voar". E o Senhor Shri Krishna diz: "Quando Eu despojei um homem de tudo, então Eu Me dou a ele".

CAPÍTULO -15-

PUREZA

Creio que a palavra "pureza" é muito mal compreendida.

Na superfície, muitas vezes parece significar alguma não-infração da lei moral feita pelo homem.

Mas significa muito mais do que isso.

A lei moral feita pelo homem altera-se com os séculos que passam.

É moral nos países muçulmanos um homem ter mais de uma esposa.

No Tibete, é moral uma mulher ter vários maridos.

Penso que pureza significa "inteireza", "completude". Um lenço branco puro manchado com tinta ou outra matéria estranha não é mais "branco puro". E o que é verdadeiro para um pedaço de pano branco é igualmente verdadeiro para nossas mentes e corações.

O amor é puro quando não tem outro elemento senão a completa entrega e sacrifício, quando todo pensamento de si, seja como ganhador ou doador, desapareceu, e apenas o desejo pela bem-aventurança do amado permanece como força motivadora.

O primeiro amor às vezes é assim.

Nossas mentes são puras quando não há nelas pensamento além da vontade de espelhar a luz divina e impessoal.

“Se o teu olho for simples, todo o teu corpo será cheio de luz”. Assim, a simplicidade da mente, a inteireza do coração, constituem a pureza.

Mas uma coisa pode toldar a luz eterna — o pensamento do eu, o pequeno eu.

Apropriar-nos das coisas, mesmo das coisas divinas, é tocar o Santo com mãos impuras.

A mancha é da essência do desejo, desejo do eu, não desejo de Deus, ou do todo.

O desejo pessoal mancha o branco resplendor da pureza, mesmo o desejo de coisas celestiais.

Não devemos então desejar? O desejo é a força motriz da vida.

Mas todos aprenderemos a desejar corretamente, e assim traremos a cada homem, um dia, o verdadeiro desejo do seu coração.

Luz no Caminho nos diz para “matar” — isto é, “transmutar” — a ambição, o desejo de conforto, prestígio, sentimento de superioridade, fome de sensação, fome de crescimento; isto é, de sentir que somos alguém ou que estamos chegando a algum lugar.

Depois nos diz o que desejar: Deus dentro de nós, Deus além de nós, poder, paz, posses.

“Mas”, continua a qualificar, “essas posses devem pertencer somente à alma pura (isto é, ao espírito unido da vida) e ser possuídas igualmente por todas as almas puras. Fome de tais posses que podem ser retidas pela alma pura, para que acumuleis riqueza para aquele espírito unido da vida que é o vosso único verdadeiro eu”. “Uma paz sagrada que nada pode perturbar” é um pré-requisito para o verdadeiro crescimento da alma, e o poder que cobiçaremos “é aquele que faz o discípulo parecer nada aos olhos dos homens”.

Tenho frequentemente citado as palavras do Mestre K.H. Ao Sr. Judge: “Deveis viver para outros homens e com eles, não para vós mesmo ou convosco mesmo”. Isto é pureza.

E esta pureza conquista a visão Divina.

“Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus”. Como vemos Deus? Não com olhos carnais, nem mesmo com a mente ou as emoções.

Talvez a emoção verdadeira e altruísta se aproxime, pois há uma escada secreta, um caminho curto, para o Divino, descrito para nós pela Dra. Besant.

É por meio dos níveis atômicos em cada um dos nossos princípios.

No corpo mental, H.P.B. o chamou de Antahkarana, a “Ponte”. Ela o descreveu como “Manas purificado de todo egotismo” — a mente, tranquila e pura de todas as ondas de desejo pessoal ou maquinação, de modo que, como um lago espelhado, reflita a glória além.

Tendo-se tornado “simples”, ela brilha com luz radiante.

No corpo emocional, o mesmo nível é alcançado por emoções puras e altruístas, amor brilhando não pelo que pode atrair ou mesmo pelo que pode dar, mas porque, como a luz, deve brilhar, sendo essa a sua própria natureza.

A Dra. Besant certa vez expressou isso em um inesquecível pequeno mantram:

Há um só Pensador; que Ele pense através de mim. Há um só Amante; que Ele ame através de mim. Há um só Ator; que Ele aja através de mim.

Da totalidade do coração e da singeleza de propósito nasce aquela qualidade da alma mais velha, a simplicidade.

Todas as grandes almas são simples, sem sofisticação.

A simplicidade da criança não é a simplicidade do sábio.

Uma é potencial; a outra é atual, fruto da experiência e da simplificação dos desejos e conceitos.

É nos estágios intermediários que nos tornamos complicados e sofisticados.

O olho único e o coração inteiro tornam-se canais formidáveis para a Vontade Divina, para a força espiritual.

"Sua força era como a força de dez porque seu coração era puro", foi dito de Sir Galahad nos contos do Rei Arthur e seus Cavaleiros.

Bem podemos desejar aquela pureza que nos liberta do fardo de nós mesmos, assim como o fardo do peregrino Cristão rolou de seus ombros ao pé da cruz de Cristo na imortal alegoria de John Bunyan.

Os Salvadores dos homens sabiam disso muito bem, e por isso o Cristo clamou: "Vinde a Mim, só a Mim, para abrigo.

Não vos aflijais, Eu vos libertarei de todos os pecados".

CAPÍTULO -16-

FRACASSO

A Dra. Besant frequentemente citava o ditado: "Não há fracasso exceto em cessar de lutar". E ela costumava nos dizer que aquilo que uma pessoa almejava e idealizava importava muito mais do que aquilo que ela era.

Nas paredes do adorável Salão Teosófico em Auckland, Nova Zelândia, estão impressas em ouro suas palavras: "Nenhuma alma que aspira pode jamais falhar em alcançar; nenhum coração que ama pode jamais ser abandonado". Será que poderíamos interpretar as palavras do Cristo quando ele nos disse que deveríamos perdoar aqueles que nos feriram até setenta vezes sete como também a injunção de perdoarmos a nós mesmos? O desespero é listado no ensinamento católico romano como um pecado mortal.

A Voz do Silêncio diz: "Cuidado com o medo que se espalha, como as asas negras e silenciosas do morcego da meia-noite, entre o luar da Alma e a grande meta que se avulta ao longe, na distância.

O medo, ó discípulo, mata a vontade e detém toda ação". Como Frederick Myers escreveu: "Deus te perdoará tudo, exceto o teu desespero".

Examinemos um pouco o desespero e a autodepreciação.

O que está em suas raízes? Remorso extremo, e também ansiedade indevida, estão enraizados no excessivo interesse próprio.

Cometeremos erros repetidamente, isso é certo, pois ainda não somos perfeitos em conhecimento e experiência.

Mas nossos erros são nossos mestres.

Se não os tivéssemos feito, seríamos tanto mais carentes de sabedoria.

Um Mestre disse certa vez ao Sr. Judge que lágrimas e remorso pertencem ao eu pessoal e não devem impedir o progresso do Eu Imortal.

"Não se deixe levar pela ansiedade e pelo remorso", escreveu ele: "tenha paciência.

A resistência é uma das características do Ego.

O Ego persiste, sabendo-se imortal.

A personalidade desanima, sabendo que o tempo é curto". A Voz do Silêncio declara: "Tem paciência, candidato, como quem perdura para sempre". Creio que foi o Mestre K.H. quem disse uma vez: "O único arrependimento que vale a pena é a resolução de não o fazer novamente". Mas suponhamos que nos encontremos ainda o fazendo de novo e, por fim, soframos desprezo pela coisa fraca que somos nós mesmos? E então? Não há outro caminho senão tentar mais uma vez.

E talvez seja melhor não confiar demasiadamente apenas em nossa própria força.

Invoque o Poder Divino.

Descanse Nele.

O doce e sensato Irmão Lawrence disse a Deus que não podia fazer nada por si mesmo.

"Tu deves me ajudar, ou falharei uma e outra vez".

Agora, não creio que apenas tornar-se mais próximo da perfeição ou ter um caráter melhor seja um motivo inspirador.

Mas se lembrarmos que, vencendo a batalha, estamos poupando à humanidade um pouco de tristeza e dor, então temos o mais nobre e inspirador motivo do mundo.

Conquistaremos a nós mesmos para não trair os outros e para não trair o Mestre que se digna a pedir nossa ajuda junto aos homens.

Então nunca desesperaremos.

H.P.B. tem palavras muito sábias sobre esse pensamento em um de seus artigos.

Ela diz que a ansiedade excessiva e um desejo demasiado de crescer produzem em nós excrescências que devem ser removidas pela dor.

O verdadeiro crescimento é como o de uma criança, por todo o ser, imperceptivelmente.

Tennyson escreveu que "os homens podem elevar-se sobre os degraus de seus eus mortos para coisas mais altas". Mas, para usar um passado morto como degrau, devemos deixá-lo realmente morto! Olhando adiante, o que vemos? O Ideal, o Cristo interno, acenando-nos sempre.

Enquanto isso, sejamos pacientes conosco mesmos.

- CAPÍTULO 17 -

CONFIANÇA E ENTREGA DE SI MESMO

Tenho estudado ultimamente um pequeno livro do Padre de Caussade sobre o "Abandono". Ele diz nele algumas coisas muito belas e verdadeiras.

Há muito tempo sinto que o Grande Mestre de todos nós é a Vida, e a Vida nunca nos deseja o mal; apenas, e a cada momento, sob toda circunstância concebível, nosso bem eterno.

Pois o que é a Vida e essa sucessão incessante de eventos que chamamos de Karma? Há apenas uma Vida, uma Consciência em todo o universo, e a sucessão de eventos que constitui nossas vidas diárias é essa Vida Divina ou Vontade em ação.

O que é a Vontade de Deus? É o propósito ou a direção do universo.

Lembro-me de a Dra. Besant nos dizer que, no plano nirvânico, ela se assemelha a uma maré irresistível e fluente de luz.

Nada pode resistir a ela, ou não há outra Vontade senão a Dele.

E isso significa, no fim, como Emerson nos disse, realização e bem-aventurança absolutas para todo ser vivo.

Pois Ananda, Bem-aventurança, é o maior atributo dessa Vida.

É por isso que queremos ser felizes, o que significa encontrar nosso verdadeiro eu.

Isso não pode ser feito de uma só vez; portanto, durante nossas vidas de provação aqui na terra, percebamos que a felicidade duradoura não deve ser encontrada aqui e, como H.P.B. coloca, "esperemos com paciência a hora do nosso verdadeiro, do nosso real nascimento".

Essa Vontade se expressa nas grandes Leis da Natureza, "em quem não há variabilidade ou sombra de mudança", pois as Leis da Natureza são a impressão da Mente Divina sobre a matéria.

Elas são os verdadeiros mandamentos de Deus.

Elas agem com magnífica impessoalidade e são as mesmas, ontem, hoje e para sempre.

A Lei não é apenas justa, mas misericordiosa.

O latim *Mercedes*, do qual derivamos a palavra "misericórdia", significa "recompensa". "A Ti, ó Senhor, pertencem a misericórdia e a justiça, pois retribuis a cada homem segundo as suas obras". E o Profeta Jeremias escreveu: "A tua própria maldade te castigará, e as tuas apostasias te repreenderão".

Tudo isso é resumido tão belamente num antigo ditado de um Upanishad: "O universo existe para o bem do Eu". Pensamos com tanta frequência em encontrar Deus e Seu Propósito em algum céu distante ou em algum elevado estado de meditação, enquanto a verdade é que Ele está tanto aqui neste mundo quanto no plano nirvânico.

"Mais perto está Ele do que a respiração, mais próximo do que mãos e pés". Ouvi a Dra. Besant pregar um sermão sobre o Amor de Deus.

Ela disse que o Amor de Deus estava ao nosso redor como a eletricidade no ar e que bastava abrirmos nossos corações a ele. "Eis que estou à porta e bato.

Se alguém ouvir a Minha voz"

Agora, onde ouvimos essa Voz e tocamos essa Vida? A Voz Divina falou outrora aos homens através de grandes mestres e profetas.

Mas o tempo todo Ele está falando a você e a mim. Ele fala à humanidade nos eventos gerais, mas a cada um de nós através dos pequenos eventos da vida diária.

Pois teremos nós alguma vez percebido que a vida, o Karma, é Deus em Ação? "Senhor, que queres que eu faça?" A resposta é que Ele não nos pede nada mais do que o dever do momento.

Ao cumprirmos esse dever tão perfeitamente quanto sabemos, estamos fazendo a Sua vontade, exatamente como Ele gostaria que fizéssemos. Exteriormente, nada mais nos acontece do que acontece ao resto da humanidade; mas interiormente, o olho da fé descobre e desenvolve nada menos que Deus operando grandes coisas.

Se verdadeira e inteiramente entregarmos nossos corações ao Mestre e a Deus através d'Ele, o que Ele nos pede será indicado pelos eventos da vida diária.

O Padre de Caussade diz que "a Santidade consiste em uma única coisa — fidelidade à ordem de Deus.

A parte ativa consiste em cumprir os deveres que nos são impostos; a parte passiva em aceitar amorosamente tudo o que Deus nos envia a cada momento". Ele chama esses pequenos eventos diários de "as sombras que velam a Ação Divina", e diz que ela é tanto mais visível ao olho da fé quanto mais oculta sob aparências mais repugnantes aos sentidos.

O Amor Divino, diz ele, é-nos comunicado através do véu das criaturas e, às vezes, mais intensamente através daqueles que são aparentemente injustos e indelicados.

Não é um dos passos no Caminho "uma corajosa resistência à injustiça pessoal?" A Dra. Besant nos disse que deveríamos ser gratos às pessoas desagradáveis que pisam nossos calos e irritam nossas sensibilidades, pois elas são frequentemente nossos maiores mestres.

Em todos os momentos, sob todas as circunstâncias, a Vida está nos moldando para fins divinos e imortais; moldando-nos através dos eventos mutáveis e fugazes da Vida.

É mais difícil ver isso na decepção, na tristeza e na perda, mas frequentemente são essas que nos trazem a mais maravilhosa iluminação de todas as experiências.

Krishnaji disse que a maioria de nós foge da tristeza, mas que se abríssemos nossos braços para ela, cresceríamos e aprenderíamos tão maravilhosamente.

A maioria de nós tem ouvidos ocultos, às vezes subconscientes.

Tente relaxar, não temer. "Descansa no Senhor que é a própria Vida", escreveu o Mestre K.H. ao Sr. Judge.

Ele lhe disse para não desejar nada para o seu eu separado, nenhum resultado que dê esse senso de poder, mas apenas tentar o tempo todo alcançar mais perto do Centro da Vida, a Divindade que todos compartilhamos.

"Respira o sopro da grande pulsação em todos nós", escreveu Ele, "e deixa a fé te carregar através da tua vida como um pássaro voa no ar — sem dúvida alguma.

Não importa quais sejam os eventos da vida, eles são para o melhor.

Não importa o que as outras pessoas sejam.

Não há pecado, apenas falta de crescimento.

Não importa o que sejamos, mas estejamos dispostos a ser o que somos."

Não nos conhecemos verdadeiramente.

Deus e o Mestre nos conhecem melhor.

Deixe tudo a Ele e cresça como uma flor cresce, através da aspiração incessante e do amor à beleza e à verdade.

Em paz cresceremos.

"A paz alcança aquele em quem todos os desejos fluem como rios para o oceano, não aquele que deseja desejos.

E a Paz é o fruto da auto-rendição".—